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Psicoterapia através do convênio ou plano de saúde

O cidadão possui um benefício de livre escolha do profissional que irá atendê-lo.

Trata-se do Reembolso , uma prática que tem sido um pouco mais difundida por alguns planos de saúde.

Apesar de ser menos lucrativa para o convênio, ela traz benefícios para o cidadão e cliente dos convênios.

Dentre a vantagem, está a possibilidade de escolher qualquer profissional de saúde para atendê-lo, mesmo que este seja um psicólogo ou médico particular.

Os planos de saúde são obrigados por lei a oferecer o reembolso de 40 sessões de psicoterapia por ano.

De acordo com as Resoluções Normativas da ANS nº 211 de Junho de 2010 e nº 338 de Outubro de 2013, a Psicoterapia passou a ter cobertura ampliada para 40 (quarenta) CONSULTAS POR ANO .

Portanto, os clientes devem entrar em contato com seu plano de saúde, citar essas Resoluções e saberem os procedimentos específicos do seu convênio para solicitação de reembolso do valor pago nas consultas de psicoterapia.

Telefones:

Bradesco Saúde: 11 4004-2700.
SulAmérica Saúde: 11 4004-5900

Para ter direito ao reembolso, são exigidos alguns requisitos e documentos:

1) VALOR DO REEMBOLSO DO SEU CONVÊNIO OU PLANO DE SAÚDE: a maioria dos convênios ou planos de saúde reembolsam os valores totais ou parciais.

O valor exato dependerá dos procedimentos cobertos pelo seu plano e dentro dos limites contratuais.

Entre em contato com o seu plano de saúde e solicite informações sobre o valor.

Se o convênio solicitar um orçamento emitido pelo psicólogo, onde conste o valor da consulta, solicite diretamente ao psicólogo.

2) ENCAMINHAMENTO MÉDICO: A maioria dos convênios ou planos de saúde solicitam o encaminhamento de um médico.

Marque uma consulta com um médico de sua preferência (pode ser de qualquer especialidade) e solicite um encaminhamento ao psicólogo.

O médico pode ser do seu próprio plano de saúde ou até mesmo um médico particular.

O documento de encaminhamento que o médico vai lhe fornecer é bastante simples e eles já estão bastante habituados a elaborá-lo.

3) LOCALIZE UM PSICÓLOGO: Busque psicólogo de sua preferência.

Agende a sua consulta com o psicólogo: saiba o valor das consultas e agende a consulta.

4) A CONSULTA COM O PSICÓLOGO: Realize a primeira consulta com o psicólogo.

Durante a sua primeira consulta, informe que você tem plano de saúde e solicite o Relatório do Psicólogo e o Recibo do valor pago.

O psicólogo vai elaborar os documentos nos moldes que o seu plano de saúde.

5) REEMBOLSO DE FATO: obter reembolso dos valores pagos ao psicólogo.

Encaminhe ao plano de saúde os documentos mencionados acima.

DÚVIDAS?

Ligue no telefone 11 94852-1990 ou 11 3865-7557. Atendemos aos telefonemas das 7hs às 21hs.

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Biotipologia Aplicada à Transpessoal

A partir do estudo da Transpessoalidade, fui me aproximando de disciplinas que compreendem o Humano em sua inteireza, bio-psiquica-social-sagrada.

Cheguei até a Biotipologia, uma metodologia que é uma abertura na compreensão integral e holística.

Ao olhar a constituição pessoal, ela se ocupa de cuidar do indivíduo e vai além dos sintomas ou doenças.

Quando olhamos para os sintomas, estamos concentrados na ponta final do fenômeno. Focar na constituição como princípio organizador da saúde física e mental, incluímos o indivíduo na equação.

A compreensão da Biotipologia traz para o indivíduo vários resultados:

1 -  Amplia e refina a noção de Identidade (Quem sou , De onde venho, Para onde vou, De qual grupo faço parte)

- A Identidade constitui a responsabilidade e a escolha de hábitos e grupos, com os quais cada pessoa se identifica.

- O cuidador ou terapeuta que utiliza a Biotipologia, ao inclui-la em seu método pessoal, torna-se mais "preciso" - ou seja, é capaz de entender melhor os seus pacientes e adquire uma compreensão íntima das experiências de equilíbrio ou desequilíbrio, que cada pessoa vive.

A Biotipologia pode servir como referência de grupo e refinar a noção de Identidade.

Atualmente uma pessoa se identifica com a sua família, que tem base na noção de povo ou cultura - Oriental, Ocidental, Européia, Africana, Americana, Latina, e assim por diante.

Dentro de cada grupo, é natural a existência de diferenças individuais, que nem sempre são respeitadas e compreendidas.

Na Biotipologia existem quatro grupos:
Água ou Renal;
Madeira ou Hepático;
Fogo ou Sanguíneo, e
Metal ou Pulmonar.

É muito mais preciso o conceito de biotipo, uma vez que requer prática e pesquisa clínica, os resultados são extremamente positivos e duradouros.

Ao se identificar o grupo do qual o indivíduo faz parte, torna-se possível pensarmos em Longevidade e Equilíbrio, levando a sociedade a um estado de bem estar elevado e pleno.

Isso traz resultados inusitados e de mudança nos conceitos de saúde pública, de planos de saúde, acompanhamento médico, psiquiátrico e psicológico.

Também observa-se uma enorme mudança nos conceitos de vício e uso de drogas. Uma vez que se conhece alimentos e ingredientes que conduzem ao equilíbrio, abandonamos a ideia de vício, que se traduz em consumir substâncias que levam ao desequilíbrio, e que não trazem satisfação nem plenitude.

Psicoterapia Transpessoal Aplicada

A Psicoterapia Transpessoal fundamenta-se nos princípios de Ética, do Humanismo e da Saúde Integral.

A Saúde Integral parte do pressuposto de que cada pessoa é um todo , que é indivisível e funciona de maneira integrada.

Mente, corpo e espírito são referências que possuem uma função didática e conceitual.

Na prática, observamos apenas uma pessoa, apenas um sintoma e apenas um movimento de evolução ou escolha.

Na teoria, dividimos tudo em vários sintomas, uma série de escolhas e "insights", e criamos uma grande dicotomia.

Sempre é fundamental lembrar que o Mapa é diferente do Território.

Para trabalhar de maneira a proporcionar a Evolução e o Equilíbrio, consideramos que cada pessoa se manifesta de modo único e pessoal.

Isto requer uma base expandida de trabalho, qur orienta as ações do profissional, em direção à Liberdade e à Responsabilidade pelas escolhas das pessoas sob seus cuidados,


Utilizo os seguintes mapas ou bases da consciência:

Stanislav Grof, com o seu mapa da consciência, ao desvendar as relações entre o nascimento biológico e as matrizes perinatais. Matrizes 1, 2, 3 e 4.

As referencias reichianas das couraças musculares do caráter , ligadas às quatro matrizes - Masoquista (Matriz 2), Psicopata (Matriz 1), Compulsivo (Matriz 3) e Narcisista (Matriz 4).

Estas referências são ampliadas com a visão milenar da Biotipologia, que estuda os quatro biotipos humanos:

Renal - Elemento Água (Matriz 2)
Hepático - Elemento Madeira (Matriz 1)
Sanguíneo - Elemento Fogo (Matriz 3)
Pulmonar - Elemento Metal (Matriz 4).

A existência destes mapas facilita o trabalho de compreensão e de intervenção, para cada situação e contexto.

Ao mesmo tempo , revela toda a complexidade que constitui a existência humana, e afasta a simplicidade de receitas prontas e técnicas padronizadas , para alcançar o equilíbrio e autoconhecimento.

A prática transpessoal ocorre através da combinação de dois movimentos:

1) Na Integração ,que consiste na análise e assimilação das experiências vividas;

2) E na Vivência, que ocorre tanto dentro do contexto da clínica , através de meditação, escuta de si mesmo, verbalização, diálogo interno e externo, relaxamento muscular e mental , e sem dúvida , nas experiências cotidianas fora do contexto clínico.

