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Entendendo Psicopatologias Através de Estados Holotrópicos: Raízes Perinatais e Transpessoais Segundo Stanislav Grof

Se você está pesquisando sobre psicopatologias, estados holotrópicos de consciência ou as influências do trauma perinatal na saúde mental, este glossário baseado nas obras de Stanislav Grof pode ser um recurso valioso. 

Grof, pioneiro na psicologia transpessoal, identificou como experiências como meditação profunda, hipnose, terapia experiencial, substâncias psicodélicas, acidentes, perdas de entes queridos, crises existenciais e altos níveis de estresse podem ativar arquétipos e sistemas COEX (memórias condensadas) de origens biográficas, perinatais e transpessoais. Essas influências moldam e mantêm diversos transtornos mentais.


Neste artigo, exploramos um glossário de termos da psicologia transpessoal grofiana, organizado em ordem alfabética. Cada entrada explica o transtorno, seus sintomas e raízes profundas, com foco em matrizes perinatais básicas (MPB). Para mais detalhes sobre conceitos como MPB I, II, III e IV, consulte nosso Glossário de Transpessoal Grofiana Vamos otimizar sua compreensão sobre saúde mental, trauma de nascimento e terapia holotrópica.

Glossário de Psicopatologias com Raízes Perinatais (Ordem Alfabética)

Acrofobia (Fobia de Alturas)
A acrofobia, ou medo irracional de alturas, está ligada aos estágios finais do nascimento biológico, onde há sensação de queda e destruição iminente. Memórias de nascimentos traumáticos, como quedas ou impactos iniciais com a gravidade, intensificam esse medo. Não é apenas uma fobia: muitas vezes inclui compulsão para pular de lugares altos, como torres ou penhascos. Raízes perinatais: MPB III e IV, com elementos de perda de controle.


Agorafobia
Agorafobia é o medo de espaços abertos ou transições entre eles, gerando pânico e sensação de perda de controle. Raízes perinatais: Associada ao estágio final da MPB III (aprisionamento no canal de parto), com alternância entre tensão extrema e liberação repentina. Isso evoca memórias de descontrole durante o nascimento. Para tratamento, terapias experienciais como a respiração holotrópica podem ajudar a integrar essas memórias.


Alcoolismo e Outros Vícios
O alcoolismo e dependências semelhantes estão conectados a depressão e impulsos suicidas, refletindo um desejo inconsciente por estados de unidade indiferenciada, semelhantes à vida intrauterina pacífica. Grof observa em "Além do Cérebro" (p. 193-194) que vícios buscam erroneamente estados transcendentais, mas resultam em entorpecimento sensorial e emocional – ao contrário da clareza de experiências holotrópicas puras. Raízes perinatais: MPB I (vida intrauterina) e MPB III (luta no canal, especialmente com anestesia materna). Sessões psicodélicas supervisionadas revelam diferenças fundamentais entre intoxicação e transcendência.


Ansiedade Generalizada (TAG)
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) inclui preocupação excessiva, tensão, irritabilidade, insônia, tremores e sudorese, sem causa aparente. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB I, com útero perturbado por drogas ou estresse materno. Raízes biográficas: Falta de contato físico nutridor pós-natal. Busque diagnóstico médico se sintomas persistirem por seis meses..
 

Asma Psicogênica 
A asma psicogênica envolve agonia e sufocação, ligada ao processo de morte-renascimento no nascimento. É uma "conversão pré-genital" freudiana com traços obsessivo-compulsivos. Raízes perinatais: MPB III (controle e retenção). Eventos biográficos como acidentes respiratórios agravam sintomas. Terapias experienciais mostram conexões com bloqueios energéticos.

Autoestima Baixa ("Autoestima de Merda") e Compulsão por Lavar as Mãos
Associadas a transtornos obsessivo- -compulsivos (TOC), incluem nojo de si mesmo, auto-degradação e rituais de limpeza. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB III, com contato com materiais biológicos (fezes, urina) no canal de parto.


Bacilofobia ou Misofobia
Medo patológico de sujeira, odores corporais e contaminação. Raízes biográficas: Treinamento de esfíncteres. Raízes perinatais: Aspectos escatológicos da MPB III, com agressividade, excitação sexual e material biológico.


Bipolaridade (Ver Episódios Maníacos)
Consulte a entrada sobre "Episódios Maníacos" para detalhes sobre alternância euforia-depressão.


Cancerofobia
Medo de câncer, semelhante à gravidez: células cancerígenas lembram embrionárias. Raízes perinatais: Paralelos com estágios iniciais da gestação.


Claustrofobia
Medo de espaços fechados ou apertados. Raízes perinatais: Início da MPB II (situação sem-saída após rompimento da bolsa), evocando morte iminente.


Depressão
Sintomas incluem sensação de restrição, negativismo, bloqueios no peito e angústia. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB II (feto entalado após rompimento da bolsa).


Dermatite Alérgica (Alergias de Pele)
Hipersensibilidade ao contato, indicando barreiras contra o mundo externo. Raízes biográficas: Falta de contato materno ou hiperproteção. Raízes perinatais: Insegurança e perdas com limites indefinidos.


Dores de Cabeça de Enxaqueca
Envolvem pressão craniana, náusea e busca por ambientes "uterinos" (escuros, silenciosos). Raízes perinatais: Agonia no nascimento. Terapias experienciais intensificam a dor para liberação extática.


Episódios Maníacos (Euforia)
Alternam com depressão em transtornos bipolares. Raízes perinatais: Transição incompleta MPB III para IV, com euforia como disfarce de morte do ego falso. MPB IV completa traz equanimidade e reconexão.


Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Após catástrofes ou ameaças à vida, com sintomas físicos sem dano orgânico. Raízes perinatais: Ativação da MPB III, anulando defesas psicológicas.


Fobia de Animais Grandes
Medo de ser engolido, ligado a MPB II. Aracnofobia similar, com aranhas representando o feminino devorador.


Fobia de Cobras (Ofidiofobia)
Ameaça de esmagamento e morte, semelhante ao nascimento. Jibóias intensificam por analogia à gravidez.


