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Tecnologia ou Etica



Um programa do Discovery Channel hoje abordava o tema "Invasão Extraterrestre". Mas afinal, qual a relevância disto para nós, brasileiros e trabalhadores em São Paulo? Seremos alvos de invasão de outros mundos? Preparem-se! Temam, tremam, vocês estão em perigo! 

Enfim, o programa consiste em teorias a respeito de como seria uma suposta invasão alienígena. Quer isso seja verdade ou não, pouco importa. Se você acredita nessa possibilidade de vida alienígena inteligente, pergunto, por quê você iria invadir e destruir outra civilização? 

Primeiro ponto, obviamente, houve por parte dos cientistas muita projeção. Imaginar uma civilização mais avançada nos atacando, com as características selvagens e tirânicas exatamente iguais às da nossa civilização. Esperamos dos outros o pior que existe em nós mesmos. 

Mas o problema maior, a meu ver não foi esse. Todas as suposições foram feitas, do ponto de vista tecnológico e bélico. Menos aquela mais importante, a ética e os valores. A maior ameaça para nossa sociedade, como ela está, neste momento histórico não é a tecnologia, mas a ética. O que rege nossas escolhas, quais as prioridades, o que levamos em conta para seguir em frente como grupo humano habitante do planeta Terra? 



O que não foi pensado pelo cientistas, foi o caso de os extraterrestres mostrarem uma ética "nobre" e de valorização da vida, totalmente oposta à estratégia atual dominante na cultura ocidental. Quem sabe, uma organização social e "econômica" muito mais eficiente do que a maneira como conhecemos e praticamos. Isto, sim, seria o apocalipse da humanidade e do individualismo. Não duvido que existam formas de inteligência superiores à nossa, não apenas tecnológica, mas principalmente, eticamente falando. 

Qual seria a vantagem de uma sociedade onde haja mais sentido e significado, você poderia perguntar? Qual seria o benefício? Do ponto de vista coletivo, provavelmente, menos doenças e desgraças. Do ponto de vista individual, talvez mais equanimidade, equilíbrio entre as pessoas e as situações. O benefício talvez fosse grande, mas não se trata de abdicar de si mesmo, mas pelo contrário, é uma estratégia egoísta, do ponto de vista positivo. Quando valorizar o bem-estar do outro é lógico e faz sentido, pois também me favorece, daí temos tudo a favor desse bem-estar. 

Ainda falta muito até descobrirmos como valorizar a sociedade e o individuo ao mesmo tempo. A tecnologia nos conecta, nos interliga, nos informa, nos tornamos mais rápidos e velozes. Ao mesmo tempo, ficamos mais ansiosos, e menos tolerantes para esperar pelas coisas acontecerem no seu próprio ritmo. Para que esperar, se você aprendeu a clicar e receber uma resposta imediata? Tecle, deslize, clique, aproxime e afaste num piscar de olhos. Tudo já está pronto! Será? 

O outro passa a ser apenas mais um "número" em nosso "Smartphone", mais um "contato" no nosso Facebook.



Uma ética que valorize os modos próprios das pessoas, e não apenas os classifique como doentes e normais. Práticas e valores que nos ensinem a ouvir a nós mesmos, que não nos considere uma tábula-rasa, um papel em branco totalmente formatado pelo ambiente. Mas um ser com certas características já "instaladas no sistema", e que devem ser respeitadas. E que continuem com a exatidão e os cálculos precisos, mas deixem isso para aquilo que possa e deva ser medido. A meu ver, o ser humano não pode ser mensurado da mesma maneira que um bloco de concreto.

Para que essa ética seja possível, é necessário que haja uma educação voltada para que possamos nos ouvir uns aos outros, e principalmente, a nós mesmos. O que ocorre é que recebemos instruções a respeito de nosso funcionamento, muitas vezes incongruentes com o modo como nos percebemos. Na maioria das vezes, somos treinados a perceber apenas aquilo que é aceitável socialmente, e esses parâmetros chegam a ser pouco tolerantes a desvios, são muito rígidos. Ou então, caímos no extremo oposto, de falta de limites. Mais uma vez, é a necessidade de saber ouvir a si mesmo e ao outro, que está em déficit.

Quanto mais formos capazes de nos ouvirmos, menos dependentes ficamos do ambiente. Continuamos a nos relacionar e a sermos supridos pelo mundo, mas caso hajam diferenças e singularidades, isso pode ser considerado e possivelmente, respeitado. 

Somos extremamente valorizados pela forma como pensamos e analisamos o mundo, mas na verdade, isso é apenas uma pequena fração. Isso é justamente valorizado por ser muito controlado e balizado. Quando se trata de ouvir a nós mesmos, nos deparamos com uma lógica que vai bem além da razão e do raciocínio, começamos a perder a capacidade de sermos controlados pelo ambiente.



Deixamos de lado aspectos básicos como agressividade, expressão verbal e corporal, instintos sexuais, porque simplesmente não sabemos lidar com esses aspectos em nós mesmos. Um modo de perceber a realidade própria de cada um é o discurso poético, a imagem poética. Esta não se prende unicamente às regras do raciocínio, mas apresenta uma lógica própria. 

