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Entendendo Psicopatologias Através de Estados Holotrópicos: Raízes Perinatais e Transpessoais Segundo Stanislav Grof

Se você está pesquisando sobre psicopatologias, estados holotrópicos de consciência ou as influências do trauma perinatal na saúde mental, este glossário baseado nas obras de Stanislav Grof pode ser um recurso valioso. 

Grof, pioneiro na psicologia transpessoal, identificou como experiências como meditação profunda, hipnose, terapia experiencial, substâncias psicodélicas, acidentes, perdas de entes queridos, crises existenciais e altos níveis de estresse podem ativar arquétipos e sistemas COEX (memórias condensadas) de origens biográficas, perinatais e transpessoais. Essas influências moldam e mantêm diversos transtornos mentais.


Neste artigo, exploramos um glossário de termos da psicologia transpessoal grofiana, organizado em ordem alfabética. Cada entrada explica o transtorno, seus sintomas e raízes profundas, com foco em matrizes perinatais básicas (MPB). Para mais detalhes sobre conceitos como MPB I, II, III e IV, consulte nosso Glossário de Transpessoal Grofiana Vamos otimizar sua compreensão sobre saúde mental, trauma de nascimento e terapia holotrópica.

Glossário de Psicopatologias com Raízes Perinatais (Ordem Alfabética)

Acrofobia (Fobia de Alturas)
A acrofobia, ou medo irracional de alturas, está ligada aos estágios finais do nascimento biológico, onde há sensação de queda e destruição iminente. Memórias de nascimentos traumáticos, como quedas ou impactos iniciais com a gravidade, intensificam esse medo. Não é apenas uma fobia: muitas vezes inclui compulsão para pular de lugares altos, como torres ou penhascos. Raízes perinatais: MPB III e IV, com elementos de perda de controle.


Agorafobia
Agorafobia é o medo de espaços abertos ou transições entre eles, gerando pânico e sensação de perda de controle. Raízes perinatais: Associada ao estágio final da MPB III (aprisionamento no canal de parto), com alternância entre tensão extrema e liberação repentina. Isso evoca memórias de descontrole durante o nascimento. Para tratamento, terapias experienciais como a respiração holotrópica podem ajudar a integrar essas memórias.


Alcoolismo e Outros Vícios
O alcoolismo e dependências semelhantes estão conectados a depressão e impulsos suicidas, refletindo um desejo inconsciente por estados de unidade indiferenciada, semelhantes à vida intrauterina pacífica. Grof observa em "Além do Cérebro" (p. 193-194) que vícios buscam erroneamente estados transcendentais, mas resultam em entorpecimento sensorial e emocional – ao contrário da clareza de experiências holotrópicas puras. Raízes perinatais: MPB I (vida intrauterina) e MPB III (luta no canal, especialmente com anestesia materna). Sessões psicodélicas supervisionadas revelam diferenças fundamentais entre intoxicação e transcendência.


Ansiedade Generalizada (TAG)
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) inclui preocupação excessiva, tensão, irritabilidade, insônia, tremores e sudorese, sem causa aparente. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB I, com útero perturbado por drogas ou estresse materno. Raízes biográficas: Falta de contato físico nutridor pós-natal. Busque diagnóstico médico se sintomas persistirem por seis meses..
 

Asma Psicogênica 
A asma psicogênica envolve agonia e sufocação, ligada ao processo de morte-renascimento no nascimento. É uma "conversão pré-genital" freudiana com traços obsessivo-compulsivos. Raízes perinatais: MPB III (controle e retenção). Eventos biográficos como acidentes respiratórios agravam sintomas. Terapias experienciais mostram conexões com bloqueios energéticos.

Autoestima Baixa ("Autoestima de Merda") e Compulsão por Lavar as Mãos
Associadas a transtornos obsessivo- -compulsivos (TOC), incluem nojo de si mesmo, auto-degradação e rituais de limpeza. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB III, com contato com materiais biológicos (fezes, urina) no canal de parto.


Bacilofobia ou Misofobia
Medo patológico de sujeira, odores corporais e contaminação. Raízes biográficas: Treinamento de esfíncteres. Raízes perinatais: Aspectos escatológicos da MPB III, com agressividade, excitação sexual e material biológico.


Bipolaridade (Ver Episódios Maníacos)
Consulte a entrada sobre "Episódios Maníacos" para detalhes sobre alternância euforia-depressão.


Cancerofobia
Medo de câncer, semelhante à gravidez: células cancerígenas lembram embrionárias. Raízes perinatais: Paralelos com estágios iniciais da gestação.