Fobia de Gravidez, Parto ou Maternidade
Dificuldade em aceitar feminilidade ou maternidade devido a memórias de agonia no nascimento. Raízes perinatais: MPB II, com antagonismo mãe-feto.

Fobia de Viajar de Avião ou Enjôo Marítimo
Necessidade de controle, ligada a MPB III e memórias não-integradas do nascimento.
Fobia de Viajar de Trem ou Metrô
Sensação de aprisionamento e energia descontrolada, com túneis evocando MPB II e III.


Hipertensão Arterial
"Panela de pressão" emocional. Raízes biográficas: Infância repressiva.

Impotência Sexual e Frigidez Psicossomática
Energia sexual perinatal "colorida" por sadomasoquismo e medo. Raízes perinatais: MPB III.

Medo Patológico da Água
Raízes perinatais. Ligações com líquido amniótico ou traumas como inalação durante nascimento. 

Medo Patológico do Fogo


Transição MPB III-IV, com fogo como purificador na morte do ego.

Medo Patológico de Tempestades
Simboliza contato com energia divina na morte-renascimento (MPB III-IV).

Neurastenia
Exaustão por estresse prolongado, com sintomas como tensão e impotência. Raízes perinatais: MPB III pura.

Nosofobia
Medo de doenças, ligado a memórias de traumas fisiológicos e nascimento.

Obesidade
Gordura como barreira contra mundo hostil. Raízes perinatais: MPB II, com desejo de desaparecer.

Tanatofobia
Medo da morte com ansiedade vital. Raízes perinatais: Ameaças à respiração no nascimento.
Artigos relacionados:
Dominio perinatal do insconsciente.Uma interpretação perinatal de experiências de quase morte.Cartografia ampliada da psique humana.

Talassofobia 
Medo patológico do fundo do mar,  é o medo intenso, persistente e irracional de grandes massas de água, águas profundas, escuras ou do que habita o desconhecido oceânico. 
Raízes perinatais ligadas a Matriz Perinatal 2, ligadas ao engolfamento cósmico e sensação de insignificância frente ao cosmo infinito e desconhecido. 



Para otimizar sua saúde mental e explorar terapia transpessoal, consulte um psicólogo especializado em Grof. 

Compartilhe este glossário se ajudou! Palavras-chave: psicologia transpessoal, Stanislav Grof, trauma perinatal, estados holotrópicos, MPB.

Matriz Perinatal Básica II - Antagonismo com a mãe

(Contrações em um sistema uterino fechado)

"Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação."
Quando a regressão experiencial alcança a memória do contexto do parto biológico, costumamos nos sentir sendo sugados por um redemoinho gigante, ou engolidos por uma besta mítológica. Também podemos experienciar que o mundo inteiro ou mesmo o cosmos está sendo engolido. Isto está associado com imagem de devoramento ou prisão de monstros arquetípicos, como os leviatãs, dragões, cobras gigantes, tarantulas e polvos. A sensação de ameaça vital iminente pode provocar grande ansiedade e sintomas paranóides. Também podemos sentir uma descida ao mundos subterrâneos, o reino da morte, ou inferno. Como o mitologista Joseph Campbell tão brilhantemente descreveu, isto é um aspecto universal da jornada do herói. (Campbell 1968).



Reviver totalmente o primeiro estágio do parto biológico quando o útero está contraído, mas a cérvice não está aberta (MPB 2), é uma das piores experiências que o ser humano pode ter. Nos sentimos presos em um pesadelo claustrofóbico gigantesco, sofremos dores físicas e emocionais agonizantes, e temos a sensação de total desamparo e falta de esperança. Sentimentos de solidão, culpa, absurdo da vida, e desespero existencial podem alcançar níveis metafísicos. Perdemos a conexão com o tempo linear e nos convencemos que esta situação nunca terminará, e que realmente não existe nenhuma saída. Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação. Pode ser acompanhado de imagens arquetípicas de demônios e paisagens infernais de diferentes culturas.


Quando encaramos a desastrosa situação de não-saída no aperto das contrações uterinas, nos conectamos com sequências do inconsciente coletivo que envolvem pessoas, animais e mesmo seres mitológicos em semelhante situação sem saída. Nos identificamos com prisioneiros em celas, em campos de concentração ou internos em asilos de loucos, e com animais presos em armadilhas. Experienciamos as intoleráveis torturas dos mentirosos no inferno ou de Sísifo rolando sua pedra abaixo da montanha de Hades.

"De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual."
A nossa dor pode tornar-se a agonia de Cristo perguntando a Deus porquê Ele o abandonou. Sentimos estar frente à danação eterna. Tal estado de escuridão e desespero abismal é conhecido da literatura espiritual como a "Noite Negra da Alma". De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual. Se for experienciado em toda a sua profundidade, pode ter um efeito liberador e transformador naquele que o experiencia.




... de "Trauma do Nascimento e Suas Relações com Doenças Mentais, Suicídio e Êxtase ("Birth Trauma and Its Relation to Mental Illsness, Suicide and Ecstasy")

A Fenomenologia da MPB 2 em sessões de LSD, assim como a sintomatologia clinica em períodos após as sessões dominadas por esta matriz, mostram as características fundamentais da depressão: inibição motora geral, dor mental agonizante e sofrimento, ansiedade, sentimentos arrebatadores de culpa e inadequação, total falta de interesse, percepção seletivvamente negativa do mundo e da vida do sujeito, percepção em preto-e-branco do mundo, sem cores, e sentimentos de situação de vida inescapável e insuportável, com nenhuma esperança de solução.



As manifestações físicas da depressão também estão de acordo com este conceito: sentimentos de opressão e constrição, perda do apetite e rejeição à comida, retenção da urina e fezes, inibição da libido, dores de cabeça, desconforto cardíaco, dificuldade de respirar a várias reclamações interpretadas ocasionalmente como hipocondria. A ideação suicida de tal condição é uma forma de um desejo de não existir, de cair num sono profundo, esquecer-se de tudo, e não acordar no dia seguinte.