Então , cada linguagem serve para um propósito. A linguagem poética serve muito bem para o mundo pessoal e intransferível, mas não se aplica à engenharia ou à medicina. Da mesma forma, a linguagem mecânica e racional não serve totalmente à descrição do modo de ser das pessoas e daquilo que as define, mas serve muito bem aos objetos e ferramentas construídos pelo Homem.

Respiração Consciente: Uma Jornada para Libertar Corpo e Mente

A vida moderna nos desafia diariamente: estresse, ansiedade e a desconexão consigo mesmo tornaram-se companheiros silenciosos. E se existisse uma chave para desbloquear emoções reprimidas, ressignificar traumas e realinhar seu propósito? A Terapia pela Respiração Consciente surge não como uma técnica, mas como uma revolução interior, moldada por três décadas de transformações reais em milhares de vidas.  


A Respiração que Transcende o Óbvio  

Mais do que um ato involuntário, a respiração é um portal para o autoconhecimento. Enquanto a sociedade busca soluções rápidas em pílulas ou apps, nós mergulhamos na raiz: o poder do ar que entra e sai de seus pulmões.  


Na agitação, respiramos rápido e superficial, como em crises de pânico.  

Na apatia, a respiração torna-se lenta e contida, como na depressão.  


Aqui, propomos o oposto: usar a hiperventilação guiada para romper padrões. Ao acelerar conscientemente a respiração, você desativa o piloto automático emocional. É como pressionar um botão de reset no sistema nervoso, permitindo que o corpo libere toxinas emocionais acumuladas há anos.  


Esta terapia não se limita ao físico — ela desperta camadas profundas da sua existência.


1 O Encontro com Sua Essência  

   Quem você é além dos rótulos sociais? A respiração plena revela impulsos genuínos, motivações adormecidas e a voz interior que sussurra: Este é o seu caminho.  


2 A Dança com o Mundo  

   Relacionamentos, cultura, crenças… Tudo isso molda sua percepção, mas também pode aprisionar. Aqui, você reescreve narrativas limitantes, aprendendo a interagir com o externo sem perder sua autenticidade.  


3 A Sintonia com o Invisível 

   Espiritualidade não é dogma; é a consciência de que você faz parte de algo maior. É entender que cada respiro é um diálogo com o universo, um passo na jornada de sua alma.  


O Processo: Do Caos à Clareza  

Realizada em grupos íntimos (até 8 pessoas), a terapia é um mergulho de dois dias, dividido em três atos transformadores:  


1 A Torrente (Hiperventilação)  

Em um ambiente seguro, você entra em estado de fluxo através de respiração rápida e profunda. É um convite para soltar o controle, permitindo que emoções estagnadas subam à superfície e se dissolvam.  


2 O Oásis (Integração)

Após a tempestade, vem a calmaria. Um momento para compartilhar refeições e histórias, onde o grupo se torna espelho — cada relato reflete fragmentos da sua própria jornada.  


3 A Revelação (Compartilhamento Sagrado)  

Aqui, o cognitivo e o emocional se unem. Ao verbalizar experiências, você decifra símbolos internos, identifica padrões e, o mais importante, escolhe quais histórias merecem continuar. O grupo valida, apoia e amplifica sua voz, criando um laço de pertencimento raro em um mundo individualista.  


Por Que Isso Funciona?  

Liberação Fisiológica: A hiperventilação estimula a produção de endorfinas, reduzindo cortisol e reequilibrando o sistema nervoso.  


Cura Coletiva: Compartilhar vulnerabilidades em grupo quebra ilusões de solidão, você percebe que não está sozinho em suas lutas.  


Reescrita Neural: Padrões mentais tóxicos são substituídos por novos scripts, escritos por você, durante estados elevados de consciência.  


Seu Convite para Renascer  

Imagine sair desses dois dias não apenas mais leve, mas com ferramentas concretas para: 

 

- Dissolver ansiedade crônica e fadiga mental.  

- Ativar a resiliência emocional em situações desafiadoras.  

- Redescobrir paixões e motivações que jaziam esquecidas.  


Próxima Edição: Sábado 26/4, das 14h às 18h e Domingo 27/4, das 8h30 às 12h30.  

Vagas limitadas a 4 participantes — garantindo profundidade e atenção individual.  


Faça parte desta revolução silenciosa. 

Respire. Liberte-se. Transforme. 


Informações e Inscrições: 

Antonio Vaszken 

11 99285-4329 Whatsapp 



Nota: Este não é um tratamento médico, mas um complemento terapêutico. Consulte um profissional de saúde para condições específicas.

A Verdade sobre Respiração Consciente

O conceito de Respiração Consciente refere-se a uma prática de respiração que visa promover a cura emocional e espiritual.

Muitas pessoas têm dúvidas e preconceitos sobre essa técnica, levando a uma série de mitos que precisam ser esclarecidos.


Mito 1: Respiração Consciente é apenas uma moda passageira.

Na verdade, a Respiração Consciente é uma prática que existe há milênios, tem ajudado muitas pessoas a se conectarem com suas emoções e a superarem traumas.


Mito 2: É perigoso e pode causar danos.

Quando feito por profissionais qualificados, a Respiração Consciente é segura. É importante sempre buscar um facilitador experiente.


Mito 3: Apenas pessoas com problemas sérios devem praticar.

