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Entendendo Psicopatologias Através de Estados Holotrópicos: Raízes Perinatais e Transpessoais Segundo Stanislav Grof

Se você está pesquisando sobre psicopatologias, estados holotrópicos de consciência ou as influências do trauma perinatal na saúde mental, este glossário baseado nas obras de Stanislav Grof pode ser um recurso valioso. 

Grof, pioneiro na psicologia transpessoal, identificou como experiências como meditação profunda, hipnose, terapia experiencial, substâncias psicodélicas, acidentes, perdas de entes queridos, crises existenciais e altos níveis de estresse podem ativar arquétipos e sistemas COEX (memórias condensadas) de origens biográficas, perinatais e transpessoais. Essas influências moldam e mantêm diversos transtornos mentais.


Neste artigo, exploramos um glossário de termos da psicologia transpessoal grofiana, organizado em ordem alfabética. Cada entrada explica o transtorno, seus sintomas e raízes profundas, com foco em matrizes perinatais básicas (MPB). Para mais detalhes sobre conceitos como MPB I, II, III e IV, consulte nosso Glossário de Transpessoal Grofiana Vamos otimizar sua compreensão sobre saúde mental, trauma de nascimento e terapia holotrópica.

Glossário de Psicopatologias com Raízes Perinatais (Ordem Alfabética)

Acrofobia (Fobia de Alturas)
A acrofobia, ou medo irracional de alturas, está ligada aos estágios finais do nascimento biológico, onde há sensação de queda e destruição iminente. Memórias de nascimentos traumáticos, como quedas ou impactos iniciais com a gravidade, intensificam esse medo. Não é apenas uma fobia: muitas vezes inclui compulsão para pular de lugares altos, como torres ou penhascos. Raízes perinatais: MPB III e IV, com elementos de perda de controle.


Agorafobia
Agorafobia é o medo de espaços abertos ou transições entre eles, gerando pânico e sensação de perda de controle. Raízes perinatais: Associada ao estágio final da MPB III (aprisionamento no canal de parto), com alternância entre tensão extrema e liberação repentina. Isso evoca memórias de descontrole durante o nascimento. Para tratamento, terapias experienciais como a respiração holotrópica podem ajudar a integrar essas memórias.


Alcoolismo e Outros Vícios
O alcoolismo e dependências semelhantes estão conectados a depressão e impulsos suicidas, refletindo um desejo inconsciente por estados de unidade indiferenciada, semelhantes à vida intrauterina pacífica. Grof observa em "Além do Cérebro" (p. 193-194) que vícios buscam erroneamente estados transcendentais, mas resultam em entorpecimento sensorial e emocional – ao contrário da clareza de experiências holotrópicas puras. Raízes perinatais: MPB I (vida intrauterina) e MPB III (luta no canal, especialmente com anestesia materna). Sessões psicodélicas supervisionadas revelam diferenças fundamentais entre intoxicação e transcendência.


Ansiedade Generalizada (TAG)
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) inclui preocupação excessiva, tensão, irritabilidade, insônia, tremores e sudorese, sem causa aparente. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB I, com útero perturbado por drogas ou estresse materno. Raízes biográficas: Falta de contato físico nutridor pós-natal. Busque diagnóstico médico se sintomas persistirem por seis meses..
 

Asma Psicogênica 
A asma psicogênica envolve agonia e sufocação, ligada ao processo de morte-renascimento no nascimento. É uma "conversão pré-genital" freudiana com traços obsessivo-compulsivos. Raízes perinatais: MPB III (controle e retenção). Eventos biográficos como acidentes respiratórios agravam sintomas. Terapias experienciais mostram conexões com bloqueios energéticos.

Autoestima Baixa ("Autoestima de Merda") e Compulsão por Lavar as Mãos
Associadas a transtornos obsessivo- -compulsivos (TOC), incluem nojo de si mesmo, auto-degradação e rituais de limpeza. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB III, com contato com materiais biológicos (fezes, urina) no canal de parto.


Bacilofobia ou Misofobia
Medo patológico de sujeira, odores corporais e contaminação. Raízes biográficas: Treinamento de esfíncteres. Raízes perinatais: Aspectos escatológicos da MPB III, com agressividade, excitação sexual e material biológico.


Bipolaridade (Ver Episódios Maníacos)
Consulte a entrada sobre "Episódios Maníacos" para detalhes sobre alternância euforia-depressão.