Os sistemas COEX relacionados com a MPB 2, fazendo sua conexão com o ego, estão de acordo com o modelo freudiano de situações de frustração oral na infância, privação emocional na infância e adolescência, a vários eventos traumáticos onde o sujeito esteve no papel de vítima passiva.


Situações familiares opressivas para o indivíduo, onde não permitem nenhuma rebelião também fazem parte desta categoria. Uma parte bem comum dessas COEX são experiências envolvendo ameaças à sobrevivência e à integridade física. Parece que os aspectos psicotraumaticos de doenças graves, machucados, operações e episódios de quase afogamento foram grosseiramente subestimados na dinâmica psiquiátrica de possíveis fatores patogênicos da depressão.

Respiração Consciente: Uma Jornada para Libertar Corpo e Mente

A vida moderna nos desafia diariamente: estresse, ansiedade e a desconexão consigo mesmo tornaram-se companheiros silenciosos. E se existisse uma chave para desbloquear emoções reprimidas, ressignificar traumas e realinhar seu propósito? A Terapia pela Respiração Consciente surge não como uma técnica, mas como uma revolução interior, moldada por três décadas de transformações reais em milhares de vidas.  


A Respiração que Transcende o Óbvio  

Mais do que um ato involuntário, a respiração é um portal para o autoconhecimento. Enquanto a sociedade busca soluções rápidas em pílulas ou apps, nós mergulhamos na raiz: o poder do ar que entra e sai de seus pulmões.  


Na agitação, respiramos rápido e superficial, como em crises de pânico.  

Na apatia, a respiração torna-se lenta e contida, como na depressão.  


Aqui, propomos o oposto: usar a hiperventilação guiada para romper padrões. Ao acelerar conscientemente a respiração, você desativa o piloto automático emocional. É como pressionar um botão de reset no sistema nervoso, permitindo que o corpo libere toxinas emocionais acumuladas há anos.  


Esta terapia não se limita ao físico — ela desperta camadas profundas da sua existência.


1 O Encontro com Sua Essência  

   Quem você é além dos rótulos sociais? A respiração plena revela impulsos genuínos, motivações adormecidas e a voz interior que sussurra: Este é o seu caminho.  


2 A Dança com o Mundo  

   Relacionamentos, cultura, crenças… Tudo isso molda sua percepção, mas também pode aprisionar. Aqui, você reescreve narrativas limitantes, aprendendo a interagir com o externo sem perder sua autenticidade.  


3 A Sintonia com o Invisível 

   Espiritualidade não é dogma; é a consciência de que você faz parte de algo maior. É entender que cada respiro é um diálogo com o universo, um passo na jornada de sua alma.  


O Processo: Do Caos à Clareza  

Realizada em grupos íntimos (até 8 pessoas), a terapia é um mergulho de dois dias, dividido em três atos transformadores:  


1 A Torrente (Hiperventilação)  

Em um ambiente seguro, você entra em estado de fluxo através de respiração rápida e profunda. É um convite para soltar o controle, permitindo que emoções estagnadas subam à superfície e se dissolvam.  


2 O Oásis (Integração)

Após a tempestade, vem a calmaria. Um momento para compartilhar refeições e histórias, onde o grupo se torna espelho — cada relato reflete fragmentos da sua própria jornada.  


3 A Revelação (Compartilhamento Sagrado)  

Aqui, o cognitivo e o emocional se unem. Ao verbalizar experiências, você decifra símbolos internos, identifica padrões e, o mais importante, escolhe quais histórias merecem continuar. O grupo valida, apoia e amplifica sua voz, criando um laço de pertencimento raro em um mundo individualista.  


Por Que Isso Funciona?  

Liberação Fisiológica: A hiperventilação estimula a produção de endorfinas, reduzindo cortisol e reequilibrando o sistema nervoso.  


Cura Coletiva: Compartilhar vulnerabilidades em grupo quebra ilusões de solidão, você percebe que não está sozinho em suas lutas.  


Reescrita Neural: Padrões mentais tóxicos são substituídos por novos scripts, escritos por você, durante estados elevados de consciência.  


Seu Convite para Renascer  

Imagine sair desses dois dias não apenas mais leve, mas com ferramentas concretas para: 

 

- Dissolver ansiedade crônica e fadiga mental.  

- Ativar a resiliência emocional em situações desafiadoras.  

- Redescobrir paixões e motivações que jaziam esquecidas.  


Próxima Edição: Sábado 26/4, das 14h às 18h e Domingo 27/4, das 8h30 às 12h30.  

Vagas limitadas a 4 participantes — garantindo profundidade e atenção individual.  


Faça parte desta revolução silenciosa. 

Respire. Liberte-se. Transforme. 


Informações e Inscrições: 

Antonio Vaszken 

11 99285-4329 Whatsapp 



Nota: Este não é um tratamento médico, mas um complemento terapêutico. Consulte um profissional de saúde para condições específicas.

Dominio Perinatal do Inconsciente

Perinatal

Introdução: O Que é o Perinatal?

O termo "perinatal" combina o prefixo "peri" (ao redor) e "natal" (nascimento), referindo-se ao período que vai desde a vida intrauterina até o momento do parto. 

Esse domínio do inconsciente funciona como uma ponte entre o inconsciente individual e o transpessoal, revelando emoções, arquétipos e experiências que transcendem a história pessoal, conectando-nos à humanidade e à natureza como um todo.  

Aqui, não se trata apenas de uma regressão ao estado fetal, mas de uma revivência profunda que pode desbloquear traumas, liberar energia estagnada e transformar nossa percepção de mundo. 

Estados ampliados de consciência, como os vividos em experiências holotrópicas, permitem acessar essas memórias, promovendo cura e integração.  

Primeira Matriz Perinatal Básica (MPB-I) - O Universo Amniótico

O feto encontra-se em perfeita simbiose com a mãe. A vida no útero materno é imperturbada, as condições do feto são próximas do ideal. 

Os elementos do estado intra-uterino imperturbado podem ser acompanhados por experiências que compartilham a falta de limites e de obstruções. 