Claustrofobia
Medo de espaços fechados ou apertados. Raízes perinatais: Início da MPB II (situação sem-saída após rompimento da bolsa), evocando morte iminente.


Depressão
Sintomas incluem sensação de restrição, negativismo, bloqueios no peito e angústia. Raízes perinatais: Sistemas COEX da MPB II (feto entalado após rompimento da bolsa).


Dermatite Alérgica (Alergias de Pele)
Hipersensibilidade ao contato, indicando barreiras contra o mundo externo. Raízes biográficas: Falta de contato materno ou hiperproteção. Raízes perinatais: Insegurança e perdas com limites indefinidos.


Dores de Cabeça de Enxaqueca
Envolvem pressão craniana, náusea e busca por ambientes "uterinos" (escuros, silenciosos). Raízes perinatais: Agonia no nascimento. Terapias experienciais intensificam a dor para liberação extática.


Episódios Maníacos (Euforia)
Alternam com depressão em transtornos bipolares. Raízes perinatais: Transição incompleta MPB III para IV, com euforia como disfarce de morte do ego falso. MPB IV completa traz equanimidade e reconexão.


Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Após catástrofes ou ameaças à vida, com sintomas físicos sem dano orgânico. Raízes perinatais: Ativação da MPB III, anulando defesas psicológicas.


Fobia de Animais Grandes
Medo de ser engolido, ligado a MPB II. Aracnofobia similar, com aranhas representando o feminino devorador.


Fobia de Cobras (Ofidiofobia)
Ameaça de esmagamento e morte, semelhante ao nascimento. Jibóias intensificam por analogia à gravidez.


Fobia de Gravidez, Parto ou Maternidade
Dificuldade em aceitar feminilidade ou maternidade devido a memórias de agonia no nascimento. Raízes perinatais: MPB II, com antagonismo mãe-feto.

Fobia de Viajar de Avião ou Enjôo Marítimo
Necessidade de controle, ligada a MPB III e memórias não-integradas do nascimento.
Fobia de Viajar de Trem ou Metrô
Sensação de aprisionamento e energia descontrolada, com túneis evocando MPB II e III.


Hipertensão Arterial
"Panela de pressão" emocional. Raízes biográficas: Infância repressiva.

Impotência Sexual e Frigidez Psicossomática
Energia sexual perinatal "colorida" por sadomasoquismo e medo. Raízes perinatais: MPB III.

Medo Patológico da Água
Raízes perinatais. Ligações com líquido amniótico ou traumas como inalação durante nascimento. 

Medo Patológico do Fogo


Transição MPB III-IV, com fogo como purificador na morte do ego.

Medo Patológico de Tempestades
Simboliza contato com energia divina na morte-renascimento (MPB III-IV).

Neurastenia
Exaustão por estresse prolongado, com sintomas como tensão e impotência. Raízes perinatais: MPB III pura.

Nosofobia
Medo de doenças, ligado a memórias de traumas fisiológicos e nascimento.

Obesidade
Gordura como barreira contra mundo hostil. Raízes perinatais: MPB II, com desejo de desaparecer.

Tanatofobia
Medo da morte com ansiedade vital. Raízes perinatais: Ameaças à respiração no nascimento.
Artigos relacionados:
Dominio perinatal do insconsciente.Uma interpretação perinatal de experiências de quase morte.Cartografia ampliada da psique humana.

Talassofobia 
Medo patológico do fundo do mar,  é o medo intenso, persistente e irracional de grandes massas de água, águas profundas, escuras ou do que habita o desconhecido oceânico. 
Raízes perinatais ligadas a Matriz Perinatal 2, ligadas ao engolfamento cósmico e sensação de insignificância frente ao cosmo infinito e desconhecido. 



Para otimizar sua saúde mental e explorar terapia transpessoal, consulte um psicólogo especializado em Grof. 

Compartilhe este glossário se ajudou! Palavras-chave: psicologia transpessoal, Stanislav Grof, trauma perinatal, estados holotrópicos, MPB.

Curador Interno - Inner Healer




A teoria de Stan Grof é baseada totalmente nas suas pesquisas clínicas de laboratório. 

Estas, realizadas desde os anos 1960, inicialmente com a substãncia recém-sintetizada em laboratório LSD, pela Sandoz na Suíça, e posteriormente, com técnicas de alteração da consciência sem drogas, como a Respiração Holotrópica (tm) e o Renascimento.





Inicialmente nomeada de "Integração Holonômica" e por fim "Respiração Holotrópica", essa técnica utiliza o conceito de "curador interno" (inner healer, em inglês).