Cancerofobia
Medo de câncer, semelhante à gravidez: células cancerígenas lembram embrionárias. Raízes perinatais: Paralelos com estágios iniciais da gestação.


Claustrofobia
Medo de espaços fechados ou apertados. Raízes perinatais: Início da MPB II (situação sem-saída após rompimento da bolsa), evocando morte iminente.


Depressão
Sintomas incluem sensação de restrição, negativismo, bloqueios no peito e angústia. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB II (feto entalado após rompimento da bolsa).


Dermatite Alérgica (Alergias de Pele)
Hipersensibilidade ao contato, indicando barreiras contra o mundo externo. Raízes biográficas: Falta de contato materno ou hiperproteção. Raízes perinatais: Insegurança e perdas com limites indefinidos.


Dores de Cabeça de Enxaqueca
Envolvem pressão craniana, náusea e busca por ambientes "uterinos" (escuros, silenciosos). Raízes perinatais: Agonia no nascimento. Terapias experienciais intensificam a dor para liberação extática.


Episódios Maníacos (Euforia)
Alternam com depressão em transtornos bipolares. Raízes perinatais: Transição incompleta MPB III para IV, com euforia como disfarce de morte do ego falso. MPB IV completa traz equanimidade e reconexão.


Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Após catástrofes ou ameaças à vida, com sintomas físicos sem dano orgânico. Raízes perinatais: Ativação da MPB III, anulando defesas psicológicas.


Fobia de Animais Grandes
Medo de ser engolido, ligado a MPB II. Aracnofobia similar, com aranhas representando o feminino devorador.


Fobia de Cobras (Ofidiofobia)
Ameaça de esmagamento e morte, semelhante ao nascimento. Jibóias intensificam por analogia à gravidez.


Fobia de Gravidez, Parto ou Maternidade
Dificuldade em aceitar feminilidade ou maternidade devido a memórias de agonia no nascimento. Raízes perinatais: MPB II, com antagonismo mãe-feto.

Fobia de Viajar de Avião ou Enjôo Marítimo
Necessidade de controle, ligada a MPB III e memórias não-integradas do nascimento.
Fobia de Viajar de Trem ou Metrô
Sensação de aprisionamento e energia descontrolada, com túneis evocando MPB II e III.


Hipertensão Arterial
"Panela de pressão" emocional. Raízes biográficas: Infância repressiva.

Impotência Sexual e Frigidez Psicossomática
Energia sexual perinatal "colorida" por sadomasoquismo e medo. Raízes perinatais: MPB III.

Medo Patológico da Água
Raízes perinatais. Ligações com líquido amniótico ou traumas como inalação durante nascimento. 

Medo Patológico do Fogo


Transição MPB III-IV, com fogo como purificador na morte do ego.

Medo Patológico de Tempestades
Simboliza contato com energia divina na morte-renascimento (MPB III-IV).

Neurastenia
Exaustão por estresse prolongado, com sintomas como tensão e impotência. Raízes perinatais: MPB III pura.

Nosofobia
Medo de doenças, ligado a memórias de traumas fisiológicos e nascimento.

Obesidade
Gordura como barreira contra mundo hostil. Raízes perinatais: MPB II, com desejo de desaparecer.

Tanatofobia
Medo da morte com ansiedade vital. Raízes perinatais: Ameaças à respiração no nascimento.
Artigos relacionados:
Dominio perinatal do insconsciente.Uma interpretação perinatal de experiências de quase morte.Cartografia ampliada da psique humana.

Talassofobia 
Medo patológico do fundo do mar,  é o medo intenso, persistente e irracional de grandes massas de água, águas profundas, escuras ou do que habita o desconhecido oceânico. 
Raízes perinatais ligadas a Matriz Perinatal 2, ligadas ao engolfamento cósmico e sensação de insignificância frente ao cosmo infinito e desconhecido. 



Para otimizar sua saúde mental e explorar terapia transpessoal, consulte um psicólogo especializado em Grof. 

Compartilhe este glossário se ajudou! Palavras-chave: psicologia transpessoal, Stanislav Grof, trauma perinatal, estados holotrópicos, MPB.