Pode sentir-se no meio do oceano, se identificar com algumas espécies aquáticas, ou com o cosmos, espaço, a galáxia, ou ainda numa nave em órbita. Imagens da natureza no seu melhor aspecto, bonita, segura e incondicionalmente alimentadora (Mãe Natureza). Visões do paraíso.

Caso a gravidez tenha sido de alguma maneira perturbada por doenças maternas, fumo, bebidas, drogas, desequíbrios químicos dentro do útero, a vivência não será tão positiva e alimentadora. Perigos submarinos, poluição de rios, mares ou oceanos, natureza contaminada e inóspita. Identificação com pessoas ou animais envenenados, em câmaras de gás em campos de concentração. Forças metafísicas malignas, influências astrais maléficas. Terror e paranóia.

O principal elemento dessa matriz é a falta de limites, uma vez que não existe diferenciação entre o feto e a mãe. 

Assim, qualquer coisa boa ou ruim será vivenciada como algo amplo, indiferenciado. A paranóia também diz respeito à falta de limites e indiferenciação entre sujeito e objeto.

Quadro I - (do livro "Além do Cérebro", de S. Grof)

Síndromes psicopatológicas: Psicoses esquizofrênicas (sintomatologia paranóide, sentimentos de união mística, encontros com forças maléficas metafísicas); hipocondrialgia (baseada em sensações físicas estranhas e bizarras); alucinações histéricas e devaneios confusos com a realidade.

Atividades correspondentes nas zonas erógenas freudianas:Satisfação libidinal em todas as zonas erógenas; sensações libidinais durante o banho ou balanço; aproximação parcial a esta condição após satisfação oral, anal, uretral ou genital após o parto.

Memórias associadas da vida pós natal:  Situações na vida nas quais todas as necessidades importantes são satisfeitas como: momentos felizes da infância (bons cuidados maternos, brincar com outras crianças, períodos harmoniosos na família,etc.); realização no amor, romances, férias ou viagens para lugares de beleza natural; contato com criações artísticas de alto-nível, natação no oceano ou em lagos límpidos etc.

Fenomenologia da Primeira Matriz: Vida intra-uterina tranquila: lembranças realísticas de experiências do "útero agradável";tipo de êxtase "oceânico", natureza sob seu melhor aspecto (Mãe Natureza);experiências de unidade cósmica;visões de Céu e Paraíso.

Distúrbios da vida intra-uterina: lembranças realísticas do "útero desagradável" (crises fetais, doenças, revolta materna, situação do gêmeo, tentativas de aborto); ameaça universal; idealização paranóide, desagradáveis sensações físicas ("porre", arrepios e espasmos, gostos desagradáveis, desgosto, sensação de evenenamento); encontro com entidades demoníacas e outras formas metafísicas e maléficas.


Segunda Matriz Perinatal Básica (MPB II) - Antagonismo com a mãe



Contrações em um sistema uterino fechado. O inferno sem saída. Neste estágio do parto, a cérvice (o canal vaginal) ainda não está aberta, e o bebê não pode sair, enquanto enormes pressões atuam sobre ele. 

O conforto do estágio anterior não existe mais, a temperatura costuma estar mais fria, a pressão sobre o corpo do bebê pode estar atrapalhando a circulação e o fornecimento de sangue e de calor para ele. 

É uma das piores situações que se pode reviver. Paradoxalmente, a única saída é aceitar completamente e render-se à situação sem saída.
Os sentimentos relacionados são: ausência de saída, ausência de sentido da vida, estar em uma situação sem solução possível, tais como prisioneiros em campos de concentração, internos em hospícios, enterrados vivos, isolamento, solidão existencial, medo, vitimização completa, medo de enlouquecer ou de nunca mais voltar. 

O mito de Sísifo, condenado a levar uma pedra que cairá indefinidamente depois que ele conseguir colocá-la no topo da montanha. 

Identificar-se com Cristo preso à cruz perguntando por que Deus o abandonou. Danação eterna.
Quando se está sobre influência dessa matriz perinatal, a pessoa está seletivamente cega aos aspectos positivos da vida, e tudo lhe parece sem sentido, a vida parece um teatro encenado por atores que não agem com sinceridade. 

A inevitabilidade da morte se revela presente em todos os momentos, tornando a vida sem sentido. Se vivenciado em toda a sua profundidade, pode ser extremamente libertador e promover uma importante abertura espiritual.

Terceira Matriz Perinatal Básica (MPB III)
Luta de morte-renascimento

Inferno com saída. Nesse estágio do parto ainda existem pressões sobre o bebê, porém o canal de parto encontra-se com alguma abertura. Costumamos dizer "Uma luz no fim do túnel." 

O papel de vítima não é o único presente, mas também o de agressor, assim como o de um terceiro observador que se identifica com os dois outros papéis. Os três papéis são vividos ao mesmo tempo. 

O bebê não é uma mera vítima, presa em um ambiente sem saída como antes, mas agora também se esforça para sobreviver e sair do canal de parto. 

Envolve pressões mecânicas esmagadorasm dores e muitas vezes um alto grau de anoxia e asfixia. Intensa ansiedade é um elemento concomitante natural de tal situação.

Pode haver interrupção da circulação sanguínea em função das contrações uterinas e da compressão das artérias uterinas. 

Pode haver enrolamento do cordão embilical em torno do pescoço ou o cordão pode estar esmagado. A placenta pode se soltar e bloquear a passagem (placenta prévia). Em alguns casos o feto pode inalar vários tipos de materiais biológicos. 

Pode haver a necessidade de intervenção mecânica, como o uso de fórceps ou mesmo cesariana. 

Sentimentos de separação tipo "eu e os outros". Elementos sadomasoquistas (inflingir e receber sofrimento) , escatológicos (tanto fezes e excrementos quanto imagens do fim-do-mundo), comportamento sexual anormal, depressão agitada, desvios sexuais (sadomasoquismo, beber urina e comer fezes). Fogo purificador e consumidor dos aspectos negativos da psique.