Qualquer pessoa pode se beneficiar da Respiração Consciente, independentemente de suas experiências passadas. É uma ferramenta de autoconhecimento e crescimento pessoal.


Mito 4: Respiração Consciente é uma terapia alternativa que substitui a medicina tradicional.

A Respiração Consciente não substitui tratamentos médicos, mas pode ser um complemento valioso para o bem-estar emocional e mental.

Efeitos da Respiração Consciente

1. Melhora a Saúde Emocional

A Respiração Consciente ajuda a liberar emoções reprimidas, promovendo um estado emocional mais equilibrado e saudável.


2. Aumenta a Clareza Mental

Essa prática pode melhorar a concentração e a clareza mental, permitindo que você tome decisões mais conscientes e assertivas.


3. Reduz o Estresse e a Ansiedade

A Respiração Consciente é uma técnica eficaz para reduzir os níveis de estresse e ansiedade, proporcionando uma sensação de calma e relaxamento.


4. Promove o Autoconhecimento

Ao se conectar com sua respiração, você se torna mais consciente de seus pensamentos e sentimentos, facilitando o autoconhecimento e o crescimento pessoal.


5. Melhora a Qualidade do Sono

Praticar a Respiração Consciente pode ajudar a relaxar o corpo e a mente, contribuindo para uma melhor qualidade do sono.


6. Aumenta a Energia Vital

Essa técnica pode revitalizar o corpo e a mente, aumentando sua energia e disposição para enfrentar o dia a dia.


7. Fortalece a Conexão Corpo-Mente

A Respiração Consciente promove uma maior conexão entre o corpo e a mente, ajudando você a se sentir mais centrado e presente.


8. Facilita a Liberação de Tensão Física

A prática ajuda a liberar a tensão acumulada no corpo, promovendo uma sensação de leveza e bem-estar físico.


9. É Acessível e Prática

A Respiração Consciente pode ser praticada em qualquer lugar e a qualquer momento, tornando-se uma ferramenta acessível para todos que buscam melhorar sua qualidade de vida.


Conclusão

A Respiração Consciente é uma prática poderosa que oferece uma série de benefícios positivos. Experimente e descubra como ela pode transformar sua vida!

É importante desmistificar as ideias erradas e entender que, com a orientação certa, pode ser uma experiência transformadora.


Chamada à Ação

Se você está curioso sobre a Respiração Consciente, considere participar de uma sessão com um profissional qualificado para explorar como essa prática pode ajudar você em sua jornada pessoal.

Corpo e Psicoterapia


Como seria possível utilizar o corpo como um veículo de autoconhecimento e felicidade?


Uma metodologia baseada no conhecimento intrínseco presente nas células e tecidos do corpo.

Sendo esse mesmo conhecimento traduzível em comportamentos aplicáveis e voltados para a qualidade de vida e evolução do ser.


O primeiro estágio de conhecimento é Empírico - são informações técnicas e de caráter informativo. Servem apenas como uma preparação e aproximação suave das informações, no nível generalizado.


O segundo estágio é Seletivo - ocorre o foco e a concentração em um único elemento, a partir da escolha subjetiva ou contextual. Depois da visão geral trazida à tona no primeiro estágio, é o momento de começar com algum ponto específico.


O terceiro estágio é Sentir e Expressar o elemento que foi selecionado no estágio anterior. Sentir é aproximar-se e identificar-se com o conteúdo totalmente. Expressar é permitir a manifestação do conteúdo em todas as formas e sentidos: visual, cinestésico, auditivo.


O quarto e último estágio é Integrar e Significar. Ser capaz de ampliar as antigas referências através da inclusão das novas informações que foram sentidas e vividas no terceiro estágio. Tornar inteiro novamente, o que antes era composto de parte e todo.


O autoconhecimento atravessa todos esses estágios, que ocorrem várias vezes seguidas, com todos os tipos de informações.

No caso da Psicoterapia Corporal, temos os conteúdos cinestésicos e dos cinco sentidos, enfatizados pelo contexto clínico e investigativo.

São perguntas como:
"O que você está sentindo agora?"
"Como esse sentimento se manifesta aqui e agora no seu corpo?"
"Qual imagem/som/cor/formato acompanha esse pensamento/discurso?"

Também enfatizo a atenção aos sentidos para dentro de si e a busca de informações (novos conteúdos ou novas maneiras de perceber conteúdos já conhecidos).

Geração Bodilessness

Incorporeidade, excesso de atividade mental, o corpo é um mero suporte de cabeça.

Reflexos de um paradigma pseudo científico e  cultural, que valoriza o cérebro como única fonte de consciência...

Mas o corpo possui consciência e inteligência que o fazem reagir e trazer a consciência "cerebral" para a totalidade do Ser.

Enquanto a ciência continuar sendo esse "cada macaco no seu galho", essa fragmentação do humano será cada vez mais desastrosa...

Daí a necessidade urgente de mindfulness, meditação, práticas integradas de saúde  (grounding, movimento consciente, reabilitação via práticas esportivas e sociais, psicodramas abertos , acupuntura, teatro espontâneo e outras atividades renegadas a "alternativas").