A Psicoterapia é o movimento inteiro e único que engloba estas duas instâncias , igualmente importantes, para a evolução do indivíduo e da sociedade.

Metodologia Transpessoal - O Novo Nome

A mudança de nome do antigo Psicologia Transpessoal Aplicada, para Metodologia Transpessoal, reflete a natureza do trabalho transdisciplinar.

A Psicologia Clínica é sustentada pela linha Transpessoal, nas pesquisas clínicas e técnicas de expansão da consciência, fundamentadas pelo trabalho clínico do psiquiatra Stanislav Grof e da sua extensa colaboração como precursor da Psicologia Transpessoal.

Minha experiência de aprimoramento me conduziu, adicionalmente, ao estudo dos cinco elementos da Medicina Tradicional Chinesa, e da Caracterologia e Orgonomia de Wilhelm Reich.

O ponto comum entre todas as teorias e práticas é a Expansão da consciência, sob a perspectiva transpessoal, e que consiste no equilíbrio dos cinco sentidos e da percepção do mundo e de si mesmo.

Reich e a Caracterologia traz uma base sólida e acurada para trabalhar com as particularidades de cada pessoa.

O trabalho prático com  Respiração Consciente e Hiperventilação , são potencializados quando olhados sob uma ótica das couraças musculares , juntamente com uma visão integrada da Transpessoal .

Experiência Transpessoal - Parte 2

A experiência Transpessoal (Transpessoalidade) é aquela que é acessível a todas as pessoas, capaz de conduzir aos estados de transcendência e iluminação. 

Nem todos possuem informações e conhecem do que se trata uma experiência Transpessoal: A habilidade natural , e intrínseca, de restabelecer o organismo a um estado de equilíbrio e saúde, física , mental e espiritual. 

No senso comum, é atribuída apenas aos "especiais" ou "favorecidos". E o resultado foi uma transferência de poder de evolução, que é comum a toda a Humanidade, para aqueles poucos, mais poderosos e manipuladores.


O primeiro equívoco é acreditar que a Transpessoalidade requer um mérito e pureza pessoal ou moral elevada. Requer disponibilidade e conhecimentos sobre a natureza da mente e da consciência. 

O segundo equívoco é terceirizar esses fenômenos de cura, a líderes espirituais ou religiosos, curandeiros e místicos, retirando a responsabilidade pessoal pela saúde de cada indivíduo.





Seletividade

Observo a necessidade pessoal, cada vez maior, de aplicar uma capacidade seletiva em todas as minhas relações pessoais e profissionais.

Selecionar amizades (com quem gosto de trocar o quê);

Selecionar experiências, trocas e parcerias  (o quê, quando e com quem)

Selecionar o que "devoro" (imagens, notícias, fontes de informação e entretenimento)

Selecionar onde invisto minha energia e libido  (deveres , prazeres, recompensas, sexualidade, sociabilidade, família, hereditariedade )

Pois possuo uma dose limitada de ENERGIA física e mental.

Que é consumida com todas as relações que estabeleço no mundo.

É literalmente um INVESTIMENTO DE INTENÇÕES E ENERGIA PESSOAL, que é de minha inteira RESPONSABILIDADE.

Antonio Vaszken - Terapeuta Transpessoal e Psicoterapeuta corporal.

Despertar Consciencial


Observo e acompanho várias pessoas passando por um Despertar , ou o que outros atualmente denominam Saída da Matrix , em referência ao filme Matrix.

Fenômeno natural, e saudável, independente da nomenclatura que a pessoa tenha atribuído à sua experiência.

Toda pessoa tem uma necessidade vital e original de modificar o paradigma ou filosofia de vida no qual se encontra.

E isso é facilmente explicado somente após a  "virada" da chave, Despertar ou processo de Sair da Matrix.

A transição é dolorida e muitas vezes, confundida com uma patologia mental.

Mas isso apenas reflete que a própria filosofia de vida na qual a pessoa está inserida é patológica e doente. Ou nos termos psicológicos, Neurótica.

A Sustentabilidade psicológica, existencial e planetária requer mudanças de prioridades e  de visão de mundo e de homem.

E a maneira disponivel de potencializar e facilitar esta mudança, é de modo pontual e gradual, com uma pessoa de cada vez, que está em busca de autoconhecimento , ou atravessa alguma crise , seja ansiedade, depressão, pânico, fobia, ou perdas de emprego, de pessoas queridas , ou foi passou por alguma catástrofe ou violência.

Todas essas experiências, assim chamadas de traumáticas, e de grande sofrimento, carregam uma semente transformadora da visão de mundo e de realidade.

Promove um verdadeiro Reboot no sistema psíquico e consciencial , levando a pessoa a uma revolução interna, que pode e deve ser apoiada por um profissional qualificado.

Caso contrário, essa pessoa será sugada de volta ao velho e angustiante paradigma, que condena todos a uma prisão mental e conceitual.

Limitada ao próprio umbigo e mente individual.

A EXPERIÊNCIA TRANSPESSOAL


A experiência transpessoal pode ser descrita como aquela onde a pessoa está aberta e perceptiva aos aspectos individuais, coletivos e trans-individuais de sua identidade.

A experiência de estar consciente de toda a sua inteireza , de sentir , perceber e aceitar sua própria identidade total, caracteriza-se por um estado transpessoal.

A base desse tipo de experiência é uma expansão dos cinco sentidos, o que conduz a um estado de unidade da consciência.

Ser capaz de estar presente e atualizado com a existência que permeia todo o campo da realidade.

Um exemplo prático: estado de relaxamento profundo, onde o corpo se encontra absolutamente em repouso e imóvel. Enquanto a consciência fica desperta e atenta ao corpo e aos conteúdos da mente .
Ainda assim, a consciência não está presa ao corpo  (ela não é o corpo) e nem aos conteúdos mentais (ela não é a mente).

Trata-se de um estado induzido por uma técnica de relaxamento que tem suas raízes na Yoga, denominada Yoga Nidra.

Existem vários meios de se induzir esses estados transpessoais, sendo altamente terapêuticos e evolutivos.

Afinal de contas, são mecanismos naturais de cura e reparação do próprio ser.

Quatro Insights das Pesquisas da Consciência



Stanislav Grof, um psiquiatra visionário e pesquisador da consciência humana, foi capaz de desvelar um importante mapa que traduz a estrutura psíquica da humanidade.


Suas pesquisas clínicas de mais de 50 anos de prática com estados modificados de consciência, trazem insights valiosos para a prática psicoterapêutica - tanto nos workshops vivenciais quanto na psicoterapia de divã.


Insight Um - O paciente é o especialista na sua experiência. Por mais phd que seja o psicólogo ou psiquiatra, as maiores e mais relevantes informações estão presentes no corpo e na consciência do paciente, e não na bagagem do médico.


Insight Dois - A consciência possui uma dinâmica de autocura , orientada para a totalidade,  denominada de curador interno ou radar interno. Esse princípio é atuante 24 horas por dia, independente da vontade do indivíduo. E pode ser intensificado através de técnicas e práticas de expansão da consciência e autoconhecimento.


Insight Três - A consciência é Anima Mundi e não se restringe especificamente ao cérebro. O conceito de que a consciência é uma caixa preta isolada do tecido da existência é ultrapassado e improdutivo. Modelos modernos do funcionamento de redes neuronais e inteligência artificial baseiam-se na interatividade com o ambiente e variáveis multi fatoriais, que consideram a teoria do Caos.


Insight Quatro - O significado e o sentido da vida está no emaranhado de todas as células do organismo, desde a sola do pé até os fios de cabelo. Isto traz implicações revolucionárias, que ampliam o conceito de equilíbrio e evolução do Ser a níveis integrais - tanto física quanto consciencial. Conhecimentos a respeito da formação e da superação de traumas e distúrbios psicossomáticos incluem os traumas físicos como igualmente relevantes para a compreensão da saúde mental, e o oposto sendo igualmente verdadeiro - traumas psicológicos interferem na qualidade do funcionamento biológico e orgânico.