Trata-se da capacidade intrínseca de cura da consciência, presente tanto nos estados ampliados, quanto nos estados comuns do dia-a-dia.

Tem a função de trazer à consciência os conteúdos (sensações,imagens, situações, emoções, memórias, insights) para serem reconectados à totalidade da mesma. 


O "Curador Interno" funciona como um "radar", que seleciona conteúdos
de maior relevância para ficarem totalmente conscientes



O "curador interno" está acessível a todas as pessoas, em graus diferentes de manifestação. Recomenda-se atenção e percepção das informações que esse aspecto está sempre disposto a nos mostrar.

Essencialmente, significa que todas as situações da nossa vida são oportunidades de cura de nossos sofrimentos, desde que elas sejam compreendidas como tal, ao invés de castigos ou coincidências que cruzam a nossa existência.

No dia-a-dia, situações que nos provocam reações conhecidas, na verdade, podem nos revelar muito a respeito de nós mesmos, se observarmos nossas reações de um modo "objetivo", sem julgamentos pré-definidos de valor. 

Nossa educação tradicional nos direciona a olhar para os objetos e o mundo externo, e encarar nossas reações como consequências diretas do mundo externo. Além disso, não somos ensinados a observar a nós mesmos de modo semelhante ao que fazemos com os objetos externos, mas isso também é possivel com práticas de meditação, contemplação, relaxamento e hipnose, para citar algumas. 

A meditação permite aprimorar o olhar para dentro de nós mesmos,
e trazer a consciência para o momento presente.


Nas sessões de Respiração Holotrópica (tm) e Renascimento, a percepção do fluxo de consciência fica mais fácil de ser observada, em função da sua ampliação, e da consequente ação de mecanismos de cura, como o "curador interno", que torna-se o centro das atenções, pois o foco da mente está voltado para o mundo interior.

O conceito de "curador interno / inner healer" devolve às pessoas seu poder de auto-realização e autoconhecimento, se promovido num ambiente de respeito e apoio incondicionais ao que cada pessoa revela de si mesma no mundo.

A função do terapeuta é a de facilitador do movimento de cura que já está ocorrendo, até que este processo se complete, e a pessoa seja capaz de existir no mundo sem o acompanhamento do terapeuta.

COEX - Aplicada à vida cotidiana

" Ao invés de dizer que temos 59 questões e dificuldades na vida, somos capazes de reconhecer que existem 5 ou 6 padrões de emoções"

É uma abreviação em inglês para “COndensed EXperiences”. Em português, Experiências Condensadas, refere-se ao conceito utilizado por Stanislav Grof, que define como as memórias são organizadas na consciência.


Todos os conteúdos existentes na consciência, sejam memórias, fantasias, sensações físicas, traumas psicológicos e físicos, auto-imagens, papéis, etc... estão organizados em COEX. Trata-se de um princípio básico que, ao mesmo tempo simplifica, e amplia o olhar para a consciência, e o modo humano de estar no mundo. Os domínios da consciência, o biográfico, matrizes perinatais e o transpessoal têm como base a COEX.



Quando entramos numa psicoterapia experiencial, seja por meio de terapia corporal reichiana ou bioenergética, Psicodrama, Gestalt, Respiração Holotrópica (TM), ou ainda, por meio de meditação profunda, yoga, hipnose, EMDR, sonhos noturnos ou sonhos lúcidos, e substâncias psicodélicas, o sistema COEX é ativado.

Esse sistema está diretamente ligado a um outro princípio intrínseco de cura da consciência, que Grof denomina "Radar Interno". O radar é responsável pela escolha daqueles elementos que serão trazidos à consciência para transformação e cura. 


O sistema COEX é não-linear e holográfico. Quando se entra em contato com o domínio biográfico, ou seja, a história pessoal, os conteúdos trazidos à consciência não aparecem de maneira linear e cronológica. O mesmo ocorre quando acessamos o domínio das matrizes perinatais (do nascimento biológico), e com as experiências transpessoais. A emergência dos conteúdos à consciência ocorrem de acordo com o sistema de radar interno e com as COEX.

O sistema COEX é extremamente pessoal e individual, cada pessoa é única, assim como suas maneiras de estar no mundo, de perceber a si mesma e a realidade.


Durante o dia-a-dia, não nos damos conta desse radar, mas ele também está funcionando, da mesma forma que as COEX. 