Estados Ampliados e Alterados da Consciência

Autor: Antonio Vaszken Dichtchekenian

Este texto apresenta uma visão resumida, fundamentada na Psicologia Transpessoal, a respeito dos estados alterados e ampliados de consciência.

Segundo Stanislav Grof, psiquiatra e um dos fundadores da abordagem Transpessoal, existem cinco tipos de experiências, importantes para este assunto.

Um tipo específico de estados de consciência são os ampliados ou modificados. A consciência encontra-se acordada, sendo capaz de perceber todos os aspectos da situação e da identidade. Não existe desorientação, mas o oposto disso. A pessoa sabe exatamente quem ela é, e o que ocorre.

A ampliação da consciência traz alguns aspectos adicionais além dos cinco sentidos:

- Expansão do senso de identidade: identificar-se com outras pessoas, grupos de pessoas, ancestrais, outros animais e seres da natureza. E´uma experiência de assumir o ponto de vista subjetivo de um outro pessoa, ser ou objeto.

- Expansão do tempo linear: Voltar ao passado até uma experiência remota, em geral, retorno a um período do tempo no qual o individuo ainda estava por nascer ou logo após o próprio nascimento.

- Expansão das referências espaciais: A consciência é transportada a outros locais ou dimensões da existência. Pode ser desde um outro país ou cultura, até uma dimensão sutil ou espiritual.Também é possível voltar o foco totalmente para o corpo físico, e ter consciência precisa de ossos, articulações, tecidos e sistemas orgânicos.

- Experiências de reviver o próprio parto: essas também são um tipo de expansão consciencial. Vão além de uma simples regressão mental e neurológica temporárias, pois mantemos todas as referências de adulto quando realizamos essa volta no tempo. O encontro do adulto com a criança ou feto promove uma transformação em ambos - o adulto renova-se, e a criança amadurece.

- Expansão da consciência corporal. Somos capazes de perceber e utilizar em nosso benefício, os movimentos da bioenergia, os chacras, e centros de energia e vitalidade, que todos possuem.

Por outro lado, os estados alterados, são aqueles encontrados em doenças infeciosas, lesões cerebrais, e também, através da embriaguez alcóolica. Nesses estados alterados ocorre uma desorientação, a pessoa não sabe bem onde ela se encontra, o que está ocorrendo ou quem ela é. No caso da embriaguez, é possível obter algum aprendizado ou uma experiência momentânea de bem-estar, mas os efeitos não são duradouros, e raramente são benéficos.

Bibliografia:
Grof, Stanislav - Cura Profunda: A Perspectiva Holotrópica. Editora Martins Fontes, 2015.

Palestra Gratuita Renascimento


O nome Renascimento está ligado ao sentimento de tranquilidade, relaxamento e renovação, que costuma vir depois de muitas vivências com respiração. Porém, os efeitos dessa técnica vão bem além de apenas reviver o nascimento.
Entre outros efeitos, são observados curas de problemas respiratórios, ansiedade, fobias, estresse, pânico e depressão.
As experiências podem ser expansivas, integrativas, de aceitação, de contato prazeroso com o próprio corpo, e estados meditativos profundos.
As pessoas podem ter experiências que as ligam à sua existência como um todo ou a situações específicas, sempre indo na direção de uma integração das experiências de vida. Também podem reformular aqueles valores que não são favoráveis, em valores orientados a uma vida mais saudável.
Durante uma sessão de renascimento, o processo da respiração é circular. A inspiração é conectada à expiração, e feita sempre pela mesma via: a boca ou o nariz. O mais importante é que a inspiração seja profunda, e a expiração seja relaxada e sem forçar.
A relação renascedor - cliente permite o apoio e acolhimento por parte de uma pessoa experiente em respiração. Além disso, faz com que o terapeuta possa saber com o olhar externo o que está se passando internamente com o cliente, e assim, orientá-lo e intervir durante a sessão, se isso for necessário.
A respiração mostra-se uma ferramenta útil e poderosa para a saúde, o bem-estar, tratamento de distúrbios psicossomáticos.
No Domingo haverá um workshop de Renascimento, é a oportunidade de conhecer e vivenciar todo o entusiasmo da respiração e do Renascimento.

DATA: 

Sábados - Dia 16 e 23 de Fevereiro - 16 horas


Local: 

São Paulo

Evento gratuito

Inscrições e informações:
Telefone (11) 3865-7557

antonio.vaszken@gmail.com

Qual Terapia Funciona Para Você?


O que você acha mais fácil? Relaxar o corpo, e descansar depois de um dia carregado com uma boa noite de sono, uma massagem... Ou relaxar a alma, descansar dos mesmos pensamentos de todos os dias, e ter alguma mudança perceptível sobre você mesmo e a sua própria vida? A alma, neste contexto, não tem nenhum significado metafísico. Trata-se de uma dimensão sensível, que compreende o mundo e dá sentido à sua existência. Quando fazemos alguma atividade física que nos permite relaxar durante uma hora, ou até mais, é possível alterar a nossa relação com os pensamentos e emoções, pois existe uma relação direta entre o corpo e a alma. Aquilo que sentimos e pensamos pode afetar nosso corpo e a saúde orgânica. Da mesma forma, atividades físicas como uma caminhada, yoga, ou uma relação sexual podem modificar os estados emocionais em que nos encontramos.