Autor - Antonio Vaszken Dichtchekenian
Pós graduado em Psicologia Transpessoal Aplicada , especialista na metodologia de Stanislav Grof. Pesquisador de tecnologias de expansão da consciência. Psicólogo e terapeuta transpessoal.

Corpo e Psicoterapia


Como seria possível utilizar o corpo como um veículo de autoconhecimento e felicidade?


Uma metodologia baseada no conhecimento intrínseco presente nas células e tecidos do corpo.

Sendo esse mesmo conhecimento traduzível em comportamentos aplicáveis e voltados para a qualidade de vida e evolução do ser.


O primeiro estágio de conhecimento é Empírico - são informações técnicas e de caráter informativo. Servem apenas como uma preparação e aproximação suave das informações, no nível generalizado.


O segundo estágio é Seletivo - ocorre o foco e a concentração em um único elemento, a partir da escolha subjetiva ou contextual. Depois da visão geral trazida à tona no primeiro estágio, é o momento de começar com algum ponto específico.


O terceiro estágio é Sentir e Expressar o elemento que foi selecionado no estágio anterior. Sentir é aproximar-se e identificar-se com o conteúdo totalmente. Expressar é permitir a manifestação do conteúdo em todas as formas e sentidos: visual, cinestésico, auditivo.


O quarto e último estágio é Integrar e Significar. Ser capaz de ampliar as antigas referências através da inclusão das novas informações que foram sentidas e vividas no terceiro estágio. Tornar inteiro novamente, o que antes era composto de parte e todo.


O autoconhecimento atravessa todos esses estágios, que ocorrem várias vezes seguidas, com todos os tipos de informações.

No caso da Psicoterapia Corporal, temos os conteúdos cinestésicos e dos cinco sentidos, enfatizados pelo contexto clínico e investigativo.

São perguntas como:
"O que você está sentindo agora?"
"Como esse sentimento se manifesta aqui e agora no seu corpo?"
"Qual imagem/som/cor/formato acompanha esse pensamento/discurso?"

Também enfatizo a atenção aos sentidos para dentro de si e a busca de informações (novos conteúdos ou novas maneiras de perceber conteúdos já conhecidos).

Reminiscências do Nascimento Biológico



As pesquisas clínicas com estados incomuns de consciência, através de práticas de meditação, mindfulness, terapia do Renascimento ou Rebirthing e Terapia Primal, são fundamentadas na visão Integral e Transpessoal da consciência.

Todas elas possuem em comum a constatação e os relatos dos participantes, em vários momentos da experiência, de serem capazes de acessar os registros do nascimento biológico.

Ainda que a medicina tradicional rejeite tal possibilidade, em função da ausência das bainhas de mielina no cérebro do feto, o que são responsáveis pelo registro cognitivo do nascimento biológico.

As pesquisas focadas nas práticas meditativas e expansivas, que utilizam a integração dos processos fisiológicos e cognitivos, através do que se chama Meditação e Atenção Plena ou Mindfulness, trazem a experiência de se aproximar e reviver o nascimento biológico, de modo parcial ou total.

Como ocorre este processo? É realmente possível?

Inicialmente, apenas a experiência pessoal pode comprovar a realidade dessas experiências.

Do ponto de vista teórico e intelectual, a discussão torna-se pouquíssimo produtiva, pois a base desses conhecimentos é empírica e clínica. 

A questão principal é compreender do que se trata o fenômeno: 

Seria uma regressão ao estado intra uterino e perinatal, ou fantasia, imaginação, sugestão, interpretação equivocada? Uma combinação de vários aspectos?

Cabe ao pesquisador engajado em responder a essas perguntas, antes de mais nada, observar os resultados clínicos dessas experiências na saúde física e mental dos sujeitos.

Os resultados têm sido positivos, quando a prática é realizada respeitando princípios de segurança e contexto clínico, com finalidades terapêuticas.

Os efeitos terapêuticos são duradouros, levando o indivíduo a encontrar as respostas para antigos questionamentos "De onde vim? Para onde vou? Quem sou eu?".

Percepção do mundo e de si mesmo a partir de uma perspectiva objetiva, além das frustrações, vaidade, ilusões e ideais educacionais e ideológicos.

Questionamento e busca por uma vida com real significado e consistência, visando uma economia pessoal e coletiva , de relações equilibradas e amorosas.

Dois dos principais pesquisadores deste assunto são o psiquiatra tcheco Stanislav Grof e o médico Leonard Orr.

Respectivamente, os fundadores dos métodos Respiração Holotropica(TM) e do Renascimento / Rebirthing.

Geração Bodilessness

Incorporeidade, excesso de atividade mental, o corpo é um mero suporte de cabeça.

Reflexos de um paradigma pseudo científico e  cultural, que valoriza o cérebro como única fonte de consciência...

Mas o corpo possui consciência e inteligência que o fazem reagir e trazer a consciência "cerebral" para a totalidade do Ser.

Enquanto a ciência continuar sendo esse "cada macaco no seu galho", essa fragmentação do humano será cada vez mais desastrosa...

Daí a necessidade urgente de mindfulness, meditação, práticas integradas de saúde  (grounding, movimento consciente, reabilitação via práticas esportivas e sociais, psicodramas abertos , acupuntura, teatro espontâneo e outras atividades renegadas a "alternativas").

As Cinco Forças da Autorrealização Humana

Existem forças ou padrões de experiências que somos capazes de acessar, e que nos conectam com as bases da existência.

Quando chegamos ao mundo, passamos por essas forças durante o nascimento biológico e além dele, na vida adulta.

Posteriormente, repetimos esses mesmos padrões em diversas situações. São as forças que nos movimentam física, mental e espiritualmente.

1a Força - Segurança, concentração e preparação da energia.

Gestação dentro do útero materno. Todas as condições são ideais para a geração do corpo do bebê, alimentação, crescimento e proteção.

Na vida pós-natal e adulta, são situações onde tudo se encontra em equilíbrio ou zona de conforto. Lugar ou situação onde não há necessidade de mudança.

2a Força - Interiorização e medo

Início do trabalho de parto, a bolsa do útero se rompe, fazendo com que todo o líquido amniótico seja eliminado, junto com o calor e a proteção do estágio anterior.

Contrações uterinas expulsam o bebê do útero, em direção ao canal do parto. A abertura ainda é muito pequena para permitir a passagem do corpo do bebê, então, ele fica entalado e preso.

Desenvolvimento da cautela, amadurecimento e sabedoria. Contato com as profundezas e aspecto espiritual da existência. Continuação da jornada do Herói, descida ao submundo e ao Inferno.

Na vida pós-natal e adulta, relação com todas as situações de vitimização, impotência, medo, incerteza, pânico e sensação de sem-saída.

Sentimentos e sensações relacionados:
Depressão, certeza da finitude, falta de esperança, ausência de futuro, prisões, identificar-se com prisioneiros de campos de concentração, pacientes de hospital psiquiátrico.

3a Força - Determinação e luta pela sobrevivência.

O bebê se encontra dentro do canal de parto, existe uma luz no fim do túnel. Enormes pressões mecânicas são exercidas sobre o seu corpo, despertando forças instintivas de reação e luta pela sobrevivência.

Na vida pós-natal e adulta, é a fase de máxima expansão da energia corporal e mental, raiva, agressividade, contato com outras pessoas. Agitação e dificuldade de ficar parado.

4a Força - Responsabilidade, reconhecimento do esforço e integração das dualidades.

Finalmente, após um grande esforço e, também, entrega e perdas, chegamos ao fim de uma jornada. Saímos de dentro do corpo da mãe, e somos um ser separado dela. Encontramos um novo lar. Dessa vez, reconhecendo a nossa força pessoal e limites.