Tipo de Sonho que Revela Dependência Afetiva: Entenda o Significado na Terapia Transpessoal

Você já acordou confuso após um sonho vago, fragmentado e sem rumo claro? Esse padrão onírico pode ser mais do que apenas “sonho estranho”. Na psicologia transpessoal, especialmente na terapia transpessoal em São Paulo, a análise de sonhos é uma ferramenta poderosa para acessar o inconsciente e revelar padrões emocionais profundos, como a Dependência Afetiva.

Como é o Sonho Típico de Dependência Afetiva?

Esse tipo de sonho se caracteriza por:

- Ausência total de foco e centralidade nas escolhas do sonhador.
- Sensação de vagar sem direção, passando por cenas desconexas e aparentemente sem nexo.
- Dificuldade em compreender o significado geral da experiência onírica.

O sonhador não é o protagonista ativo: ele é levado pelas circunstâncias, por outras pessoas ou por sensações difusas. Não há um “eu” firme guiando as decisões.

O que Esse Sonho Revela Sobre a Dependência Afetiva?

Na visão da terapia transpessoal, esse sonho reflete uma dependência afetiva real na vida desperta. A trajetória da pessoa não é guiada por objetivos próprios claros, mas sim por dinâmicas inconscientes centradas no outro. Isso indica que o indivíduo:

1. Prioriza atender às expectativas alheias acima de tudo.
2. Mantém uma máscara de bonzinho, obediência ou pureza para evitar conflitos ou rejeição.
3. Sente medo intenso de assumir desejos pessoais, adotando posturas de passividade, adaptabilidade excessiva ou submissão emocional.
4. Alimenta um orgulho ilusório de conseguir manipular ou controlar os sentimentos e percepções dos outros, mesmo que isso seja apenas uma defesa.

Esses padrões criam um ciclo vicioso: a pessoa vive para o outro (ou para a imagem que projeta), negligenciando sua própria essência e autenticidade.

As Consequências Emocionais e Existenciais

O resultado desse padrão é devastador e aparece tanto nos sonhos quanto na vida cotidiana:

- Sensação constante de estar em um limbo emocional.
- Ignorância sobre quem realmente é e o que deseja.
- Medo crônico de rejeição ou abandono.
- Narcisismo mascarado (busca de validação externa disfarçada de generosidade).
- Profunda culpa existencial, como se a própria existência fosse um erro ou fardo.

Muitos que vivenciam isso relatam esgotamento emocional, relacionamentos codependentes e dificuldade em traçar planos de vida autônomos.

Como a Terapia Transpessoal em São Paulo Pode Ajudar?

A terapia transpessoal vai além da análise convencional de sintomas: ela integra corpo, mente, emoções e dimensão espiritual. Na prática, em atendimentos presenciais ou online em São Paulo, trabalha-se com:

- Análise simbólica e integrativa de sonhos para decodificar mensagens do inconsciente.
- Técnicas de expansão de consciência (meditação, respiração holotrópica, visualizações).
- Reconexão com o Self autêntico, dissolvendo máscaras e dependências.
- Desenvolvimento de autonomia afetiva e realização de propósitos pessoais.

Se você reconhece esses padrões nos seus sonhos ou na sua vida — vagando sem rumo, priorizando os outros em detrimento de si mesmo —, a terapia transpessoal em São Paulo pode ser o caminho para romper esse ciclo e reconquistar sua centralidade existencial.

Quer entender melhor seus sonhos e superar a dependência afetiva? Procure um psicólogo ou terapeuta transpessoal especializado em São Paulo e inicie essa jornada de autoconhecimento profundo. A transformação começa quando você assume o protagonismo da sua própria história.

A Grande Mentira da Evolução Espiritual

Evoluir não é ascender. É aprender a estar — inteiramente — onde se é.


Existe uma narrativa muito difundida nos círculos de espiritualidade, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Ela é sedutora, socialmente recompensada e profundamente equivocada.

A narrativa diz assim:

"Você está em um caminho de evolução. Cada prática, cada insight, cada crise superada te leva a um nível mais alto de consciência. Um dia, se você se dedicar o suficiente, chegará a um estado de paz permanente, sabedoria inabalável e ausência de conflito interno. Esse é o destino do ser humano espiritualmente desenvolvido."

Essa narrativa é, em sua estrutura mais profunda, uma fuga disfarçada de caminho.


O mito do progresso espiritual linear

A ideia de que a evolução espiritual segue uma linha ascendente — do sofrimento à iluminação, da sombra à luz, da ignorância à sabedoria — é uma transplantação do pensamento científico-industrial para o domínio da consciência.