Usando um exemplo, uma COEX de culpabilidade contém todas as experiências de vida de uma pessoas nas quais ela se sentiu culpada, no sentido negativo. Assim como todas as fantasias,onde ela também se sente culpada. E as sensações físicas que a culpa desencadeia em seu corpo, como aperto no peito, dores de cabeça, etc. Inclui também experiências do nascimento biológic, e possíveis experiências transpessoais, relacionadas com a COEX.

Essa divisão entre memórias reais e fantasias podem estar misturadas, num grupo geral de situações ou memórias, e isso não tem importância para o reconhecimento da COEX. O fundamental é poder reconhecer os padrões de experiências, sejam elas reais ou imaginárias.

Dessa forma, os nossos problemas ou questões da vida se reduzem em número, e podem ser trabalhadas com mais facilidade. Ao invés de dizer que temos 59 questões e dificuldades na vida, somos capazes de reconhecer que existem 5 ou 6 padrões de emoções, ou seja, COEXes que regem a nossa vida, nossas escolhas e nosso modo de perceber o mundo, e a nós mesmos.

Qual Tempo Você Segue?

Parece ser tão fácil e tão óbvio perder-se na correria do dia-a-dia, que só quando nos sentimos cansados ou ficamos doentes, esse ritmo acelerado se mostra pouco favorável para a nossa integridade física e emocional.

As férias estão aí, e o seu ritmo continua o mesmo: "Para onde vamos agora? O que temos que fazer hoje?"

Muitas vezes podemos sentir que ainda não chegamos onde deveríamos estar, que o tempo está passando e não conseguimos acompanha-lo bem. Cumprimos uma lista de atividades pendentes, e logo aparecem outras, em pouco tempo. Certas coisas se repetem todos os dias, todo mês, a cada semestre.

É importante nos perguntarmos sobre o motivo (por quê) e o sentido (para quê) de nosso ritmo acelerado, de nossa correria. Será realmente necessário correr o tempo todo? Quem sabe ao correr não estamos fugindo de algo ou alguém? Podemos estar fugindo de nós mesmos, de alguma verdade a nosso respeito, de responsabilidades conosco? Ou estamos correndo atrás de alguma coisa ?

Se estamos correndo por causa do mundo que nos exige isso, estamos condicionados pela pressa e pela falta de tempo. Correr não é um problema. Quando só fazemos isso, e tudo é realizado correndo, mesmo quando não existe uma demanda real, então é só uma questão de tempo, vamos ser obrigados a parar. E depois, recomeçar com um novo ritmo, talvez, mais adequado.

Como é o seu ritmo? É rápido, calmo, na maioria das vezes tem pressa, ou é devagar? Você costuma planejar todos os passos do que vai fazer, ou deixa as coisas seguirem o seu curso? Precisa controlar muitas coisas? São perguntas que ajudam a saber um pouco sobre o seu ritmo de lidar com as coisas.

Conseguimos fazer tudo que precisava naquele dia, ou só uma parte ? Será que não estamos nos iludindo, achando que temos tanta organização assim?

Podemos ter uma exigência grande demais, mais do que podemos. Queremos mostrar aos outros (ou a nós mesmos) que somos capazes de fazer milhares de coisas num mesmo dia, mesmo que isso sacrifique a nossa saúde.

Outra coisa que ajuda, é dar-se conta da velocidade e da quantidade de pensamentos durante o dia. Nossa mente é muito rápida, tem a velocidade da luz, nossa imaginação ultrapassa barreiras. Ficar ligado só na nossa cabeça, nos pensamentos, imaginação, só é bom até certo ponto. Deixando o corpo parado ou mal treinado é um risco, e não reconhecendo os limites físicos, não sabemos quando é hora de parar ou desacelerar.

Muita gente vive numa dualidade, onde ora a mente predomina, ora o corpo predomina. Fica complicado, o corpo faz parte de nós, tem uma sabedoria, não está errado ou atrasado. Ele exige atenção e cuidados, respeito e carinho do proprietário. Ele não é igual à mente, que já está a mil quilômetros de distância dele, ou no momento seguinte dali.

A questão principal é focar a atenção, a consciência, no momento presente, pois é aqui que nos encontramos. No presente temos a pressa, a antecipação do futuro, o coração acelerado, a respiração tensa e curta, as unhas roídas, a preocupação e exigência de nós mesmos.