Mas, e quanto ao aspecto emocional e psicológico? Não sei se você já teve a oportunidade de fazer psicoterapia ou alguma outra terapia voltada para os aspectos da personalidade. Talvez você tenha conhecido um psicólogo (ou terapeuta) que pôde ajudar você a compreender os significados e as causas dos seus problemas, pelo menos dos principais que lhe afligiam. Não é preciso tanto: uma pessoa mais experiente dentro do seu círculo de relações (um tio, avó, alguém que você escolheu), que lhe explicavam coisas da vida, e permitiam que você visse tudo com novos olhos!


Tudo depende das experiências que você teve até agora: o autoconhecimento pode ter tido momentos agradáveis, outros razoavelmente difíceis. Se suas mudanças vieram junto com doses de sofrimento e conflitos, isso pode marcar em sua mente um caminho doloroso quando você pensa em transformação pessoal e autoconhecimento. Pare por um momento, e faça uma recapitulação da sua história. Quais acontecimentos lhe marcaram e transformaram a sua vida? Você se sente um protagonista ou um espectador? O que sente pelas pessoas à sua volta, e o que elas sentem por você? Essas perguntas lhe agradam ou incomodam?

Mudar o seu comportamento por conta própria é uma das tarefas mais desafiantes que uma pessoa se propõe a realizar. Quantas vezes já tentou mudar um pensamento ou sentimento incômodo em relação a situações conhecidas? Ou então, desejou se sentir diferente com relação a uma pessoa próxima?


A psicoterapia verbal é um tipo de terapia muito conhecida e valorizada pela ciência. É uma opção, entre muitas outras, mas não serve para todas as pessoas, em todos os momentos de vida. Uma terapia deve atender às necessidades dos pacientes, e não o contrário. É necessário respeitar o jeito que cada pessoa vive o mundo e a si mesma. Porque são as experiências que transformam as pessoas, não apenas uma palavra ou a interpretação de um terapeuta. Essa é uma dentre muitas das razões, pelas quais as pessoas buscam novidades. Elas querem ter experiências que lhes permitam transformar os sentimentos, as crenças e os conceitos a respeito do mundo e delas mesmas.


Partindo deste princípio, as psicoterapias vivenciais são uma modalidade de terapia que, através de recursos diferenciados, além da conversa ou análise, facilita o acesso à nós mesmos. Costumam ter resultados efetivos, que ocorrem em relativamente pouco tempo. Nessas terapias, a conversa se limita ao básico, sem análises ou explicações sobre a experiência. Porque a psicoterapia experiencial tem como foco as experiências, e não as explicações destas. No devido tempo, a compreensão da experiência e os seus efeitos aparecem para a pessoa, sem a necessidade de uma intervenção externa do terapeuta. Você passa por um entrevista inicial, onde são obtidas informações da sua história de vida e saúde física. Antes de iniciar as sessões, são explicados quais são os procedimentos, como por exemplo, deitar, fechar os olhos, respirar desse modo, etc. Se a pessoa quiser, a conversa ajudar a compreender o que foi vivido. Mas não é o único caminho.

Então, existem vários tipos de terapia voltadas para o autoconhecimento, que utilizam ferramentas variadas, além da conversa: respiração consciente, ressignificação de memórias, exercícios e movimentos corporais, terapia através da expressão artística, entre outras. Cabe a você descobrir qual delas funciona melhor para a sua pessoa. Afinal, terapia é sinônimo de sentir-se melhor com você mesmo.

Trabalho Corporal em Psicoterapia


" A postura do terapeuta durante toda a sessão é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa...."

Este texto tem como objetivo descrever a modalidade de terapia corporal, para as pessoas que não a conhecem e tenham interesse em  saber algumas informações básicas.

A psicoterapia corporal é um tipo de terapia onde ocorre não apenas interação verbal entre o paciente e o terapeuta. Mas onde, também, existe o contato do paciente com seu próprio corpo, através de introspecção, do toque, de relaxamento, meditação, de posturas e técnicas corporais específicas.


"Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo."

Uma maneira possível de contato com o próprio corpo é através de um relaxamento inicial, e onde ocorre contato verbal com o terapeuta, em intervalos de tempo, entre os momentos de introspecção. Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo. A postura do terapeuta, durante toda a sessão, é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa.

Um dos princípios que dão base a esse tipo de trabalho é o contato com experiências profundas com potencial de cura e liberação de tensões e emoções bloqueadas.

Esse modo de trabalho promove um aprofundamento das emoções e das sensações, gerando alívio e descarga das tensões, num nível diferente de uma terapia verbal. A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. Como existe um olhar voltado para si mesmo, a consciência consegue trabalhar com capacidade ampliada, e com potencial de cura expandido. Utiliza-se o método fenomenológico, que é o da intensificação da experiência, de um modo não-diretivo.

" A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. "

Durante as sessões, as pessoas ficam conscientes, mais ligadas no que acontece com elas mesmas, tendo oportunidade de compreender de maneira intuitiva e dinâmica como podem ajudar a melhorar suas vidas, e resolver seu sofrimento. Quando ocorre esse tipo de descoberta a respeito da sua própria vida, e de como cada um pode melhorar, existe um contato com uma sabedoria interior presente em cada um de nós, mas muitas vezes esquecida, por estarmos olhando para fora de nós. Esse encontro com a sabedoria interior é livre e independente de crenças religiosas,ou dogmas.