Funciona muito bem para medir produtividade, acúmulo de capital ou aquisição de habilidades técnicas. Para descrever o amadurecimento humano, é inadequada — e frequentemente nociva.

A neurociência confirma o que contemplativos de diferentes tradições sempre souberam: a psique humana não opera em linha reta. Ela opera em espiral, em ciclos, em ondas. Estados de clareza são seguidos por estados de confusão. Períodos de abertura cedem lugar a períodos de contração. Insights profundos não eliminam a dor — eles mudam a relação com ela.

O modelo linear cria uma armadilha silenciosa: a de usar a espiritualidade como projeto de construção de um eu melhorado, impermeável às turbulências da existência. Um eu que não sofre, não teme, não erra, não se contradiz.

Esse eu não existe. E a busca por ele é uma das formas mais sofisticadas de negação da realidade.


Evoluir não é ser melhor do que os outros — nem do que você mesmo foi

Uma das distorções mais comuns da narrativa de evolução espiritual é a comparação vertical: o espiritualizado versus o não-espiritualizado, o consciente versus o inconsciente, o desperto versus o adormecido.

Essa hierarquia tem um problema fundamental: ela é gerada pelo ego que se recusa a morrer.

O ego não desaparece com práticas espirituais. Ele frequentemente se sofistica. O "ego espiritual" — aquele que se orgulha de sua humildade, que compara seu nível de consciência com o dos outros, que usa o vocabulário do despertar como marcador de status — é, em muitos casos, mais resistente à transformação genuína do que um ego que simplesmente quer ter razão numa discussão.

A psicologia transpessoal, especialmente na formulação de Ken Wilber, alerta para o que ele chamou de spiritual bypassing — termo cunhado pelo psicólogo John Welwood: o uso de práticas e conceitos espirituais para evitar o contato com feridas emocionais não resolvidas, relacionamentos difíceis, responsabilidades concretas e as partes sombrias de si mesmo.

Meditar para não sentir raiva não é evolução. É anestesia com incenso.


As polaridades intrínsecas da existência

O que a psicologia profunda — e antes dela, tradições como o Taoísmo, o Budismo Tibetano e a Cabala — há muito tempo reconhece é que a existência humana é constitutivamente polarizada.

Não como imperfeição a ser corrigida. Como estrutura fundamental da experiência consciente.

Luz e sombra. Expansão e contração. Conexão e solidão. Coragem e medo. Amor e raiva. Clareza e confusão. Vida e morte.

Essas polaridades não são estágios que você supera com suficiente prática espiritual. São a textura da experiência encarnada. São o modo como a consciência conhece a si mesma através de um corpo humano, situado no tempo e no espaço, em relação com outros corpos igualmente complexos.

A neurociência oferece aqui uma confirmação inesperada: o sistema nervoso autônomo humano é organizado em torno de dois modos fundamentais — ativação e repouso, mobilização e imobilização, aproximação e recuo. Não existe um estado de "equilíbrio permanente". Existe a capacidade de transitar entre estados com consciência e sem se perder no caminho.

Isso é regulação. Não é iluminação.

E talvez seja, em termos práticos, mais valioso.


Presença como postura existencial, não como técnica

Se evoluir espiritualmente não é ascender a estados permanentes de clareza, o que é então?

É desenvolver a capacidade de estar presente com o que é — incluindo o que é difícil, contraditório, doloroso, misterioso e ainda sem resolução.

Presença, nesse sentido, não é uma técnica de meditação. É uma postura existencial. É a disposição de não abandonar a si mesmo quando os estados internos se tornam desconfortáveis. É a capacidade de testemunhar a própria experiência — a alegria e o luto, a generosidade e a inveja, a fé e a dúvida — sem se identificar totalmente com nenhum polo e sem tentar eliminar o outro.

No campo da neurociência afetiva, Daniel Siegel descreve isso como "janela de tolerância" — a capacidade de permanecer presente com intensidade emocional sem ser dominado por ela nem se dissociar dela. Essa janela se amplia não pela eliminação das emoções difíceis, mas pelo aumento da capacidade de sustentá-las com consciência.

A presença genuína não é calma. É às vezes muito perturbadora. Porque implica ver com clareza o que está realmente acontecendo — em si mesmo, nos relacionamentos, no mundo — sem as anestesias habituais.