5a Força - Transcendência e identificação com o Todo.

Somos capazes de ir além do ciclo de morte e renascimento, reconhecendo a transitoriedade e constante transformação que somos, o tempo todo. Podemos nos apegar a algum aspecto que nos defina, mas sempre seremos surpreendidos pela Transcendência.

Autor:
Antonio Vaszken Dichtchekenian - Psicólogo e especialista na teoria de Stanislav Grof. Pesquisador e psicoterapeuta de Renascimento.

Trecho - Cura Profunda - Stanislav Grof - Cap2

Trecho do livro "Cura Profunda - A Perspectiva Holotrópica" - Stanislav Grof. 2015, Editora Numina.

Capítulo 2 - Psicologia do futuro: lições da pesquisa moderna da consciência. Páginas 59 - 63  

"Relato de uma sessão psicodélica com alta dose, exemplo típico de MPB 1 (vida intrauterina), abrindo em alguns momentos para o nível transpessoal. "

"Tudo o que eu estava experienciando era uma sensação de mal-estar que parecia uma gripe. Eu não podia crer que uma dose alta de LSD, que em minhas sessões anteriores havia provocado mudanças dramáticas - até o ponto de, em certas ocasiões, ficar com medo de que minha sanidade ou mesmo minha vida estivesse em jogo - pudesse evocar uma resposta tão pequena.

Decidi fechar os olhos e observar cuidadosamente o que estava acontecendo. Neste momento, a experiência pareceu se aprofundar, e me dei conta de que o que parecia, com os olhos abertos, ser uma experiência adulta de doença viral, então se transformou numa situação realista de um feto sofrendo insultos tóxicos estranhos em sua existência intrauterina.

Encolhi drasticamente e minha cabeça era desproporcionalmente maior do que o resto do corpo e as extremidades. Estava suspenso em um meio líquido e alguns químicos nocivos estavam sendo canalizados para dentro de meu corpo pela área umbilical. Utilizando alguns receptores desconhecidos, eu detectava essas influências como nocivas e hostis ao meu organismo. Enquanto isso acontecia, estava ciente de que esses 'ataques' tóxicos tinham algo a ver com a condição e a atividade do organismo materno. Ocasionalmente, podia distinguir influências que pareciam ser devidas à ingestão de álcool, comida inapropriada ou fumo, e outras que percebia como mediadores químicos das emoções de minha mãe - ansiedade, nervosismo, raiva, sentimentos conflitantes em relação à gravidez e até mesmo excitação sexual.

Então a sensação de doença e indigestão desapareceram, e comecei a sentir um estado de êxtase que se intensificava cada vez mais. Meu campo visual tornou-se mais claro e brilhante. Era como se múltiplas camadas grossas e sujas de teias de aranha estivessem sendo magicamente rompidas e dissolvidas, ou como se um projetor de filme ou uma televisão de baixa qualidade tivessem o foco ajustado por um técnico cósmico invisível. A cena se abriu e uma quantidade incrível de luz e energia estava me envolvendo e transmitindo vibrações sutis por todo meu corpo.

Em um nível, eu era um feto tendo a experiência de extrema perfeição e felicidade de um bom útero e podia alternar para a experiência de um recém-nascido fusionado com o seio nutridor e provedor de vida da minha mãe.

Em outro nível, estava testemunhando o espetáculo do macrocosmo com inúmeras galáxias pulsantes e vibrantes e, ao mesmo tempo, podia realmente me tornar esse macrocosmo. Essas visões radiantes e de perder o fôlego eram misturadas com experiências do igualmente miraculoso microcosmo, desde a dança dos átomos e moléculas até as origens da vida e do mundo bioquímico de células individuais. Pela primeira vez, experimentava o universo tal como ele é - um mistério insondável, um jogo divino de energia. Tudo nesse universo parecia estar consciente e vivo.

Por algum tempo, eu oscilava entre o estado de um feto sofrido e doente e a existência intrauterina feliz e serena. Às vezes, as influências nocivas assumiam a forma de demônios insidiosos ou criaturas malévolas do mundo dos contos de fada. Durante os episódios sem distúrbios da existência fetal, tive a sensação de identidade e unidade com o universo. Era o Tao, o Além que Está Dentro, o Tat tvam asi (Você é Isso) dos Upanishads. Perdi o senso de individualidade; meu ego disolveu-se e tornei-me toda a existência.

Certas vezes essa experiência era intangível e sem conteúdo, outras vezes era acompanhada de muitas belas visões - imagens arquetípicas do Paraíso, a cornucópia fundamental, a era dourada ou a natureza virginal. Eu me tornei um golfinho brincando no oceano, um peixe nadando em águas cristalinas, uma borboleta sobrevoando vales nas montanhas e uma gaivota deslizando sobre o mar. Eu era o oceano, os animais, as plantas e as nuvens - às vezes todos esses ao mesmo tempo.

Nada de concreto aconteceu depois à tarde e à noite. Passei a maior parte do tempo me sentindo unida à natureza e ao universo, banhada em luz dourada que lentamente perdia sua intensidade."

#stanislavgrof #intrauterina #transpessoal #psicodelia #feto #perinatal

Biografia de Stanislav Grof, M.D., Ph.D.

De: Grof no Brasil
https://m.facebook.com/grofnobrasil

A carreira profissional de Stanislav Grof cobre um período de mais de 50 anos em que seu principal interesse tem sido a investigação do potencial heurístico e terapêutico de estados não-ordinários de consciência. Isto incluiu inicialmente quatro anos de pesquisa de laboratório de psicodélicos - LSD, psilocibina, a mescalina, e derivados de triptamina - (1956-1960) e quatorze anos de pesquisa da psicoterapia psicodélica. Ele passou sete desses anos (1960-1967) como Principal Investigador do programa de pesquisa psicodélica no Instituto de Pesquisa Psiquiátrica em Praga, na antiga Tchecoslováquia. Isto foi seguido de sete anos de pesquisa de psicoterapia psicodélica nos Estados Unidos.

Os dois primeiros desses anos, ele trabalhou como Clinical and Research Fellow na Universidade Johns Hopkins e no Research Unitof the Spring Grove State Hospital em Baltimore, MD. Os cinco anos seguintes, ele ocupou o cargo de Diretor de Pesquisa Psiquiátrica no Maryland Psychiatric Research Center. Nesta função, ele dirigiu por vários anos o último sobrevivente projeto oficial de pesquisa de terapia psicodélica nos EUA.

De 1973 até 1987, ele era Scholar-in-Residence no Instituto Esalen, em Big Sur, Califórnia, onde ele desenvolveu em conjunto com sua esposa Christina uma forma poderosa de auto-exploração e psicoterapia que eles chamam de Respiração Holotrópica, sem uso de droga. Eles utilizaram este método nas oficinas e na formação profissional nas Américas do Norte e do Sul, Europa, Austrália e Ásia. Eles também trabalharam com muitas pessoas passando por episódios espontâneos de estados não-ordinários de consciência, crises psicoespirituais ou "emergências espirituais". Durante esses anos de pesquisa psicoterapêutica, Stan Grof fez as seguintes contribuições:

Desenvolveu a teoria e a prática da psicoterapia psicodélica-assistida e a descreveu em seu livro LSD Psychotherapy, que tem sido até hoje o único tratado global sobre este assunto.

Publicou mais de 150 artigos e 20 livros que discutem as implicações teóricas e práticas de pesquisa moderna da consciência para a psiquiatria, psicologia e psicoterapia.

Criou uma nova cartografia estendida da psique, que inclui, além do nível biográfico rememorativo, dois níveis adicionais ao inconsciente individual freudiano - o perinatal (relacionado com o trauma de nascimento) e o transpessoal (que inclui o ancestral, o racial, o coletivo, o filogenético, o cármico e as matrizes arquetípicas).