 


As sessões podem durar desde 50 minutos até 2 ou 3 horas. O ideal é que haja todo o tempo disponível, e um local que permita expressão corporal com total liberdade.

Além da Psicanálise - Stanislav Grof

Além da Psicanálise - Stanislav Grof
O Futuro da Psiquiatria:
Desafios conceituais para a Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapia

O trabalho clínico com formas variadas de poderosas psicoterapias experienciais e com substâncias psicodélicas trouxe incontestáveis evidências que a imagem freudiana da psique é extremamente superficial. Pessoas experienciando profunda regressão experiencial com o uso destas novas técnicas rapidamente se movem para além das memórias da infância e alcançam o nível da sua psique que contém os arquivos de memórias traumáticas do nascimento biológico.

Nesse ponto, se encontram com emoções e sensações físicas de extrema intensidade, frequentemente ultrapassando qualquer outra coisa considerada como possibilidade humana. As experiências originadas nesse nível da psique representam uma estranha mistura de um encontro destrutivo com a morte e a luta para nascer.

-- Stanislav Grof, M.D., H. R. Giger and the Soul of the Twentieth Century

Resumo

Pesquisas modernas de estados holotrópicos (um grande sub-grupo de estados incomuns de consciência), como psicoterapia experiencial, trabalho clínico e laboratorial com substâncias psicodélicas, antropologia de campo, tanatologia e terapia com indivíduos passando por crises psico-espirituais ("emergências espirituais"), gerou uma gama de extraordinárias observações que minaram algumas hipóteses muito fundamentais da moderna psiquiatria, psicologia e psicoterapia. Algumas dessas descobertas desafiam seriamente os princípios filosóficos da ciência ocidental, no que diz respeito à relação entre matéria, vida e consciência. Este artigo resume as mais importantes e grandes revisões que teremos de revisar a respeito do nosso entendimento de consciência e de psique humana, na saúde e na doença, para acomodar tais desafios conceituais:

1. Ao contrário da ciência acadêmica, o "programa" da psique humana não se limita à biografia pós-natal e ao inconsciente individual freudiano. A psique humana individual inclui duas importantes dimensões adicionais - o domínio perinatal, estreitamente relacionado ao trauma do nascimento, e o domínio transpessoal, a fonte das experiências que transcendem o ego-corporal - e essencialmente se iguala à toda a existência.

2. As desordens emocionais e psicossomáticas de origem psicogênica não podem ser explicadas adequadamente a partir de eventos pós-natais traumáticos; elas têm importantes raízes perinatais e transpessoais. Por essas razões, uma psicoterapia efetiva precisa incluir estes domínios trans-biográficos, e não pode se limitar ao trabalho do material da vida pós-natal.

3. Além de lidar com o material biográfico, que é de costume nas variadas escolas psicoterápicas do Ocidente, os estados holotrópicos oferecem poderosos mecanismos de cura que estão disponíveis nos níveis perinatal e transpessoal da psique humana, tais como o reviver do nascimento biológico e a experiência de morte e renascimento psico-espiritual, experiências de vidas passadas, sequências arquetípicas, episódios de unidade cósmica, e outros.

4. Estados holotrópicos, espontâneos ou induzidos mobilizam forças curativas intrínsecas ao organismo. Se adequadamente suportadas e apoiadas, podem resultar em cura emocional e psicossomática, tranformação positiva da personalidade e evolução da consciência. Elas oferecem possibilidades terapêuticas radicalmente diferentes e superiores dos esforços convencionais, de racionalmente entender as dinâmicas das desordens, e tratá-las através de intervenções da psicoterapia verbal, que refletem a crenças de variadas escolas de psicoterapia.

5. Espiritualidade na forma genuína é uma legítima e importante dimensão da existência, e é incorreto dispensá-la como um produto da ignorância, superstição, pensamento mágico primitivo ou patologia. Experiências místicas não devem ser vistas como indicação de doenças mentais, mas como manifestações normais e muito desejáveis da psique humana, com extraordinários potenciais de cura e transformação.

6. Muitas das experiências em estados incomuns de consciência desafiam seriamente não apenas as teorias atuais da psiquiatria, mas também suposições filosóficas básicas da ciência ocidental materialista, no que diz respeito à natureza da realidade e a relação entre matéria e consciência. Sob a luz das novas descobertas, a consciência não é um produto de processos neurofisiolóicos do cérebro, mas um aspecto fundamental da existência, mediado pelo cérebro, mas não produzido por ele.

Potenciais curativos e heurísticos das experiências holotrópicas

A fonte das observações exploradas nesse artigo foi um estudo sistemático de longa-duração do que a psiquiatria acadêmica chama estados “alterados” ou “estados incomuns de consciência.” O foco principal dessa pesquisa foram as experiências que representam uma fonte útil de dados sobre a psique humana e as que tem um potencial transformador e evolucionário. Para esse objetivo, o termo “estado incomum de consciência” é genérico demais; pode incluir um grande espectro de condições que não nos interessam ou são irrelevantes nesse ponto.