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Responsabilidade frente às polaridades

Presença sem responsabilidade é contemplação sem consequência. O segundo elemento da maturidade espiritual é igualmente exigente: responsabilizar-se pelo que emerge em si mesmo, sem projetar no outro, sem atribuir ao destino, sem usar o vocabulário espiritual para se eximir.

Responsabilidade, aqui, não significa culpa. Significa: a habilidade de responder, conscientemente, ao que a vida apresenta.

Na prática, isso tem implicações diretas e concretas:

- Reconhecer que minha raiva pode ter uma causa legítima no mundo externo e uma raiz não resolvida em mim — e que ambas coexistem.

- Perceber que meu julgamento do outro frequentemente carrega uma projeção da minha própria sombra — e assumir essa percepção sem colapsar em autocrítica.

- Entender que meu medo não é um defeito a ser eliminado, mas um sinal que merece ser escutado — e que escutá-lo é diferente de obedecê-lo cegamente.

- Aceitar que crescer não elimina os conflitos internos — transforma a qualidade da relação com eles.

A responsabilidade transpessoal não pergunta "como me livro disso?" Pergunta: "o que em mim está sendo chamado a se expandir por causa disso?"

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O que a evolução genuína parece

Se não é linear, não é comparativa e não elimina as polaridades — como se manifesta o amadurecimento espiritual genuíno?

Não em ausência de conflito, mas na capacidade crescente de sustentar tensões sem resolvê-las prematuramente.

Não em certezas consolidadas, mas na familiaridade crescente com o mistério — a capacidade de habitar perguntas sem ansiedade.

Não em estados permanentes de paz, mas na resiliência do retorno: a capacidade de se perder e se reencontrar com cada vez mais agilidade e menos drama.

Não na superação da sombra, mas na integração progressiva das partes negadas de si mesmo — o que Carl Gustav Jung chamou de "individuação": o processo pelo qual o ser humano se torna o que realmente é, não o que imagina que deveria ser.

Não na independência do corpo, mas numa presença encarnada cada vez mais plena — a capacidade de habitar a experiência sensorial, emocional e existencial sem dissociação.

E, talvez acima de tudo: não na chegada a um destino espiritual, mas na qualidade da jornada cotidiana — como você trata as pessoas ao seu redor numa segunda-feira de manhã, como você lida com o fracasso, como você recebe a alegria sem descartá-la nem se agarrar a ela.

A liberdade de ser humano

Existe algo profundamente libertador em abandonar o projeto de se tornar um ser espiritual perfeito.

Quando a evolução deixa de ser uma corrida em direção a um eu melhorado e passa a ser um aprofundamento na realidade como ela é — com suas contradições, suas sombras, suas belezas inesperadas e suas dores inevitáveis — algo se afrouxa.

A vida não precisa mais ser corrigida para ser sagrada.

Você não precisa mais estar em outro nível para ser inteiro.

A presença com o que é — esse momento, esse corpo, essa contradição, essa pessoa à sua frente — não é o começo do caminho espiritual.

É o caminho.


"Não há necessidade de buscar a iluminação. Você só precisa parar de fugir da escuridão."
— Adaptado de Carl Gustav Jung

Tecnologia ou Etica



Um programa do Discovery Channel hoje abordava o tema "Invasão Extraterrestre". Mas afinal, qual a relevância disto para nós, brasileiros e trabalhadores em São Paulo? Seremos alvos de invasão de outros mundos? Preparem-se! Temam, tremam, vocês estão em perigo! 

Enfim, o programa consiste em teorias a respeito de como seria uma suposta invasão alienígena. Quer isso seja verdade ou não, pouco importa. Se você acredita nessa possibilidade de vida alienígena inteligente, pergunto, por quê você iria invadir e destruir outra civilização? 

Primeiro ponto, obviamente, houve por parte dos cientistas muita projeção. Imaginar uma civilização mais avançada nos atacando, com as características selvagens e tirânicas exatamente iguais às da nossa civilização. Esperamos dos outros o pior que existe em nós mesmos. 

Mas o problema maior, a meu ver não foi esse. Todas as suposições foram feitas, do ponto de vista tecnológico e bélico. Menos aquela mais importante, a ética e os valores. A maior ameaça para nossa sociedade, como ela está, neste momento histórico não é a tecnologia, mas a ética. O que rege nossas escolhas, quais as prioridades, o que levamos em conta para seguir em frente como grupo humano habitante do planeta Terra? 