Desenvolveu, com sua esposa Christina, a Respiração Holotrópica (um método de psicoterapia que utiliza estados não-ordinários induzidas pela respiração mais rápida e mais profunda, música evocativa e trabalho corporal) e o Grof Transpersonal Training, um extenso programa de treinamento para facilitadores de Respiração Holotrópica que certificou mais de 1.000 profissionais em várias partes do mundo.

Formulou juntamente com Abraham Maslow, Anthony Sutich, Sonya Margulies e Jim Fadiman os princípios básicos da psicologia transpessoal, uma disciplina que explora o todo o espectro da experiência humana e tenta integrar espiritualidade e o novo paradigma da ciência. Ele recebeu da Associação de Psicologia Transpessoal (ATP), por ocasião da sua conferência em Asilomar, CA, ao comemorar o vigésimo quinto aniversário da sua fundação, um prêmio especial por sua contribuição para o desenvolvimento deste campo. A Psicologia Transpessoal teve um rápido crescimento desde a sua criação no final dos anos 1960. No momento, ela está sendo ensinada em várias universidades americanas e escolas conveniadas, tem duas revistas especiais, e simpósios em conferências profissionais. As associações de psicologia transpessoal também existem em muitos países do mundo.

Tentou fornecer uma base teórica sólida para a psicologia transpessoal, explorando em seus escritos a sua relação com vários avanços revolucionários de novas ciências paradigmáticas.

Fundador e ex-presidente da Associação Transpessoal Internacional (ITA). Organizou em parceria com sua esposa Christina nove grandes conferências internacionais desta associação em Boston, MA; Melbourne, Austrália; Bombaim, na Índia; Santa Rosa, CA; Eugene, OR; Atlanta, GA; Praga, Tchecoslováquia; e Manaus, Brasil.

Junto com sua esposa, Christina, eles foram convidados pela Metro Goldwyn Meyer como consultores especiais para o filme de ficção científica, Brainstorm, e mais tarde para o filme Millenium. Actualmente, Stan Grof está interessada em voltar a este trabalho em um projeto que iria usar o melhor dos efeitos especiais disponíveis hoje para retratar vários estados não-ordinários de consciência no contexto de filmes com orientação transpessoal.

9 MITOS SOBRE O REBIRTHING E A RESPIRAÇÃO CONSCIENTE

  • O Rebirthing pode ser realizado por qualquer pessoa, sem acompanhamento especial de um terapeuta, pois utiliza a respiração, que é um recurso com o qual todos nós estamos acostumados. 
Mito - O Rebirthing é a respiração realizada de maneira consciente e presente, com o olhar voltado para o nosso universo interior. No dia-a-dia, estamos voltados para o mundo externo, sentimos que os outros nos fazem bem ou mal, e que nos sentimos de tal maneira por causa de um evento externo. Na realidade, somos a relação entre o mundo interno e o mundo externo. Não somos uma “tábula-rasa”, que apenas reflete o exterior. Possuímos uma complexa rede de significados e intenções, que se localizam tanto em nós quanto no mundo externo, e por isso somos uma unidade com o universo. Quando respiramos de maneira consciente e acessamos esta rede de significados, temos a oportunidade de reviver experiências, e de ressignificar o negativo em positivo. Quando somos acompanhados, a tendência é que a cura seja mais fácil, pois podemos ser apoiados e ajudados a encarar algum aspecto desafiador que nossa memória possa estar nos trazendo naquele momento.

  • Uma sessão de Rebirthing costuma ser superficial e trazer poucos resultados, pois não utiliza a análise nem o discurso verbal, e por isso, a tendência é manter-se num estado de consciência superficial ou neutro ao autoconhecimento.
Mito -  Apesar de não haver nenhuma interação verbal entre o terapeuta e o respirante, as experiências podem ser muito profundas e significativas. Isso ocorre por não sermos uma “tábula-rasa”, e possuirmos em nós um vasto universo de imagens, memórias e fantasias, que são trazidas à consciência através da respiração consciente, e transformadas com a respiração intencional.

  • O Rebirthing utiliza um tipo específico e padronizado de respiração, o que nem sempre funciona para todas as pessoas.

Mito - O Rebirthing é um método libertador de padrões e de condicionamentos. O objetivo principal da Respiração Consciente é encontrar o modo próprio de estar-no-mundo, conectar o sentir, o pensar e o agir, e promover a autorrealização. Deste ponto de vista, a respiração de cada pessoa é única, e quando ela altera conscientemente o seu modo de respirar, também começa a modificar os seus padrões comportamentais e emocionais.Então, quanto mais livre ela se sentir, também respirará de um modo livre e sem bloqueios. O terapeuta, observando de fora, é capaz de ajudar o respirante a respirar de um modo mais solto e livre de amarras.
  • O Rebirthing é uma indução ou tipo de hipnose, para reviver o parto biológico, através de sugestões como “imagine um lugar tranquilo” , “você é um lindo bebê”, etc.
Mito - A Respiração Consciente não induz, nem utiliza afirmações sugestivas, em nenhum momento. Ele tem esse nome por lidar com questões humanas que encontram sua raízes no momento inicial da vida de uma pessoa, que é o parto biológico. A única instrução utilizada é a de respirar e de prestar atenção ao que ocorre conosco.

  • A Respiração Consciente ou Rebirthing não requer todo o trabalho de análise e interpretação que o método de uma psicoterapia verbal carrega consigo, e por isso, é limitada a experiências corporais.

Mito - O Rebirthing é também uma psicoterapia ou psicanálise muito eficiente e profunda. Ela não dispensa a presença de um terapeuta ou facilitador-terapeuta, pois o trabalho consiste de pelo menos, duas etapas básicas - 1) a respiração ou vivência, na qual ocorre a abertura e a transformação pessoal, e 2) o processamento cognitivo e afetivo da vivência, que é o tempo e o espaço necessário a cada indivíduo digerir e colocar em prática o aprendizado adquirido naquela sessão de Rebirthing. Os tipos de experiências que ocorrem numa sessão ultrapassam a nossa capacidade analítica e sintética de apreensão, e alcançam uma compreensão integrada e total do nosso ser.

  • Uma sessão de Rebirthing pode agravar os sintomas de ansiedade, desânimo, depressão, pânico e fobias.
Mito - As modernas pesquisas clínicas da consciência e a experiência de terapeutas com Rebirthing e a Respiração Consciente mostram justamente uma melhora, não temporária, mas definitiva desses sintomas. A vivência de respiração consciente traz uma conexão da mente com o corpo, que é semelhante aos processos que ocorrem durante o sono REM e os períodos do sono com sonhos, que é onde ocorrem reprocessamento neurológico de experiências do dia anterior.
  • O Rebirthing utiliza um modelo limitado ao trauma do nascimento biológico e, uma vez que, nem todas as pessoas têm questões relacionadas ao parto, isso pode representar limitações no tratamento .

Mito - O modelo utilizado no Rebirthing é expandido, e inclui todas as dimensões da experiência humana, desde o inconsciente individual, tal como a Psicanálise freudiana o compreende, passando pelo domínio perinatal ou do parto biológico, que é um campo intermediário entre o inconsciente individual e o inconsciente coletivo. Este ultimo domínio do inconsciente, de acordo com Carl Jung é onde encontramos as respostas para as questões e dramas pessoais, assim como a cura de inúmeras doenças e distúrbios psicossomáticos. O nascimento é uma grande referência em nossas vidas, pois é a chegada a este mundo, mas não temos recordação consciente deste momento.


  • A experiência do Rebirthing pode ser parecida com uma viagem de droga, e pode piorar quadros de vícios e dependência química.
Mito - Uma sessão de Rebirthing pode ser parecida com uma viagem de droga, mas, diferente de uma substância química, é um processo totalmente ativo e que requer envolvimento por inteiro de quem respira. Diferente de uma droga, que apresenta um efeito químico, o fluxo de experiências do Rebirthing depende da escolha de continuar respirando. Durante este processo, a consciência é alterada de maneira favorável e consegue acessar mecanismos de cura e de resolução de questões, trazendo uma percepção mais lúcida e realista do que o modo que muitas vezes vivemos no cotidiano. Uma vez que este trabalho de Respiração Consciente é realizado num ambiente que segue as normas de ética, onde se respeita a experiência pessoal do respirante, e não inclui julgamentos morais, ela promove uma expansão da consciência e equilíbrio emocional. 