Consciência do próprio corpo, e não apenas trabalhar o corpo, é o que conta. Não é simplesmente fazer ginástica, trabalhar os músculos, pedalar na ergométrica enquanto lemos o jornal. É preciso usar a percepção que temos de nós mesmos para incluir o corpo, conhecer o seu ritmo, as suas capacidades, os seus limites, o que ele quer nos mostrar. A psicoterapia pode ajudar a fazer essa integração dos sentimentos e sensações físicas à consciência, ela é um caminho. A meditação, buscar relações e interesses novos, ir contra os condicionamentos, evitando seguir sempre o mesmo “caminho” conhecido, entre outras práticas, podem ser bem úteis para que estejamos mais presentes no aqui-agora.

Podemos reconhecer que as situações onde estamos são abertas às nossas escolhas, em todos os momentos, e não somos meros espectadores da vida, nem escravos de uma vida homogênea e estática.

Trabalho Corporal em Psicoterapia


" A postura do terapeuta durante toda a sessão é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa...."

Este texto tem como objetivo descrever a modalidade de terapia corporal, para as pessoas que não a conhecem e tenham interesse em  saber algumas informações básicas.

A psicoterapia corporal é um tipo de terapia onde ocorre não apenas interação verbal entre o paciente e o terapeuta. Mas onde, também, existe o contato do paciente com seu próprio corpo, através de introspecção, do toque, de relaxamento, meditação, de posturas e técnicas corporais específicas.


"Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo."

Uma maneira possível de contato com o próprio corpo é através de um relaxamento inicial, e onde ocorre contato verbal com o terapeuta, em intervalos de tempo, entre os momentos de introspecção. Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo. A postura do terapeuta, durante toda a sessão, é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa.

Um dos princípios que dão base a esse tipo de trabalho é o contato com experiências profundas com potencial de cura e liberação de tensões e emoções bloqueadas.

Esse modo de trabalho promove um aprofundamento das emoções e das sensações, gerando alívio e descarga das tensões, num nível diferente de uma terapia verbal. A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. Como existe um olhar voltado para si mesmo, a consciência consegue trabalhar com capacidade ampliada, e com potencial de cura expandido. Utiliza-se o método fenomenológico, que é o da intensificação da experiência, de um modo não-diretivo.

" A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. "

Durante as sessões, as pessoas ficam conscientes, mais ligadas no que acontece com elas mesmas, tendo oportunidade de compreender de maneira intuitiva e dinâmica como podem ajudar a melhorar suas vidas, e resolver seu sofrimento. Quando ocorre esse tipo de descoberta a respeito da sua própria vida, e de como cada um pode melhorar, existe um contato com uma sabedoria interior presente em cada um de nós, mas muitas vezes esquecida, por estarmos olhando para fora de nós. Esse encontro com a sabedoria interior é livre e independente de crenças religiosas,ou dogmas.

 


As sessões podem durar desde 50 minutos até 2 ou 3 horas. O ideal é que haja todo o tempo disponível, e um local que permita expressão corporal com total liberdade.

Além da Psicanálise - Stanislav Grof

Além da Psicanálise - Stanislav Grof
O Futuro da Psiquiatria:
Desafios conceituais para a Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapia

O trabalho clínico com formas variadas de poderosas psicoterapias experienciais e com substâncias psicodélicas trouxe incontestáveis evidências que a imagem freudiana da psique é extremamente superficial. Pessoas experienciando profunda regressão experiencial com o uso destas novas técnicas rapidamente se movem para além das memórias da infância e alcançam o nível da sua psique que contém os arquivos de memórias traumáticas do nascimento biológico.

Nesse ponto, se encontram com emoções e sensações físicas de extrema intensidade, frequentemente ultrapassando qualquer outra coisa considerada como possibilidade humana. As experiências originadas nesse nível da psique representam uma estranha mistura de um encontro destrutivo com a morte e a luta para nascer.

-- Stanislav Grof, M.D., H. R. Giger and the Soul of the Twentieth Century

Resumo

Pesquisas modernas de estados holotrópicos (um grande sub-grupo de estados incomuns de consciência), como psicoterapia experiencial, trabalho clínico e laboratorial com substâncias psicodélicas, antropologia de campo, tanatologia e terapia com indivíduos passando por crises psico-espirituais ("emergências espirituais"), gerou uma gama de extraordinárias observações que minaram algumas hipóteses muito fundamentais da moderna psiquiatria, psicologia e psicoterapia. Algumas dessas descobertas desafiam seriamente os princípios filosóficos da ciência ocidental, no que diz respeito à relação entre matéria, vida e consciência. Este artigo resume as mais importantes e grandes revisões que teremos de revisar a respeito do nosso entendimento de consciência e de psique humana, na saúde e na doença, para acomodar tais desafios conceituais:

1. Ao contrário da ciência acadêmica, o "programa" da psique humana não se limita à biografia pós-natal e ao inconsciente individual freudiano. A psique humana individual inclui duas importantes dimensões adicionais - o domínio perinatal, estreitamente relacionado ao trauma do nascimento, e o domínio transpessoal, a fonte das experiências que transcendem o ego-corporal - e essencialmente se iguala à toda a existência.