Aspecto titânico - face à enormidade de forças mecânicas envolvidas no estágio final do nascimento. É comum experimentarmos correntes de energia, de intensidade avassaladora, precorrendo todo o corpo. Podemos nos identificar com forças da natureza: vulcões, tempestades elétricas, terremotos, ondas gigantes e furacões. Ou também vivenciarmos elementos da tecnologia que envolvam muita energia, tais como tanques, foguetes, bombas atômicas e reatores termonucleares. Batalhas de proporções gigantescas e arquetípicas, entre o Bem e o Mal, Luz e Trevas, anjos e demônios, deuses e os Titâs.

Aspecto agressivo e sadomasoquista - Reflexos da fúria biológica do organismo cuja sobrevivência é ameaçada pela asfixia e pelas contrações uterinas podem ser: crueldades avassaladoras, assassinatos e suicídios violentos (morrer debaixo das rodas de veículos ou com armas de fogo), mutilações e auto-mutilações, massacres variados, tortura, execução, sacrifício, rituais, auto-sacrifício, combates sangrentos homem-a-homem, e prática sadomasoquista. Excitação sexual e extase sexual, em função de um mecanismo fisiológico que converte sofrimento biológico em prazer e excitação. Experiências sexuais no contexto dessa Matriz caracterizam-se por uma enorme intensidade do impulso sexual, qualidade mecânica não seletiva, natureza exploradora, pornográfica e desviada. Cenas de bordéis, submundo sexual, práticas sexuais extravagantes, sequências sadomasoquistas, incesto, abuso sexual ou estupro. Algumas poucas vezes podem aparecer crimes sexuais, como desmembramento, canibalismo e necrofilia. Esse nível da psique é uma base natural para disfunções, variações, desvios e perversões sexuais, em função da combinação de excitação sexual exacerbada conectada e elementos problemáticos, de ameaça à vida, perigo extremo, ansiedade, agressividade, impulsos auto-destrutivos, dor fisica e materiais biológicos.

Aspecto demoníaco - Quando aparece esse aspecto, costuma ser encarado com relutância tanto pelos terapeutas quanto por quem o experimenta. Temas comuns são Sabá das Feiticeiras, orgias satânicas, rituais de Missa Negra, e a tentação por forças malévolas. O encontro com o lado obscuro da nossa personalidade, a Sombra, pode ser encarada como demoníaco ou malévolo. Quando se consegue integrar adequadamente esse aspecto sombrio, o resultado costuma ser muito bom, mas pode ser difícil de se alcançar, dependendo da formação e das crenças de quem encara tais aspectos.

Aspecto escatológico - Tem sua base biológica porque durante o parto o bebê pode entrar em contato com sangue, secreções vaginais, urina e até fezes. Porém a experiência costuma exceder em muito o que o feto realmente experienciou durante o nascimento. Cenas de arrastar-se no lixo, em esgotos, chafurdar em pilhas de escremento, beber sangue ou urina, imagens repulsivas de putrefação. Escatologia também se refere ao fim de alguma coisa. Próximo do término, a experiência fica menos violenta e perturbadora. Imagens de conquistas de novos territórios, caças de animais selvagens, esportes perigosos e aventuras em parques de diversão, ondas de adrenalina, corridas de carro, saltos de pára-quedas ou com elástico, performances perigosas de circo ou mergulhos acrobáticos.

Encontro com o fogo - Logo antes do renascimento espiritual podemos encontrar o elemento fogo, tanto em suua forma comum diária, como em forma arquetípica do fogo do purgatório. Sensações que estamos com o corpo pegando fogo, visões de cidades e florestas em chamas, identificação com vítimas de imolação. O fogo parece queimar tudo o que há de impuro e corrompido em nós, e preparar-nos para o renascimento espiritual. Símbolo clássico é a Fênix, pássaro lendário que morre no fogo e renasce das cinzas.


Desordens emocionais e psicossomáticas relacionadas:

Agorafobia - medo de lugares abertos ou da transição de um para o outro. No nível perinatal está relacionada ao final da Matriz III, quando a liberação repentina, após muitas horas de confinamento extremo, é acompanhada do medo de perder todas as fronteiras, de explodir e de deixar de existir.

Bacilofobia e misofobia - medo patológico de materiais biológicos, odores corporais e sujeira. Medo não apenas de ser contaminado, mas de contaminar os outros também, e isso está estritamente relacionado com a agressividade orientada tanto para dentro quanto para fora, o que é exatamente a situação característica dos últimos estágios do nascimento. Os determinantes biográficos costumam envolver memórias da época do treinamento dos esfíncteres, mas suas raízes vão mais fundo e alcançam os aspectos escatológicos da Matriz III, na conexão que existe entre morte, agressividade, excitação sexual e material biológico.
Medo de viajar de trem ou metrô, medo de avião ou de viajar de carro - A falta de controle parece ser um elemento de grande importância nas fobias que envolvem movimento. A excessiva necessidade de estarem no controle da situação é típica dos indivíduos que estão sob forte influência da Matriz III e sistemas COEX relacionados, enquanto a capacidade de se render ao fluxo dos eventos demonstra forte conexão com as Matrizes I e IV.

A sensação de estar preso e a experiência de forças e energias enormes em movimento, sem ter qualquer controle sobre o processo, são elementos em comum dessas fobias, e tais elementos tem fortes conexões com o nascimento. Passar em túneis e passagens subterrêneas também apresentam similaridades com o processo de nascimento experimentado durante a Matriz III. Para que tais situações desencadeiem a fobia, as memórias perinatais têm de estar facilmente disponíveis à consciência.
Acrofobia ou medo de alturas, quereunofobia ou medo patológico de tempestades, pirofobia ou medo do fogo.

Histeria de conversão - transformação simbólica de conflitos inconscientes e de impulsos instintivos em sintomas físicos.