O que não foi pensado pelo cientistas, foi o caso de os extraterrestres mostrarem uma ética "nobre" e de valorização da vida, totalmente oposta à estratégia atual dominante na cultura ocidental. Quem sabe, uma organização social e "econômica" muito mais eficiente do que a maneira como conhecemos e praticamos. Isto, sim, seria o apocalipse da humanidade e do individualismo. Não duvido que existam formas de inteligência superiores à nossa, não apenas tecnológica, mas principalmente, eticamente falando. 

Qual seria a vantagem de uma sociedade onde haja mais sentido e significado, você poderia perguntar? Qual seria o benefício? Do ponto de vista coletivo, provavelmente, menos doenças e desgraças. Do ponto de vista individual, talvez mais equanimidade, equilíbrio entre as pessoas e as situações. O benefício talvez fosse grande, mas não se trata de abdicar de si mesmo, mas pelo contrário, é uma estratégia egoísta, do ponto de vista positivo. Quando valorizar o bem-estar do outro é lógico e faz sentido, pois também me favorece, daí temos tudo a favor desse bem-estar. 

Ainda falta muito até descobrirmos como valorizar a sociedade e o individuo ao mesmo tempo. A tecnologia nos conecta, nos interliga, nos informa, nos tornamos mais rápidos e velozes. Ao mesmo tempo, ficamos mais ansiosos, e menos tolerantes para esperar pelas coisas acontecerem no seu próprio ritmo. Para que esperar, se você aprendeu a clicar e receber uma resposta imediata? Tecle, deslize, clique, aproxime e afaste num piscar de olhos. Tudo já está pronto! Será? 

O outro passa a ser apenas mais um "número" em nosso "Smartphone", mais um "contato" no nosso Facebook.



Uma ética que valorize os modos próprios das pessoas, e não apenas os classifique como doentes e normais. Práticas e valores que nos ensinem a ouvir a nós mesmos, que não nos considere uma tábula-rasa, um papel em branco totalmente formatado pelo ambiente. Mas um ser com certas características já "instaladas no sistema", e que devem ser respeitadas. E que continuem com a exatidão e os cálculos precisos, mas deixem isso para aquilo que possa e deva ser medido. A meu ver, o ser humano não pode ser mensurado da mesma maneira que um bloco de concreto.

Para que essa ética seja possível, é necessário que haja uma educação voltada para que possamos nos ouvir uns aos outros, e principalmente, a nós mesmos. O que ocorre é que recebemos instruções a respeito de nosso funcionamento, muitas vezes incongruentes com o modo como nos percebemos. Na maioria das vezes, somos treinados a perceber apenas aquilo que é aceitável socialmente, e esses parâmetros chegam a ser pouco tolerantes a desvios, são muito rígidos. Ou então, caímos no extremo oposto, de falta de limites. Mais uma vez, é a necessidade de saber ouvir a si mesmo e ao outro, que está em déficit.

Quanto mais formos capazes de nos ouvirmos, menos dependentes ficamos do ambiente. Continuamos a nos relacionar e a sermos supridos pelo mundo, mas caso hajam diferenças e singularidades, isso pode ser considerado e possivelmente, respeitado. 

Somos extremamente valorizados pela forma como pensamos e analisamos o mundo, mas na verdade, isso é apenas uma pequena fração. Isso é justamente valorizado por ser muito controlado e balizado. Quando se trata de ouvir a nós mesmos, nos deparamos com uma lógica que vai bem além da razão e do raciocínio, começamos a perder a capacidade de sermos controlados pelo ambiente.



Deixamos de lado aspectos básicos como agressividade, expressão verbal e corporal, instintos sexuais, porque simplesmente não sabemos lidar com esses aspectos em nós mesmos. Um modo de perceber a realidade própria de cada um é o discurso poético, a imagem poética. Esta não se prende unicamente às regras do raciocínio, mas apresenta uma lógica própria. 

Então , cada linguagem serve para um propósito. A linguagem poética serve muito bem para o mundo pessoal e intransferível, mas não se aplica à engenharia ou à medicina. Da mesma forma, a linguagem mecânica e racional não serve totalmente à descrição do modo de ser das pessoas e daquilo que as define, mas serve muito bem aos objetos e ferramentas construídos pelo Homem.