  • A Respiração Consciente ou Rebirthing serve mais para a saúde física do que para a saúde mental.

Mito - Na medida que nos libertamos de condicionamentos e padrões de pensamentos e atitudes negativos, também somos capazes de cuidar melhor de nosso ser, e isso inclui cuidar bem do nosso corpo físico. Além disso, muitas doenças possuem origem psicossomática e são um reflexo das nossas emoções e reações condicionadas. Dentre elas, podemos citar a bronquite ou asma, alergias de pele, psoríase, fibromialgia e algumas disfunções sexuais, tais como a frigidez, impotência masculina e ejaculação precoce.

Estados Ampliados e Alterados da Consciência

Autor: Antonio Vaszken Dichtchekenian

Este texto apresenta uma visão resumida, fundamentada na Psicologia Transpessoal, a respeito dos estados alterados e ampliados de consciência.

Segundo Stanislav Grof, psiquiatra e um dos fundadores da abordagem Transpessoal, existem cinco tipos de experiências, importantes para este assunto.

Um tipo específico de estados de consciência são os ampliados ou modificados. A consciência encontra-se acordada, sendo capaz de perceber todos os aspectos da situação e da identidade. Não existe desorientação, mas o oposto disso. A pessoa sabe exatamente quem ela é, e o que ocorre.

A ampliação da consciência traz alguns aspectos adicionais além dos cinco sentidos:

- Expansão do senso de identidade: identificar-se com outras pessoas, grupos de pessoas, ancestrais, outros animais e seres da natureza. E´uma experiência de assumir o ponto de vista subjetivo de um outro pessoa, ser ou objeto.

- Expansão do tempo linear: Voltar ao passado até uma experiência remota, em geral, retorno a um período do tempo no qual o individuo ainda estava por nascer ou logo após o próprio nascimento.

- Expansão das referências espaciais: A consciência é transportada a outros locais ou dimensões da existência. Pode ser desde um outro país ou cultura, até uma dimensão sutil ou espiritual.Também é possível voltar o foco totalmente para o corpo físico, e ter consciência precisa de ossos, articulações, tecidos e sistemas orgânicos.

- Experiências de reviver o próprio parto: essas também são um tipo de expansão consciencial. Vão além de uma simples regressão mental e neurológica temporárias, pois mantemos todas as referências de adulto quando realizamos essa volta no tempo. O encontro do adulto com a criança ou feto promove uma transformação em ambos - o adulto renova-se, e a criança amadurece.

- Expansão da consciência corporal. Somos capazes de perceber e utilizar em nosso benefício, os movimentos da bioenergia, os chacras, e centros de energia e vitalidade, que todos possuem.

Por outro lado, os estados alterados, são aqueles encontrados em doenças infeciosas, lesões cerebrais, e também, através da embriaguez alcóolica. Nesses estados alterados ocorre uma desorientação, a pessoa não sabe bem onde ela se encontra, o que está ocorrendo ou quem ela é. No caso da embriaguez, é possível obter algum aprendizado ou uma experiência momentânea de bem-estar, mas os efeitos não são duradouros, e raramente são benéficos.

Bibliografia:
Grof, Stanislav - Cura Profunda: A Perspectiva Holotrópica. Editora Martins Fontes, 2015.

Sonhos de Parto e Nascimento

 


Quem já não teve sonhos assim? 

Sonhar que está passando por um buraco ou fresta, de alguma maneira claustrofóbica, sendo a única saída disponível.

Sonhar que se está em um labirinto, ou num ambiente de arquitetura labiríntica, podendo ser sem-saída ou com uma saída quase impossível.

Sonhar que se está girando e caindo numa espécie de espiral, sem controle e com muita angústia.

Pois essas situações e sensações são muito parecidas com aquelas vividas num parto normal ou nascimento biológico, e é bem fácil acessar esse tipo de memória sensorial durante um sonho, que é quando a nossa consciência se abre para muitos aspectos inacessíveis no dia-a-dia.

Stanislav Grof, um psiquiatra tcheco, com 81 anos de idade, morando atualmente nos EUA, estudou por mais de 50 anos experiências psicodélicas e estados modificados de consciência sem drogas, em mais de 200.000 indivíduos desde os anos 1960.

Suas pesquisas clínicas demonstraram que reviver o próprio parto em estados modificados de consciência, inclusive em sonhos, tem um grande potencial de cura e transformação da personalidade.

Segundo a medicina tradicional, o nascimento é um evento inacessível à memória cognitiva, devido à falta de uma estrutura completa de neurônios de memória. 

Porém, diversas teorias psicológicas tais como a psicanálise Winnicotiana, a psicologia infantil de Melanie Klein, assim como estudos das fases do desenvolvimento do comportamento humano, atribuem uma significativa influência de problemas da gestação e do parto, nos comportamentos e nos modos de relação do bebê com o mundo, desde a esquizofrenia até distúrbios agressivos. 

Otto Rank foi o primeiro psiquiatra a citar a influência do "trauma do nascimento" na personalidade. Discípulo de Sigmund Freud, encontrou grandes resistências ao defender suas hipóteses sobre o trauma vivido pelo bebê ao perder a segurança da mãe, no momento do nascimento. 

Stanislav Grof, com suas pesquisas clínicas, nos revela que o trauma do nascimento é marcante em todos nós, não apenas quando saímos de dentro do corpo materno, mas desde a gestação até as fases biológicas do trabalho de parto. 

Ele denominou essas quatro fases do nascimento de Matrizes Perinatais. Matrizes, por serem padrões de experiências físicas e simbólicas, que remetem tanto ao nascimento biológico quanto a um renascimento psicológico do adulto, onde ele renova suas referências existenciais de ser-no-mundo com si mesmo e com os outros. Perinatal, por estar ao redor ou próximo (peri) do nascimento (natal). 

O parto é a nossa chegada inicial e marcante ao mundo. E podemos reviver as sensações de estar nascendo ou morrendo (ansiedade, pânico, tontura) quando estamos prestes a uma mudança existencial significativa (crise da adolescência, casamento, novo emprego, perda de situações conhecidas, etc). O parto é ao mesmo tempo uma experiência de morte e renascimento.

Ao reviver o próprio parto, somos adultos regredindo a uma experiência remota, onde a consciência adulta é capaz de atribuir um significado adulto e maduro a uma situação de vulnerabilidade e insegurança, vivida por um bebê.

Ainda que o nascimento biológico exerça uma influência, devemos ser cautelosos para não reduzir todos os problemas de saúde físicos e psicológicos a problemas de gestação ou dificuldades do parto.

Gestalt-Terapia como uma abordagem Transpessoal

(Texto original: GESTALT THERAPY AS A TRANSPERSONAL APPROACH)


Autor: Claudio Naranjo, M.D.

Tradução-livre: Antonio Vaszken Dichtchekenian


EMBORA A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL TENHA se diferenciado como uma abordagem especifica dentre a “3a Força” que veio a ser chamada Humanista, não restam dúvidas de que a Psicologia Humanista - que Maslow apontou como uma alternativa às psicologias mecanicistas de Freud e Pavlov e seus seguidores - se referem à aquilo que é propriedade humana nos seres humanos, junto com valores, significado, o desenvolvimento da consciência e, de modo geral, “os maiores potenciais da natureza humana”. Foi um termo ambíguo usado para uma psicologia implícita ou explicitamente conectada ao lugar que a espiritualidade ocupa na vida humana, pois o Humanismo no passado servira para descrever uma orientação filosófica secular, a palavra faz alusão neste contexto a uma oposição entre uma visão centrada no humano, e uma perspectiva teocêntrica. De fato, é possível distinguir dentre os humanistas, aqueles mais orientados para o Humanismo (no sentido tradicional da palavra) daqueles que têm uma orientação mais Transpessoal.