Neurose Obsessivo-Compulsiva

Depressão Agitada

Quarta Matriz Perinatal Básica 
(MPB IV)
Experiência de morte-renascimento
Essa última matriz está relacionada com os momentos que se sucedem à saída do canal de parto, e aos cuidados imediatamente recebidos pela mãe, por médicos e enfermeiras. Como em todas as matrizes, como existem fortes sentimentos envolvidos, sempre podemos experienciar arquétipos e experiências coletivas concomitantes ao nascimento biológico.

Se o parto real foi sem problemas, sem muita anestesia e os cuidados foram os ideais, então as memórias e experiências arquetípicas associadas são as melhores possíveis: bem-aventurança, sentir-se vitorioso e merecedor da vida, sentir-se amado e querido, sentir-se amado incondicionalmente, sentir-se livre após um grande esforço, sensação de ter deixado tudo o que passou para trás e novo em folha.

Muitas vezes o parto é feito com uma dose alta de anestesia, ou então, o parto é controlado a tal ponto de postergar ao máximo a saída do bebê até que o médico possa realizar o trabalho, ou ainda o parto é programado e a cesárea é o tipo de parto que se realiza. Muitas variáveis podem interferir. Pode ser necessário o uso de fórceps, o cordão pode estar enrolado no pescoço, a criança pode ter nascido quase-morta, sem conseguir respirar, ou na melhor das hipóteses, muito dopada pela anestesia e desorientada.

Caso tenham existido essas inteferências, a experiência de reviver o próprio nascimento e o contato com os aspectos arquetípicos também são diferentes.

Sabe-se que o parto com cesárea programada costuma facilitar que as crianças tenham um acesso mais imediato à espiritualidade, podendo esta ser tanto manifestada com religião ou espiritualidade sem dogmas. A explicação para isso se deve ao fato de o bebê não entrar em contato com as Matrizes II e III, ou pular apenas a Matriz III e encontrar os aspectos da Matriz IV.

No caso da cesárea de emergência, quando o bebê necessita de ajuda para nascer por alguma complicação física durante o parto, isso pode implicar num parto menos ativo da parte dele, e como consequência, não passar pela Matriz III, que refere-se ao momento de confronto, luta pela sobrevivência e uso da força física.
A tendência de nascidos com parto de emergência, pode ser uma atitude mais passiva frente a dificuldades, e a esperança de uma ajuda superior ou divina, como resultado de um registro biológico de ajuda externa por parte da equipe médica que realizou o parto. 

Video Cassetadas e Comportamentos Repetitivos




Você já parou para ver as "video-cassetadas"? Todo mundo conhece, são vídeos feitos em casa, que incluem momentos constrangedores, na maioria das vezes quedas, escorregões, tombos, entre outras coisas. Hoje em dia, isso passa em vários lugares, não só na televisão aberta, mas nos canais por assinatura e também na internet.

É curioso perceber nossas reações, são as mais variadas possíveis, quando as vemos: Algumas pessoas se deliciam, e riem muito; outras vêem como humilhação; uns aguardam pela próxima cena ansiosos, enfim, cada pessoa reage de maneiras específicas e particulares a esses programas.

No caso das cenas que privilegiem a humilhação, quedas, machucados, e até mesmo violência, e sexualidade, é possível estabelecer uma relação entre o interesse e o prazer de assistir a tais cenas, com o dominio perinatal da teoria Transpessoal.

Antes de entrar nesse assunto, gostaria de mencionar outro elemento importante, que nem sempre é considerado: o fato de saber que se está sendo filmado é capaz de alterar o comportamento dos protagonistas da cena? E também; por quê alguém escolhe não apenas filmar, mas também divulgar, enviar para a televisão ou para a internet as cenas de "video-cassetadas"? O que esses dois comportamentos têm em comum - a exibição de um ato para uma platéia, a dinâmica inseparável do "observado-observador", que também faz parte do domínio perinatal do inconsciente.

O que quero dizer é que assistir, produzir e divulgar essa categoria de videos não se origina apenas das motivações sociais e egocêntricas do campo contingencial, e do ambiente imediatamente observável. Nós não somos uma "tabula rasa" que é totalmente preenchida com os valores parentais e ambientais. Ao nascermos, já temos registros próprios da espécie, da cultura humana e da familia, que exercem influência sobre nosso comportamento e o modo como enxergamos e sentimos o mundo.

Existem aspectos mais fortes e presentes, que são de certa forma, alimentados por conteúdos inconscientes (de natureza perinatal, relativas aos aspectos biológicos e simbólicos do nascimento humano).

Justamente porque esses aspectos nunca encontram uma via autêntica de liberação e vasão, apenas situações incompletas na aparência e nos objetivos, esse tipo de comportamento necessita ser repetido exaustivamente,  pois de alguma forma, a concretização desse sentido não pode ser realizada no cotidiano.


Ainda que alguns desses objetivos sejam benéficos, caso sejam a diversão, expressão pessoal, sentir-se observado e admirado, identificação com outros semelhante, entre outros, eles dificilmente chegam perto da intensidade e da realização plena dos aspectos que os motivam, ou seja, a morte e o renascimento psicoespiritual.

Por isso que muitas pessoas sentem um imenso vazio em suas vidas, muito embora elas possuam tudo que lhes traga felicidade - elas estão realizando apenas uma parte das suas motivações: são reconhecidas socialmente, trabalham honestamente, ganham o quanto podem sem passar necessidade, são ótimos amantes, excelentes profissionais e filhos exemplares.

Quem sabe, elas nunca viveram realmente uma morte psicoespiritual, que é morrer sem a morte física, mas o vazio que elas sentem traz justamente essa sensação de morte, que lhes é necessário para dar u sentido que falta à sua existência. Quando sentem esse vazio, seguem o "script" aprendido de preenchê-lo com o mundo externo: compras, adrenalina, vícios, tudo que lhes distraia e alivie a sensação de vazio. Paradoxalmente, tudo isso acaba trazendo a sensação de morte e vazio, pois no final o saldo continua negativo...

Isso vale para as video-cassetadas, e também para vários comportamentos repetitivos e aparentemente sem sentido, mas que nos dão muito prazer e felicidade na hora, mas no final parecem que não valeram e precisamos repetir.

