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Tendencias

De acordo com a personalidade e o momento de vida pelos quais todas as pessoas passam, podemos dizer que há uma tendência a certos tipos de comportamentos e de visão do mundo. 

O nascimento biológico é um evento de grande magnitude e importância em nossas vidas, e está registrado em nosso DNA na forma de "matrizes" ou padrões experienciais. O nascimento significa todas as mudanças, transformações e passagens pelas quais nos deparamos em toda a existência. 

Quando nos vemos frente a uma oportunidade nova, do tipo, aprender um novo comportamento, conhecer uma nova pessoa, mudar de hábito, ou de opinião a respeito de algo, alguém ou de nós mesmos - reagimos e nos comportamos de maneiras totalmente distintas, quando comparamos duas pessoas. 

Se Freud dizia que as experiências do inicío da infância colaboram com a formação da personalidade, Stanislav Grof vai um pouco além disso, afirmando que o próprio nascimento biológico carrega um enorme significado para cada um de nós, tanto positiva quanto negativamente. 

O significado do nascimento é tão grande, a ponto de a ciência moderna ser capaz de ignorá-lo, como coadjuvante na formação de problemas psicológicos e psiquiátricos. 

Ao invés disso, atribui causas hereditárias, genéticas e da fisiologia cerebral para explicar distúrbios como a esquizofrenia, depressão, e a bipolaridade. Sem dúvida, existem causas orgânicas nessas condições psiquiátricas, mas elas não são a única maneira de compreendê-las. 

A "mudança de hábito" ou "situação nova" são belos exemplos, para servir como referência, no que diz respeito às tendências descritas abaixo. 

Quando você busca mudar um hábito muito arraigado, ou se depara com uma situação totalmente nova, em sua vida, como você reage ? 


Ênfase na MATRIZ I


 - Busca de contato com a água (natação, mar, mergulho, formas de vida aquática)
 - Visão otimista e positiva da existência e da natureza
 - Relação positiva com a "Mãe Natureza", ou com a mãe pessoal
 - Dificuldade de estabelecer limites e impor regras
 - Preguiça ou isolamento, sem necessidade de manter contatos com outros ou com o mundo externo
 - Quando existe ameaça, ela é indefinida e vem de todos os lados
 - Ingenuidade e inocência marcantes, relativos a alguns assuntos
 - Fascinação por barrigas de grávidas





Ênfase na MATRIZ II


 - Relação de vitimização e impotência, tristeza profunda ou estados depressivos
 - Perspectiva fatalista e de aprisionamento na existência (por ex: "A vida é assim mesmo, não tem jeito...")
 - Falta de "tesão" pela vida / baixa libido, ausência de libido, ou culpa em relação à sexualidade
 - Sentimentos negativos a respeito de si e dos outros
 - Percepção de que o tempo não passa, ou que ele passa muito devagar
 - Visão trágica ou melodramática da vida (por exemplo: "Só acontece comigo...")





Ênfase na MATRIZ III


 - Sente que precisa lutar ou estar ativo o tempo todo, pois o "Sistema", os outros ou o mundo, estão contra você. Caso contrário, nada se realizará a seu favor;
- Tendências a intrigas, chantagens e manipulação de situações e pessoas / ou sentir que é vítima das mesmas
- Atração por adrenalina, esportes radicais, direção agressiva e perigosa, viver aventuras, extremamente competitivo(a), tédio se ficar parado por 5 minutos;
- Gosta de, ou tem interesse por filmes de sexo, guerra, terror, vampiros, zumbis, filmes de suspense ou de conspirações maquiavélicas;
- Muitas vezes o seu comportamento chega próximo da auto-destruição ou da falta de controle;
- Hábito por piadas escatológicas, gosto por assuntos relativos a escrementos e fluídos corporais, ou percebe que a vida é uma "merda", cujas adversidades se voltam para você.
- Fascinação por fogo, eletricidade, raios, trovões, tufões, explosões, máquinas e mecanismos gigantes, destruições da natureza, catástrofes e especulações a respeito do fim do mundo.