2. As desordens emocionais e psicossomáticas de origem psicogênica não podem ser explicadas adequadamente a partir de eventos pós-natais traumáticos; elas têm importantes raízes perinatais e transpessoais. Por essas razões, uma psicoterapia efetiva precisa incluir estes domínios trans-biográficos, e não pode se limitar ao trabalho do material da vida pós-natal.

3. Além de lidar com o material biográfico, que é de costume nas variadas escolas psicoterápicas do Ocidente, os estados holotrópicos oferecem poderosos mecanismos de cura que estão disponíveis nos níveis perinatal e transpessoal da psique humana, tais como o reviver do nascimento biológico e a experiência de morte e renascimento psico-espiritual, experiências de vidas passadas, sequências arquetípicas, episódios de unidade cósmica, e outros.

4. Estados holotrópicos, espontâneos ou induzidos mobilizam forças curativas intrínsecas ao organismo. Se adequadamente suportadas e apoiadas, podem resultar em cura emocional e psicossomática, tranformação positiva da personalidade e evolução da consciência. Elas oferecem possibilidades terapêuticas radicalmente diferentes e superiores dos esforços convencionais, de racionalmente entender as dinâmicas das desordens, e tratá-las através de intervenções da psicoterapia verbal, que refletem a crenças de variadas escolas de psicoterapia.

5. Espiritualidade na forma genuína é uma legítima e importante dimensão da existência, e é incorreto dispensá-la como um produto da ignorância, superstição, pensamento mágico primitivo ou patologia. Experiências místicas não devem ser vistas como indicação de doenças mentais, mas como manifestações normais e muito desejáveis da psique humana, com extraordinários potenciais de cura e transformação.

6. Muitas das experiências em estados incomuns de consciência desafiam seriamente não apenas as teorias atuais da psiquiatria, mas também suposições filosóficas básicas da ciência ocidental materialista, no que diz respeito à natureza da realidade e a relação entre matéria e consciência. Sob a luz das novas descobertas, a consciência não é um produto de processos neurofisiolóicos do cérebro, mas um aspecto fundamental da existência, mediado pelo cérebro, mas não produzido por ele.

Potenciais curativos e heurísticos das experiências holotrópicas

A fonte das observações exploradas nesse artigo foi um estudo sistemático de longa-duração do que a psiquiatria acadêmica chama estados “alterados” ou “estados incomuns de consciência.” O foco principal dessa pesquisa foram as experiências que representam uma fonte útil de dados sobre a psique humana e as que tem um potencial transformador e evolucionário. Para esse objetivo, o termo “estado incomum de consciência” é genérico demais; pode incluir um grande espectro de condições que não nos interessam ou são irrelevantes nesse ponto.

A consciência pode ser profundamente alterada por uma variedade de processos patológicos – traumas cerebrais, intoxicações por venenos, infecções, ou processos degenerativos e circulatórios no cérebro. Tais condições pode resultar em profundas alterações mentais que seriam incluídas em uma categoria de “estados incomuns de consciência”. Entretanto, eles causam “delíros triviais” ou “psicoses orgânicas”, estados associados a desorientação geral, suas funções intelectuais ficam significativamente danificadas e tipicamente sofrem de amnésia após suas experiências. Essas condilções são muito importantes clinicamente, mas são irrelevantes para nossa discussão.

Esse artigo sintetiza observações enfocando um grande e importante sub-grupo de estados incomuns de consciência, para o qual a psiquiatria contemporânea não tem um termo específico. Cheguei à conclusão que, pelas suas características próprias, merecem serem diferenciadas do resto e colocadas numa categoria especial. Por essa razão, criei o nome holotrópico. Essa combinação literalmente significa “orientado para a totalidade / inteireza” ou “indo em direção à totalidade / inteireza” (do grego holos = totalidade / inteireza e trepein = indo em direção a algo). O sentido completo desse termo e a justificativa para tal uso ficarão claros em breve nesse artigo. O nome sugere que em nosso estado comum de consciência estamos fragmentados e identificados com uma pequena fração do que realmente somos.