O domínio perinatal do inconsciente consiste de padrões experienciais, ou matrizes. São assim chamadas "matrizes" com toda a razão, pois são as "fôrmas primordiais" de muitos comportamentos, valores, sentimentos e sensações físicas que vivemos no cotidiano. Foram descobertos a partir de pesquisas controladas de experiências de estados ampliados de consciência.

Tais estados costumam ser alcançados através de meditação, relaxamento profundo, uso de substâncias alucinógenas, rituais indígenas e xamânicos, jejuns prolongados, privação de sono, e até em crises espontâneas. Praticamente todas as filosofias orientais e milenares descrevem algum ou muitos desses padrões experienciais, que fazem parte do registro amplo da humanidade, e portanto, são acessíveis a todas as pessoas de todas as épocas e culturas.

Esse registro amplo foi chamado de "Inconsciente" por Sigmund Freud, e posteriormente, outro psiquiatra chamado Carl Jung chamou-o de "Inconsciente coletivo", por perceber que ele contém todos os padrões experienciais de toda a humanidade, não apenas o registro da vida biográfica individual, como Freud descobrira.

Recentemente, ou seja, em meados dos anos 1960, Stanislav Grof ,outro genial psiquiatra, descobriu que todas as pessoas sujeitas de laboratório para pesquisas psicodélicas, tiveram experiências de regressão ao útero materno e de renascimento psicoespiritual. Após centenas de relatos de casos, constatou que, além de sua compreensão psicanalítica freudiana ser limitada para explicar todas essas experiências embrionárias e relativas ao renascimento psicoespiritual, essas experiências provocavam profundas mudanças na visão de mundo daqueles sujeitos.

Tais mudanças incluiam: resignificação de traumas de tenra infância, de abusos sexuais, de comportamentos suicidas e auto-destrutivos, mudanças de estratégias de vida para uma vida mais simples e menos baseada em medos irracionais, entre outras. Em resumo, muitos casos clínicos considerados com poucas chances de melhora, pois já haviam sido atendido durante longos anos apenas com psicoterapia verbal ou psicanalítica, abordagem muito válida até hoje.

Depois dessa breve história realmente invejável para qualquer interessado no comportamento humano, Stanislav Grof deu continuidade às pesquisas e acabou estabelecendo pontes com outras abordagens que também compartilham de uma visão tanto humanista (que colocam o ser humano no centro do interesse da sobrevivência planetária) quanto multi-dimensional e consciencial (filosofias orientais e conhecimentos da chamada Filosofia Perene). O resultado é constatado e válido até hoje, em sessões de respiração e renascimento, e de terapia vivencial que utilizam abordagem corporal, psicodrama e psicossintese.

A Matriz Perinatal 3, como padrão, relativa a esse tópico de repetição, vazio existencial e video-cassetadas possui os seguintes parâmetros: 


- Identificação com três personagens ao mesmo tempo: agressor, vítima e um terceiro observador


- Sensação de estar numa situação de luta, com a possibilidade de término e vitória


- Aspecto titânico: imensa carga de energia física, voltada para a sobrevivência do feto dentro do canal de parto - resulta em agitação, ansiedade e incapacidade de estar no presente, no mundo cotidiano.


- Dinâmica de antagonismo com a mãe / mundo / outros - sensação de uma "incurável" separação com relação ao mundo, necessidade de estar sempre lutando com adversários na cotidiano


- Elementos sexuais distorcidos, sadomasoquismo, submissão, estupro, contato com elementos biológicos, tais como sangue, urina, fezes, placenta - resulta em dificuldade de estabelecer vínculos amorosos, apenas relações baseadas no prazer imediato e sexual.


- Sensação de que "aqui" não está bom, mas com sacrifício se chegará ao paraíso,que está lá na frente, ou no futuro. Próximo do final, transição para a próxima matriz. - resulta em estratégias perdedoras, baseadas em evitar constantemente a morte do ego, em se estar sempre no controle e em sacrificar o presente para alcançar um objetivo que nunca realmente se concretizará.


Obviamente, nem todos os vídeos tratam de humilhação, agressão ou satirização. São acontecimentos trágicos e inusitados que se manifestam, e ficam em evidência. A questão não é meramente o conteúdo dos vídeos, mas sim o que se faz com eles. Como são exibidos, como aparecem de maneira muitas vezes repetitiva, sem a menor utilidade além de manter espectadores ligados no mundo externo. Qual a atitude de quem exibe e de quem assiste? Qual a filosofia de vida revelada na exposição e na espiação coletiva?

Otto Rank

Citações de Otto Rank

http://www.ottorank.com/home/quotes-by-rank

 

- Diario - Dezembro 1904

"A correta didática da análise é aquela que não difere em nada do tratamento curador. Como, realmente, poderá o futuro analista aprender a técnica se ele não a experimenta exatamente como deve aplicá-la depois?"
Cena da série "Em Terapia" (In Treatment) pela HBO - todos os direitos reservados
- Extraído de uma carta a Jessie Taft, citada em "Denial of Death (A Negação da Morte)", de Ernest Becker
Projeção e Identificação

"Quanto mais rica - ela é, mais variada e completa - a vida emocional de um indivíduo, menos ele tende à projeção, e mais inclinado ele será à identificação. Sua válvula de escape e satisfação vem da identificação de si mesmo com as emoções do outro. Por outro lado, quanto mais estreita e restrita é a vida de um indivíduo, mais intensas serão as suas poucas emoções, menos inclinado a, e menos capaz de, identificar-se - a falta do que ele tem de compensar através da projeção. Projeção, assim prova-se ser um mecanismo de compensação que ajusta uma ausência/falta interna. Identificação, por outro lado, é uma expressão de abundância, do desejo por união, por alianças, por compartilhamento."