A consciência pode ser profundamente alterada por uma variedade de processos patológicos – traumas cerebrais, intoxicações por venenos, infecções, ou processos degenerativos e circulatórios no cérebro. Tais condições pode resultar em profundas alterações mentais que seriam incluídas em uma categoria de “estados incomuns de consciência”. Entretanto, eles causam “delíros triviais” ou “psicoses orgânicas”, estados associados a desorientação geral, suas funções intelectuais ficam significativamente danificadas e tipicamente sofrem de amnésia após suas experiências. Essas condilções são muito importantes clinicamente, mas são irrelevantes para nossa discussão.

Esse artigo sintetiza observações enfocando um grande e importante sub-grupo de estados incomuns de consciência, para o qual a psiquiatria contemporânea não tem um termo específico. Cheguei à conclusão que, pelas suas características próprias, merecem serem diferenciadas do resto e colocadas numa categoria especial. Por essa razão, criei o nome holotrópico. Essa combinação literalmente significa “orientado para a totalidade / inteireza” ou “indo em direção à totalidade / inteireza” (do grego holos = totalidade / inteireza e trepein = indo em direção a algo). O sentido completo desse termo e a justificativa para tal uso ficarão claros em breve nesse artigo. O nome sugere que em nosso estado comum de consciência estamos fragmentados e identificados com uma pequena fração do que realmente somos.

Nos estados holotrópicos, a consciência se altera qualitativamente de uma maneira profunda e fundamental, mas não da mesma maneira que as psicoses orgânicas ou delírios triviais. Nosso campo de consciência pode ser invadido por conteúdos de outras dimensões da existência, que podem ser muito intensas e até mesmo avassaladores. Ao mesmo tempo não perdemos contato com a realidade diária. Estados holotrópicos se caracterizam por uma mudança específica na consciência associada à mudanças dramáticas em todas as áreas sensoriais, emoções intensas e incomuns, profundas alterações nos processos de pensamento. São também acompanhadas de uma variedade de manifestações psicossomáticas intensas, e formas incomuns de comportamento.

O conteúdo dos estados holotrópicos costuma ser espiritual ou místico. Podemos experienciar sequências de morte e renascimento e um variado espectro de fenômenos transpessoais, como sentimentos de união e identificação com outras pessoas, natureza, universo, e Deus. Podemos desvendar o que parecem ser memórias de outras encarnações, encontros poderosos com figuras arquetípicas, nos comunicarmos com seres desencarnados e visitar numerosas paisagens mitológicas. Nossa consciência pode se separar do nosso corpo e ainda assim reter sua capacidade de perceber o ambiente imediato e locações remotas.
A psiquiatria ocidental está ciente da existência dos estados holotrópicos mas, por causa do seu estreito quadro referencial limitado à biografia pós-natal e ao inconsciente individual freudiano, eles não têm explicações coerentes para eles. Eles vêm tais estados como patológicos produtos do cérebro, sintomas de doença mental severa, psicose. Essa conclusão não se sustenta em descobertas clínicas e é no mínimo, altamente problemática. Ao se referir a tais condições como “psicoses endógenas” pode parecer impressionante para alguém leigo, mas demonstra ignorância profissional no que diz respeito à etiologia de tais condições.

É difícil imaginar como um processo patológico afetando o cérebro poderia produzir um rico e intrincado processo de experiências holotrópicas, envolvendo fenômenos de sequência de morte e renascimento espiritual, encontros com seres arquetípicos, visitas a campos mitológicos, sequencias de vidas passadas de outras culturas, ou visões de discos voadores e sequestros (abduções) por alienígenas. Além disso, um estudo cuidadoso da natureza dessas experiêncis e as informações que elas trazem contradizem diretamente tal intepretação patológica. Uma das funções desse texto é explorar o estado ontológico das experiências holotrópicas e demonstrar que são fenômenos sui generis – manifestações normais da psique humana com um enorme potencial de heurístico e de cura.

Culturas antigas e aborígenes passaram muito tempo e usaram muita energia desenvolvendo técnicas poderosas de alteração da mente que induzem estados holotrópicos. Essas “tecnologias do sagrado” agregam de várias maneiras canto, respiração, tambores, dança rítmica, isolamento social e sensorial, dor física extrema, e outros elementos (Eliade 1964, Campbell 1984). Muitas culturas usaram plantas contendo alcalóides psicodélicos (Stafford 1977, Schultes e Hofman 1979).
ltes and Hofmann 1979).
Famosos exemplos dessas plantas são variedades de maconha, cogumelos “mágicos”, o cacto mexicano peyote, pós caribenhos e sul-ammericanos, planta africana eboga, e Banisteriopsis caapi da selva amazônica, fonte do yagé ou ayahuasca. Secreções da pele de alguns animais e a carne do peixe do pacífico Kyphosus fuscus.

Facilitadores adicionais de experiências holotrópicas são variadas formas de prática espiritual envolvendo exercícios de meditação, concentração, respiração e movimentos usados em diferentes sistemas de yoga, Vipassana ou Zen Budista, Vajrayana Tibetana, Taoismo, misticismo cristão, sufismo, ou cabala. Outras técnicas usadas em mistérios antigos de morte e renascimento, como iniciações do templo egípcio de Isis e Osiris e o Grego Bacchanalia, ritos de Attis e Adonis, e os mistérios Elêusios. As especificidades dos ritos secretos continuam desconhecidos, mas é possível que preparações psicodélicas tenham tido uma participação importante nesses ritos (Wasson, Hofmann, e Ruck 1978).