Ainda que nomes comuns possam ser confusos, e que não seja entendido que apesar de suas origens psicanalíticas e das influências de sistemas gerais de pensamento - as maiores diferenças características da Gestalt-terapia são, realmente, transpessoais.

Por transpessoal quero dizer aquilo que está além do “pessoal” no sentido de personalidade condicionada e individual. “Ao invés de impessoal”, escreve Rudhyar, que iniciou este termo em 1929 (com certeza antes de qualquer outra pessoa), “vamos usar outra palavra mais significativa - Transpessoal. O tipo pessoal de comportamento (ou sentimento, ou pensamento) é enraizado no significado e na forma condicionada de personalidade. Uma forma transpessoal de comportamento é aquela que parte do Self não-condicionado do Homem, utiliza a personalidade apenas como um instrumento” (1975).

Jung, dizem ter usado esta palavra algumas vezes, possivelmente com o significado dos conteúdos do inconsciente coletivo, em oposição aos conteúdos do inconsciente pessoal e da consciência. Na forma de arquétipos, Jung modificou o espiritual em uma psicologia mecanicista, do mesmo jeito que a Psicologia Transpessoal faz hoje. Ainda que a Gestalt-Terapia tenha sido reduzida a uma abordagem humanista ao invés de uma abordagem transpessoal - atualmente quando ambos os termos são dominantes no sistema de pacotes psicológicos - reflete uma tendência (pelo menos nos anos anteriores) de associar o transpessoal mais com o campo visionário, estados alterados de consciência e o paranormal, do que com a base de todos eles: a própria consciência.

Entretanto, o fato é que a consciência é transpessoal. Ou, usando um termo mais recente, espiritual. As tradições mais articuladas deixam isso muito claro. Budismo (da raiz bodh, “desperto”) não é um estado específico de consciência ou da mente, mas a própria mente, o recipiente. Talvez mais explícito seja o Sufismo, que deixa claro que o objetivo do despertar do estado restrito de consciência que é a consciência ordinária, está além dos estados espirituais.” São manifestações derivadas da própria consciência e o resultado da influência transpessoal sobre o pessoal (ou, nos termos tradicionais, do espiritual sobre o ego) que é a explicação comumente usada para o novato “se embebedando com um pouco de vinho” (ou seja, manifestando uma abundância de fenômenos extáticos e visionários no pequeno baraka, ou “força espiritual”).

A tendência natural do iniciante de ficar mais animado sobre o fenômeno produtivo da “embriaguez espiritual” do que a consciência que torna isso possível, é comentada numa estória espiritual coletada por Idries Shah em “Tales of the Dervishes” (Contos dos Dervishes). É um conto de um jovem que foi guiado por um dervishe a um local onde ele evocou a Terra para se abrir e instrui-lo a descer e encontrar um candelabro de ferro. Assim que o jovem desceu até o local específico, ele viu belíssimos tesouros que lotavam seus braços com jóias e ouro. Então, ele viu o candelabro e decidiu levá-lo junto também. Quando ele saiu, entretanto, o dervishe não estava mais lá e seu tesouro desaparecera. Apenas restava o candelabro. Isso é apenas o começo da estória, que conta como este candelabro era mágico e podia ser utilizado de um certo modo para conquistar tesouros, e como o jovem, em função de sua ganância e pouco conhecimento, perdeu-o. Este pequeno exemplo serve para ilustrar a relação entre consciência e os estados “espetaculares” de consciência. Consciência, como a conhecida galinha e os ovos de ouro, é o verdadeiro tesouro, mas a nossa tendência é a de não valorizá-la.

Considero que uma mudança dos conteúdos mentais para a própria consciência pode bem ser a característica mais marcante das terapias humanistas e transpessoais; ainda que esse vazio na prática psicoterapêutica, precedeu um vazio correspondente na teoria, e consequentemente (apesar do interesse crescente em meditação) a natureza transpessoal da consciência não foi definida corretamente.

O fato de a Gestalt-Terapia ser normalmente reduzida a Humanista ao invés de Transpessoal reflete esta falta de precisão conceitual, embora a mais compreensível se considerarmos que a espiritualidade da Gestalt-Terapia é, de um certo modo, disfarçada. Com esse, “de um certo modo” me refiro a rejeição de Perls pela religiosidade ordinária. Sua prática comum de responder ao papo “espiritual” (e outros assuntos também) como um sintoma neurótico foi apropriado, entretanto, é mais espiritual ainda desafiar o paciente a se relacionar consigo mesmo além dos campos simbólico e ideal. Me recordo da perplexidade de um religioso, por exemplo, para quem Perls respondeu sobre um assunto espiritual “Me sinto separado de você pelo seu Deus.” Ele esclareceu: “Você coloca Deus entre você e eu.” Claro que estava se referindo à tendência semi-universal de complicar ações diretas e espontâneas no aqui-agora com modos ideológicos de relação. Houveram muitos, com certeza, que deixaram de acreditar nele como autoridade espiritual assim que ele magoou suas crenças sacrosantas, e isso colaborou para a visão de um homem e sua obra como anti-espiritual.

Espiritualidade não é matéria de ideologia, entretanto, a natureza transpessoal de uma teoria é um fato que ultrapassa afirmações a respeito dela. A experiência satori ou despertar pessoal de Perls, como descrita em sua autobiografia, e sua experiência com meditação (ele disse a mim, certa vez, que vivia em Esalen, que praticava pelo menos uma hora diária) sem dúvida serviram de fundo para a forma da Gestalt-terapia como um equivalente moderno da prática Budista. Isso aconteceu particularmente enquanto esteve na Califórnia e talvez sem seu conhecimento.

A prática budista é essencialmente treinamento da consciência com moralidade. Assim também é Gestalt-Terapia, ainda que a palavra moralidade pareça ser distante de espiritualidade. Inasmuch como o processo terapêutico da Gestalt busca debilitar aquilo que Karen Horney (analista de Perls) chamava de “tirania dos debeísmos” (1950) com o qual a moralidade ordinária anda de mãos dadas, a teoria a princípio pode ser vista tanto como antiespiritual quanto antimoral. Uma visão mais profunda, entretanto, mostra um contexto (especialmente em grupos) para uma prática de virtudes como a coragem e autenticidade, que são a essência central do desenvolvimento moral - além das regras específicas de comportamento. De fato, expressei em outro lugar, as ações do terapeuta devem ser compreendidas, de um ponto de vista, como reforçamentos negativos de comportamentos inautênticos e apoio da auto-expressão genuína.  

Moralidade deve ser entendida como o trabalho interpessoal da espiritualidade tradicional. Os primeiros mestres de várias culturas perceberam claramente o quão decepcionante o desenvolvimento mental é, se as práticas contemplativas são realizadas sem a fundação de uma prática orientada pela transcendência de comportamentos compulsivos e aversivos conhecidos como paixões. Sem mentir, sem roubar, sem matar ou machucar são os modos orientais de crescimento, não apenas moralidade, como vieram a ser em nossa tradição-mosaico, mas em Patanjali, preliminares do Samadhi e, em “O Caminho dos Oito Passos” de Buda, aspectos da vida correta e do esforço correto, que seguem a visão correta e preparam o chão da mente e da concentração corretas. É difícil imaginar tentativas bem-sucedidas que levem a uma vida pura neste senso tradicional, sem um processo de mudança da personalidade envolvendo a diminuição de necessidades débeis e uma diminuição do vínculo com a decepção. Na ausência de um contexto mental apropriado e num clima de autoritarismo (ambas, condições do nosso backgroud cultural), moralidade torna-se moralismo, entretanto, que leva não ao aumento da transcendência da deficiência (ou seja, desapego), mas à repressão.
O revigorar dos EUA puritano tem se caracterizado pela crise da repressão, e muitas terapias conduziram a isto - proclamada pela psicanálise - caracterizam-se não pelo controle do comportamento mas pela perda dos controles; não pela inibição mas pela expressão.