Nos estados holotrópicos, a consciência se altera qualitativamente de uma maneira profunda e fundamental, mas não da mesma maneira que as psicoses orgânicas ou delírios triviais. Nosso campo de consciência pode ser invadido por conteúdos de outras dimensões da existência, que podem ser muito intensas e até mesmo avassaladores. Ao mesmo tempo não perdemos contato com a realidade diária. Estados holotrópicos se caracterizam por uma mudança específica na consciência associada à mudanças dramáticas em todas as áreas sensoriais, emoções intensas e incomuns, profundas alterações nos processos de pensamento. São também acompanhadas de uma variedade de manifestações psicossomáticas intensas, e formas incomuns de comportamento.

O conteúdo dos estados holotrópicos costuma ser espiritual ou místico. Podemos experienciar sequências de morte e renascimento e um variado espectro de fenômenos transpessoais, como sentimentos de união e identificação com outras pessoas, natureza, universo, e Deus. Podemos desvendar o que parecem ser memórias de outras encarnações, encontros poderosos com figuras arquetípicas, nos comunicarmos com seres desencarnados e visitar numerosas paisagens mitológicas. Nossa consciência pode se separar do nosso corpo e ainda assim reter sua capacidade de perceber o ambiente imediato e locações remotas.
A psiquiatria ocidental está ciente da existência dos estados holotrópicos mas, por causa do seu estreito quadro referencial limitado à biografia pós-natal e ao inconsciente individual freudiano, eles não têm explicações coerentes para eles. Eles vêm tais estados como patológicos produtos do cérebro, sintomas de doença mental severa, psicose. Essa conclusão não se sustenta em descobertas clínicas e é no mínimo, altamente problemática. Ao se referir a tais condições como “psicoses endógenas” pode parecer impressionante para alguém leigo, mas demonstra ignorância profissional no que diz respeito à etiologia de tais condições.

É difícil imaginar como um processo patológico afetando o cérebro poderia produzir um rico e intrincado processo de experiências holotrópicas, envolvendo fenômenos de sequência de morte e renascimento espiritual, encontros com seres arquetípicos, visitas a campos mitológicos, sequencias de vidas passadas de outras culturas, ou visões de discos voadores e sequestros (abduções) por alienígenas. Além disso, um estudo cuidadoso da natureza dessas experiêncis e as informações que elas trazem contradizem diretamente tal intepretação patológica. Uma das funções desse texto é explorar o estado ontológico das experiências holotrópicas e demonstrar que são fenômenos sui generis – manifestações normais da psique humana com um enorme potencial de heurístico e de cura.

Culturas antigas e aborígenes passaram muito tempo e usaram muita energia desenvolvendo técnicas poderosas de alteração da mente que induzem estados holotrópicos. Essas “tecnologias do sagrado” agregam de várias maneiras canto, respiração, tambores, dança rítmica, isolamento social e sensorial, dor física extrema, e outros elementos (Eliade 1964, Campbell 1984). Muitas culturas usaram plantas contendo alcalóides psicodélicos (Stafford 1977, Schultes e Hofman 1979).
ltes and Hofmann 1979).
Famosos exemplos dessas plantas são variedades de maconha, cogumelos “mágicos”, o cacto mexicano peyote, pós caribenhos e sul-ammericanos, planta africana eboga, e Banisteriopsis caapi da selva amazônica, fonte do yagé ou ayahuasca. Secreções da pele de alguns animais e a carne do peixe do pacífico Kyphosus fuscus.

Facilitadores adicionais de experiências holotrópicas são variadas formas de prática espiritual envolvendo exercícios de meditação, concentração, respiração e movimentos usados em diferentes sistemas de yoga, Vipassana ou Zen Budista, Vajrayana Tibetana, Taoismo, misticismo cristão, sufismo, ou cabala. Outras técnicas usadas em mistérios antigos de morte e renascimento, como iniciações do templo egípcio de Isis e Osiris e o Grego Bacchanalia, ritos de Attis e Adonis, e os mistérios Elêusios. As especificidades dos ritos secretos continuam desconhecidos, mas é possível que preparações psicodélicas tenham tido uma participação importante nesses ritos (Wasson, Hofmann, e Ruck 1978).

Meios modernos de indução de estados holotrópicos de consciência são os princípios ativos de plantas psicodélicas (mescalina, psilocibina, derivados da triptamina, harmalina, ibogaína, cannabinóis, e outros), substâncias sintéticas (LSD, anfetaminas e quetamina) (Shulgin e Shulgin 1991), e formas poderosas de psicoterapia, como hipnose, técnicas neo-reichianas, terapia primal e renascimento. Minha esposa Christina e eu desenvolvemos a respiração holotrópica, um método poderoso de facilitar estados holotrópicos de maneiras muito simples – respiração consciente, música evocatica e trabalho corporal focalizado (Grof 1988).