Matriz Perinatal Básica II - Antagonismo com a mãe

(Contrações em um sistema uterino fechado)

"Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação."
Quando a regressão experiencial alcança a memória do contexto do parto biológico, costumamos nos sentir sendo sugados por um redemoinho gigante, ou engolidos por uma besta mítológica. Também podemos experienciar que o mundo inteiro ou mesmo o cosmos está sendo engolido. Isto está associado com imagem de devoramento ou prisão de monstros arquetípicos, como os leviatãs, dragões, cobras gigantes, tarantulas e polvos. A sensação de ameaça vital iminente pode provocar grande ansiedade e sintomas paranóides. Também podemos sentir uma descida ao mundos subterrâneos, o reino da morte, ou inferno. Como o mitologista Joseph Campbell tão brilhantemente descreveu, isto é um aspecto universal da jornada do herói. (Campbell 1968).



Reviver totalmente o primeiro estágio do parto biológico quando o útero está contraído, mas a cérvice não está aberta (MPB 2), é uma das piores experiências que o ser humano pode ter. Nos sentimos presos em um pesadelo claustrofóbico gigantesco, sofremos dores físicas e emocionais agonizantes, e temos a sensação de total desamparo e falta de esperança. Sentimentos de solidão, culpa, absurdo da vida, e desespero existencial podem alcançar níveis metafísicos. Perdemos a conexão com o tempo linear e nos convencemos que esta situação nunca terminará, e que realmente não existe nenhuma saída. Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação. Pode ser acompanhado de imagens arquetípicas de demônios e paisagens infernais de diferentes culturas.


Quando encaramos a desastrosa situação de não-saída no aperto das contrações uterinas, nos conectamos com sequências do inconsciente coletivo que envolvem pessoas, animais e mesmo seres mitológicos em semelhante situação sem saída. Nos identificamos com prisioneiros em celas, em campos de concentração ou internos em asilos de loucos, e com animais presos em armadilhas. Experienciamos as intoleráveis torturas dos mentirosos no inferno ou de Sísifo rolando sua pedra abaixo da montanha de Hades.

"De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual."
A nossa dor pode tornar-se a agonia de Cristo perguntando a Deus porquê Ele o abandonou. Sentimos estar frente à danação eterna. Tal estado de escuridão e desespero abismal é conhecido da literatura espiritual como a "Noite Negra da Alma". De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual. Se for experienciado em toda a sua profundidade, pode ter um efeito liberador e transformador naquele que o experiencia.




... de "Trauma do Nascimento e Suas Relações com Doenças Mentais, Suicídio e Êxtase ("Birth Trauma and Its Relation to Mental Illsness, Suicide and Ecstasy")

A Fenomenologia da MPB 2 em sessões de LSD, assim como a sintomatologia clinica em períodos após as sessões dominadas por esta matriz, mostram as características fundamentais da depressão: inibição motora geral, dor mental agonizante e sofrimento, ansiedade, sentimentos arrebatadores de culpa e inadequação, total falta de interesse, percepção seletivvamente negativa do mundo e da vida do sujeito, percepção em preto-e-branco do mundo, sem cores, e sentimentos de situação de vida inescapável e insuportável, com nenhuma esperança de solução.



As manifestações físicas da depressão também estão de acordo com este conceito: sentimentos de opressão e constrição, perda do apetite e rejeição à comida, retenção da urina e fezes, inibição da libido, dores de cabeça, desconforto cardíaco, dificuldade de respirar a várias reclamações interpretadas ocasionalmente como hipocondria. A ideação suicida de tal condição é uma forma de um desejo de não existir, de cair num sono profundo, esquecer-se de tudo, e não acordar no dia seguinte.


Os sistemas COEX relacionados com a MPB 2, fazendo sua conexão com o ego, estão de acordo com o modelo freudiano de situações de frustração oral na infância, privação emocional na infância e adolescência, a vários eventos traumáticos onde o sujeito esteve no papel de vítima passiva.


Situações familiares opressivas para o indivíduo, onde não permitem nenhuma rebelião também fazem parte desta categoria. Uma parte bem comum dessas COEX são experiências envolvendo ameaças à sobrevivência e à integridade física. Parece que os aspectos psicotraumaticos de doenças graves, machucados, operações e episódios de quase afogamento foram grosseiramente subestimados na dinâmica psiquiátrica de possíveis fatores patogênicos da depressão.