Igual a outras terapias contemporâneas, Gestalt-terapia é de considerada um modo de consciência através da expressão - não apenas verbal mas motora-gestual, imaginal, e comumente entendida como artística. O que é geralmente esquecido, entretanto, é que a teoria Gestalt envolve um não menos importante mas sutil e menos explicado elemento de inibição voluntária: inibição da conceitualização obssessiva, da manipulação, e do comportamento inautêntico (“jogos”). Sim, “vale tudo”, na abordagem Gestalt contanto que a experiência seja comprometida, assim como sua expressão, exagerada “acting out”, dramática como deve ser no contexto da experiência guiada, não é nada que possamos denominar de regra da Gestalt. Exatamente porque a característica do comportamento inautêntico dos modos neuróticos de ser-no-mundo envolvem uma tentativa de evitar certas experiências, a atitude do terapeuta é convidar ao desfazer dessas evitações, um “fique com isto”, ainda que dolorido e confuso. Na visão de Perls, nossa consciência é restringida porque não aceitamos o nosso sofrimento, e o processo terapêutico necessariamente implica (como nas tradições espirituais, devemos citar) um elemento de austeridade. A austeridade básica, podemos chamar assim, é a não-indulgência do que as tradições espirituais chamam de ego, e Perls chama de caráter e equalizar com um sistema de respostas fixas obsoletas que interferem com a função do organismo. Para ele (e isso foi uma visão impopular na época) o ser humano ideal seria além do caráter - uma frase que traduziríamos como: “funcionando no nível transpessoal”.

Como Perls era um não-dualista fervente - no sentido de negar  “a superstição de que haja separação, ainda uma inter-dependência entre duas substâncias, o mental e o físico”  (Perls, 1969, p.2) - ele preferira a palavra organismo à alma ou Self. Para ele, “mente-matéria como unidade é verdadeiramente um organismo.” Sua escolha da terminologia (emprestada do Smuts [1926] e Goldstein [1939] sem dúvida contribuiu para uma impressão generalizada que sua visão era materialista ao invés de espiritual (ou seja, transpessoal). Essa presunção é facilmente desfeita se considerarmos sua visão de consciência - junto com espaço e tempo - como um aspecto fundamental do universo dentre seus diferentes níveis de organização. Além do mais, a integração das visões materialista e espiritual em seu pensamento é conveniente com suas afirmações a seguir:

“Thus matter seen through eyes of mine
Gets god-like connotation”

Seja a matéria vista pelo olhos meus
Ganha conotação divina
(Perls, 1969)

e (referindo-se ao tempo, espaço e consciência)

“The triple God is ultimate
He is creative power
Of all the universal stuff.”


O Deus triplo é definitivo
Ele é poder criativo
De todas as coisas universais.
(Perls, 1969)

se a moralidade da Gestalt-Terapia é aquela da autenticidade e não-manipulação (do self ou outro), seu treinamento da percepção (awareness) pode ser resumido na afirmação que J. S. Slmkin propôs como uma síntese da abordagem: “Eu e tu, aqui e agora.” Em outras palavras, é uma prática de consciência no relacionamento (ainda que às vezes seja uma relação internalizada). Nisto se diferencia da prática do Budismo da consciência em isolamento. Assim como um treinamento em percepção, o sétimo item de “Caminho dos Oito Passos” é um processo transpessoal, a prática da consciência (awareness) em relacionamentos pode ser descrita, da mesma forma que a Gestalt-terapia em geral, como trazer o transpessoal para o interpessoal.

O cultivo da consciência do aqui-agora em Gestalt-Terapia anda de mãos dadas com outro tema compartilhado pelas psicologias tradicionais, Budismo em particular. Chamaremos isso de “abertura”: estar consciente do que ocorre aqui e agora em nosso campo de experiência. Envolve uma atitude básica de permissão - uma aceitação indiscriminada da experiência, que é um “abandonar” ou deixar de lado os padrões ou expectativas. Expressa-se na Gestalt-Terapia de inúmeras formas, diferente do ato de ser consciente sem manipulação pessoal.

Uma dessas formas é o que Fritz Perls chamou, depois de S. Friedlander, “indiferença criativa” (1966). Com isso, ele quis dizer a habilidade de permanecer num ponto neutro, desconectado das polaridades conceituais e emocionais opostas em jogo em cada momento da consciência. Perls demonstrou uma medida de indiferença criativa sendo um psicoterapeuta, ao ser capaz de ficar no ponto zero sem ser pego pelos jogos de seus pacientes. Acho que o ponto zero é um refúgio do terapeuta Gestalt no meio da intensa participação - não apenas uma fonte de força mas um suporte pessoal definitivo.

Um outro aspecto da abertura em Gestalt-Terapia é a aceitação da não-experiência; a aceitação do nada (nothingness). Perls deu bastante importância a isto, a ponto de descrever o processo terapêutico como um caminho “do vazio estéril ao vazio fértil” (Perls, 1969). Por “nada” (nothingness) ele quis dizer não-coisa (no-thingness) - ou seja, awareness não-articulada indiferenciada - e falando em vazio fértil ele quis dizer que estar na casa da consciência indiferenciada é a fundação ou chão para uma figura saudável da awareness articulada no aqui-e-agora. Em várias ocasiões os Gestalt terapeutas observam a sequência de “nadas” (nothingness) - explosões psicológicas, muitas como uma parcial morte-renascimento, e mesmo Perls sabia bem que “morrer e renascer não é fácil” (Perls, 1969), ele viu esse processo eminentemente transpessoal como a essência da terapia, e também da vida. Seu envolvimento completo nisso se reflete em uma de suas pinturas a óleo que deixou: um auto-retrato onde ele se vê abraçando seu próprio esqueleto.

Não apenas a Gestalt-Terapia encontra o Budismo (e outros caminhos espirituais), sua prescrição de relações virtuosas e cultivo da consciência (awareness), a awareness da dor e da morte em particular, também compartilha com antigos protótipos uma encarnação de feroz guru, que espeta e pisoteia o ego humano. Hesse ressaltou que existem professores apaixonadamente orientados para o exterior, e professores cuja compaixão fala através do giz. Perls, como um Mestre-zen arquetípico, foi um professor habilidoso, foi um mestre da redução do ego antes que Oscar Icharo utilizasse o termo “Arica Training”. Sua tribo cultivou essa habilidade, levando tão a sério a ponto de não pensarmos que é uma técnica. Mais do que um Mestre-zen, entretanto, Perls lembra o primeiro individuo transpessoal e terapeuta, o xamã; e xamanista, também, é o exemplo do papel do terapeuta gestalt como um guia-experiente, um condutor consciente. Este também é o papel daqueles que trabalham com a consciência corporal, com fantasia, ou quem oferece a experiência de meditação guiada; e podemos dizer que a terapia contemporânea está se tornando extremamente xamanista em estilo, e em outras referências. O que faz o papel do terapeuta gestalt particularmente xamãnico, entretanto, é a versatilidade de mover-se organicamente entre os domínios sensorial, afetivo, cognitivo, interativo e imaginativo, potencialmente, o domínio da consciência em si mesma.

Além do papel de guia-experiente, entretanto, o terapeuta gestalt tende a carregar, em um grande ou menor quantidade, o imprint de Fritz Perls em seu ser; e Perls era um xamã em mais de um papel: em sua confiança na intuição, sua orientação cientifica-artística, sua combinação de poder e simplicidade, seus modos incomuns e desafios da tradição, sua familaridade com paraísos e infernos, e talvez o mais importante, sua capacidade dionísica de apreciação da entrega. Acho, também, que ele não era diferente de um verdadeiro xamã quando se descreveu como “50 por cento filho de Deus e 50 por cento filho da puta.” O transpessoal dentro do interpessoal.