Existem meios eficientes de alteração de consciência em laboratório. Uma destas é isolamento sensorial, que envolve a redução de estímulos sensoriais básicos. Nessa forma de privação sensorial, ocorre a submersão do corpo em um tanque escuro onde o corpo flutua em água com temperatura corporal (Lilly 1977). Outra técnica conhecida de laboratório de alteração de consciência é o biofeedback, onde o indivíduo é guiado por sinais eletrônicos a estados incomuns de consciência, levando em conta certas frequencias de ondas cerebrais (Green e Green 1978). Podemos citar também as técnicas de sono e privação de sonhos e sonhos lúcidos (LaBerge 1985).

Vale apontar que estados holotrópicos de duração variada podem ocorrer também espontaneamente, sem uma causa aparente, e normalmente contra a vontade da pessoa envolvida. Como a psiquiatria moderna não diferencia os estados místicos e espirituais das doenças mentais, muitas pessoas nesses estados são muitas vezes consideradas psicóticas, são hospitalizadas e recebem tratamento com remédios supressores farmacológicos. Minha esposa e eu vemos esses estados como crises psicoespirituais ou “emegências espirituais”. Acreditamos que quando são adequadamente apoiadas e tratadas, podem resultar em cura emocional e psicossomática, transformação positiva da personalidade e evolução da consciência. (Grof e Grof 1989, 1990).

Culturas antigas e pré-industriais consideravam os estados holotrópicos como de alta importância, praticavam eles regularmente em contextos socialmente regrados, e dispendiam muito tempo e energia desenvolvendo técnicas seguras e eficazes de induzir tais estados. Foram os veículos principais das suas vidas rituais e espirituais, como uma comunicação direta com os domínios arquetípicos de deidades e demônios, forças da natureza, reino animal, e o cosmos. Outros usos envolviam diagnósticos e curas de doenças, desenvolvimento da intuição e percepção extra-sensorial, obtenção de inspiração artística, e com objetivos práticos, como encontrar objetos e pessoas perdidas. De acordo com o antropólogo Victor Turner, o compartilhar em grupo ajuda também na união da tribo e tende a criar um senso de profunda conexão (communitas).

A psiquiatria e psicologia ocidentais não enxergam os estados holotrópicos (exceto os sonhos que não são recorrentes ou assustadores) como potenciais fontes de valiosas informações sobre a psique humana e sobre cura, mas basicamente como fenômenos patológicos. Clínicos tradicionais usam indiscriminadamente nomes patológicos e medicação supressiva sempre que tais estados ocorrem espontaneamente. Michael Harner, antropólogo de boa base acadêmica, que passou por uma iniciação e prática xamânica durante o seu trabalho de campo na selva amazônica, sugere que a psiquiatria ocidental se divide em pelo menos dois significativos modos (Harner 1980).

É etnocêntrica, o que significa que se considera como a única correta e superior forma de ver a psique humana e a realidade, em comparação a todos os outros grupos. Dessa perspectiva, experiências e comportamentos de onde não existe explicação psicanalítica ou comportamentalista, são vistas como doença mental. De acordo com Harner, a psiquiatria ocidental também é “cognocêntrica” (uma palavra mais precisa seria “pragmacêntrica”), indicando que leva em consideração apenas experiências e observações dos estados comuns de consciência. O desinteresse da psiquiatria pelo estados holotrópicos resultou em uma visão de mundo insensível e com tendência a patologizar todas as atividades que não sejam compreendidas no estreito contexto do paradigma materialista monista. A vida ritual e espiritual das culturas antigas e pré-industriais e a história espiritual da humanidade inteira estão incluídas nessas atividades patologizadas.

Se estudarmos sistematicamente as experiências e resultados associados com os estados holotópicos, passamos a ter, inevitavelmente uma revisão radical de nossas idéias mais básicas sobre a consciência e a psique humana, assim como uma nova visão da psiquiatria, psicologia e psicoterapia. As mudanças que teremos de fazer em nossa maneira de pensar se abrem em grandes categorias:

1. Nova compreensão e cartografia da psique humana.
2. A natureza e arquitetura das desordens emocionais e psicossomáticas.
3. Mecanismos terapêuticos e o processo de cura.
4. Estratégias de psicoterapia e auto-exploração.
5. A natureza da realidade.