Meios modernos de indução de estados holotrópicos de consciência são os princípios ativos de plantas psicodélicas (mescalina, psilocibina, derivados da triptamina, harmalina, ibogaína, cannabinóis, e outros), substâncias sintéticas (LSD, anfetaminas e quetamina) (Shulgin e Shulgin 1991), e formas poderosas de psicoterapia, como hipnose, técnicas neo-reichianas, terapia primal e renascimento. Minha esposa Christina e eu desenvolvemos a respiração holotrópica, um método poderoso de facilitar estados holotrópicos de maneiras muito simples – respiração consciente, música evocatica e trabalho corporal focalizado (Grof 1988).

Existem meios eficientes de alteração de consciência em laboratório. Uma destas é isolamento sensorial, que envolve a redução de estímulos sensoriais básicos. Nessa forma de privação sensorial, ocorre a submersão do corpo em um tanque escuro onde o corpo flutua em água com temperatura corporal (Lilly 1977). Outra técnica conhecida de laboratório de alteração de consciência é o biofeedback, onde o indivíduo é guiado por sinais eletrônicos a estados incomuns de consciência, levando em conta certas frequencias de ondas cerebrais (Green e Green 1978). Podemos citar também as técnicas de sono e privação de sonhos e sonhos lúcidos (LaBerge 1985).

Vale apontar que estados holotrópicos de duração variada podem ocorrer também espontaneamente, sem uma causa aparente, e normalmente contra a vontade da pessoa envolvida. Como a psiquiatria moderna não diferencia os estados místicos e espirituais das doenças mentais, muitas pessoas nesses estados são muitas vezes consideradas psicóticas, são hospitalizadas e recebem tratamento com remédios supressores farmacológicos. Minha esposa e eu vemos esses estados como crises psicoespirituais ou “emegências espirituais”. Acreditamos que quando são adequadamente apoiadas e tratadas, podem resultar em cura emocional e psicossomática, transformação positiva da personalidade e evolução da consciência. (Grof e Grof 1989, 1990).

Culturas antigas e pré-industriais consideravam os estados holotrópicos como de alta importância, praticavam eles regularmente em contextos socialmente regrados, e dispendiam muito tempo e energia desenvolvendo técnicas seguras e eficazes de induzir tais estados. Foram os veículos principais das suas vidas rituais e espirituais, como uma comunicação direta com os domínios arquetípicos de deidades e demônios, forças da natureza, reino animal, e o cosmos. Outros usos envolviam diagnósticos e curas de doenças, desenvolvimento da intuição e percepção extra-sensorial, obtenção de inspiração artística, e com objetivos práticos, como encontrar objetos e pessoas perdidas. De acordo com o antropólogo Victor Turner, o compartilhar em grupo ajuda também na união da tribo e tende a criar um senso de profunda conexão (communitas).

A psiquiatria e psicologia ocidentais não enxergam os estados holotrópicos (exceto os sonhos que não são recorrentes ou assustadores) como potenciais fontes de valiosas informações sobre a psique humana e sobre cura, mas basicamente como fenômenos patológicos. Clínicos tradicionais usam indiscriminadamente nomes patológicos e medicação supressiva sempre que tais estados ocorrem espontaneamente. Michael Harner, antropólogo de boa base acadêmica, que passou por uma iniciação e prática xamânica durante o seu trabalho de campo na selva amazônica, sugere que a psiquiatria ocidental se divide em pelo menos dois significativos modos (Harner 1980).

É etnocêntrica, o que significa que se considera como a única correta e superior forma de ver a psique humana e a realidade, em comparação a todos os outros grupos. Dessa perspectiva, experiências e comportamentos de onde não existe explicação psicanalítica ou comportamentalista, são vistas como doença mental. De acordo com Harner, a psiquiatria ocidental também é “cognocêntrica” (uma palavra mais precisa seria “pragmacêntrica”), indicando que leva em consideração apenas experiências e observações dos estados comuns de consciência. O desinteresse da psiquiatria pelo estados holotrópicos resultou em uma visão de mundo insensível e com tendência a patologizar todas as atividades que não sejam compreendidas no estreito contexto do paradigma materialista monista. A vida ritual e espiritual das culturas antigas e pré-industriais e a história espiritual da humanidade inteira estão incluídas nessas atividades patologizadas.

Se estudarmos sistematicamente as experiências e resultados associados com os estados holotópicos, passamos a ter, inevitavelmente uma revisão radical de nossas idéias mais básicas sobre a consciência e a psique humana, assim como uma nova visão da psiquiatria, psicologia e psicoterapia. As mudanças que teremos de fazer em nossa maneira de pensar se abrem em grandes categorias:

1. Nova compreensão e cartografia da psique humana.
2. A natureza e arquitetura das desordens emocionais e psicossomáticas.
3. Mecanismos terapêuticos e o processo de cura.
4. Estratégias de psicoterapia e auto-exploração.
5. A natureza da realidade.