Chelsea, time de futebol de Londres da Inglaterra

Na Sociedade Psicanalítica de Viena

(...) Em 1924 Rank publicou "O Trauma do Nascimento", explorando como a arte, mito, religião, filosofia e terapia foram iluminadas pela "ansiedade de separação" na "fase antes do desenvolvimento do Complexo de Édipo" (p.216 - do original). Mas não existia tal fase nas teorias de Freud. O Complexo de Édipo, explicado por Freud exautivamente, era o núcleo da neurose e a fonte original de toda arte, mito, religião, filosofia, terapia - de toda cultura humana e civilização. Foi a primeira vez que alguém do círculo interno se atrevera a sugerir que o Complexo de Édipo pudesse não ser o supremo fator causal na psicanálise. Também foi a primeira vez que alguém no círculo interno se atrevera a sugerir que haveria um complexo "pré-Edipiano" - um termo que não existira até aquele ponto. Rank foi o primeiro a usar o termo "pré-Edipiano" em um fórum público psicanalítico em 1925 (Rank, 1996, p.43 - do original). Na nova edição do Dicionário Oxford Inglês, Rank será creditado como criador desse termo, que se pensava ter sido introduzido por Freud em 1932.
Édipo e a esfinge


Influência

Rollo May, um pioneiro da psicoterapia existencial nos Estados Unidos, foi profundamente influenciado pelas leituras e escritas pós-freudianas de Rank, e sempre considerou Rank o mais importante precursor da terapia existencial. Logo após sua morte, Rollo May escreveu o pósfácio a coleção editada por Robert Kramer dos escritos americanos de Rank. "Sempre achei Otto Rank o grande gênio irreconhecido no círculo de Freud," disse May (Rank, 1996, p.xi - do original).

Rollo May: 1903-1995

Em 1936 Carl Rogers, o psicólogo mais influente nos EUA depois de William James, convidou Otto Rank a fazer uma série de leituras em Nova Yorque sobre os modelos pós-freudianos de terapia experiencial e relacional rankianos. Rogers se transformou com essas leituras e sempre creditou Rank por haver moldado profundamente a terapia "centrada no cliente" e toda a profissão de counselling. "Eu me contaminei com as idéias de Rank," disse Rogers (Rank, 1996, p.263 - do original)
Carl Rogers: 1902-1987
O escritor Paul Goodman, que foi co-fundador com Fritz Perls do método da Gestalt de psicoterapia, um dos mais populares no mundo atualmente, e um que usa o modelo aqui-e-agora de Rank no seu trabalho, descreveu as idéias pós-freudianas de Rank sobre arte e criatividade como "acima dos elogios (beyond praise)" em Gestalt Terapia. (Perls, Goodman and Hefferline, 1951, p.395 do original).
Paul Goodman: 1911-1972
Fritz Perls: 1893- 1970

Em 1974, o sociólogo Ernest Becker ganhou o prêmio Pulitzer por "The Denial of Death"(A Negação da Morte) (1973), que se baseou nos escritos pós-freudianos de Rank, especialmente "Will Therapy"(Terapia da Vontade) (1929-31), "Psychology of the Soul"(Psicologia da Alma) (1930) e "Art and Artist"(Arte e Artista) (1932).

Ernest Becker: 1924-1974

O padre e teólogo americano Mathew Fox, fundador da Creation Spirituality e Wisdom University, considera Rank como um dos mais importantes psicólogos do século 20. Veja, especialmente, o livro dele, Creativity:Where the Divine and the Human Meet (Jeremy P.Tarcher,2002), paperback: ISBN 1-58542-329-7.
Stanislav Grof: 1931

Stanislav Grof, um dos fundadores da psicologia transpessoal, baseou muito do seu trabalho em psicologia pré-natal e perinatal no "Trauma do Nascimento" de Rank.Hoje, Rank pode ser visto como um grande pioneiro nos campos da psicologia humanista, psicoterapia existencial, terapia Gestalt e psicologia transpessoal.


Stanislav Grof - Sobre o trauma do nascimento de Otto Rank
(Fonte: Grof, Stanislav - Além do Cérebro: nascimento, morte e transcendência em psicoterapia, SP: McGraw Hill, 1987 - páginas 127 a 129 - O mundo da psicoterapia)

"Com relação ao trauma do nascimento, Freud foi o primeiro, na psicologia, a chamar a atenção para a possibilidade de que pudesse ser o protótipo e fonte de todas as ansiedades futuras."
"Enquanto Freud enfatizava as extremas dificuldades psicológicas do processo como fonte de ansiedade, Rank relacionava a ansiedade com a separação do útero materno como se fosse a separação de uma situação paradisíaca, de gratificação incondicional e livre de esforços."
"O conflito central do homem consiste no desejo de retornar ao útero e no medo deste desejo. Como resultado, qualquer mudança de uma situação agradável para uma desagradável produzirá sentimentos de ansiedade."
"A teoria de Rank acentua o elemento de separação da mãe e a perda do ventre materno como os aspectos traumáticos essenciais do nascimento. Para ele, o trauma é ser a situação pós-natal bem menos favorável que a pré-natal. Fora do ventre, a criança encara irregularidade de alimentação, ausência da mãe, oscilações de temperatura e altos ruídos. Ela deve respirar, engolir alimento e expelir matéria supérflua."
"O nascimento não é traumático apenas porque a criança se transfere de uma situação paradisíaca no ventre para condições adversas no mundo exterior; a própria passagem através do canal cervical impõe sofrimento e enorme tensão emocional e física."
"A maioria das condições psicopatológicas tem raízes na dinâmica da MPB II e MPB III, que refletem experiências sofridas durante o tempo intermediário entre o tranquilo estado intra-uterino e a existência pós-natal no mundo exterior. No processo de reviver e integrar o trauma do nascimento, o indivíduo pode estar lutando por um retorno ao ventre ou, inversamente, pela conclusão do nascimento e saída fora do canal cervical, dependendo do estágio perinatal. A tendência para exteriorizar e descarregar as sensações reprimidas e as energias geradas durante a luta pelo nascimento representa uma profunda força motivadora para um amplo espectro de comportamentos humanos. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de agressão e sadomasoquismo, duas condições para as quais a interpretação de Rank era particularmente inconvincente. Além disso, como aconteceu com Freud, Adler e Reich - , escapa a Rank uma genuína compreensão dos campos transpessoais."