Ênfase na MATRIZ IV


 - Sentimentos de paz interior, depois de situações resolvidas e escolhas feitas;
 - Compaixão por outras pessoas e outros seres vivos, sem prejuízo próprio ou do outro;
 - Sensação de aceitação de si e dos outros, como são;
 - Capacidade de aproveitar o momento presente, por mais simples que seja;
 - Satisfação com relações pessoais e contato com a natureza;
 - Confiança em si e nos outros, se não existirem motivos contrários a isso;
 - Incapacidade de se preocupar.

Palestra Gratuita Renascimento


O nome Renascimento está ligado ao sentimento de tranquilidade, relaxamento e renovação, que costuma vir depois de muitas vivências com respiração. Porém, os efeitos dessa técnica vão bem além de apenas reviver o nascimento.
Entre outros efeitos, são observados curas de problemas respiratórios, ansiedade, fobias, estresse, pânico e depressão.
As experiências podem ser expansivas, integrativas, de aceitação, de contato prazeroso com o próprio corpo, e estados meditativos profundos.
As pessoas podem ter experiências que as ligam à sua existência como um todo ou a situações específicas, sempre indo na direção de uma integração das experiências de vida. Também podem reformular aqueles valores que não são favoráveis, em valores orientados a uma vida mais saudável.
Durante uma sessão de renascimento, o processo da respiração é circular. A inspiração é conectada à expiração, e feita sempre pela mesma via: a boca ou o nariz. O mais importante é que a inspiração seja profunda, e a expiração seja relaxada e sem forçar.
A relação renascedor - cliente permite o apoio e acolhimento por parte de uma pessoa experiente em respiração. Além disso, faz com que o terapeuta possa saber com o olhar externo o que está se passando internamente com o cliente, e assim, orientá-lo e intervir durante a sessão, se isso for necessário.
A respiração mostra-se uma ferramenta útil e poderosa para a saúde, o bem-estar, tratamento de distúrbios psicossomáticos.
No Domingo haverá um workshop de Renascimento, é a oportunidade de conhecer e vivenciar todo o entusiasmo da respiração e do Renascimento.

DATA: 

Sábados - Dia 16 e 23 de Fevereiro - 16 horas


Local: 

São Paulo

Evento gratuito

Inscrições e informações:
Telefone (11) 3865-7557

antonio.vaszken@gmail.com

Senhor dos Anéis - Herói

A Trilogia "O Senhor dos Aneis" apresenta as 4 matrizes da teoria de Stanislav Grof, de uma maneira bela. Elas apresentam semelhanças com a "Jornada do Herói", descrita por Joseph Campbell.

A Primeira Matriz (MPB I), no filme, refere-se aos momentos em que Frodo está em casa e na sua vila, antes da aventura começar. Tudo é belo, harmonioso e seguro. É o estado inicial e promordial, onde praticamente todas as necessidades são preenchidas.

Refere-se ao estado inicial, onde o herói está em casa, descansando. De um modo experiencial, relaciona-se ao período inicial onde o bebê está dentro do útero, em tranquilidade.


Na nossa vida cotidiana, tem ligações com momentos em que tudo está bem, sem motivos aparentes, e não precisa ser diferente. Essa matriz existe não apenas como memória de um tempo que foi vivido, mas também é um modo de sentir e perceber a existência em vários momentos da vida humana.

Fonte:
http://www.art-wallpaper.net/movie/The-Lord-of-the-Rings
A transição da Primeira para a Segunda Matriz é o momento do "chamado para a aventura". O Herói recebe um chamado para iniciar sua jornada, que tem um prêmio ou dom, a ser encontrado no final da jornada. No filme "Senhor..." trata-se do momento em que Frodo decide ir buscar o anel. 

Experiencialmente, é um momento em que os sinais químicos do útero indicam que o trabalho de parto está começando. A tranquilidade inicial dá lugar a um sentimento de novidade e estranhamento, um tipo de "Ops!"




Video Cassetadas e Comportamentos Repetitivos




Você já parou para ver as "video-cassetadas"? Todo mundo conhece, são vídeos feitos em casa, que incluem momentos constrangedores, na maioria das vezes quedas, escorregões, tombos, entre outras coisas. Hoje em dia, isso passa em vários lugares, não só na televisão aberta, mas nos canais por assinatura e também na internet.

É curioso perceber nossas reações, são as mais variadas possíveis, quando as vemos: Algumas pessoas se deliciam, e riem muito; outras vêem como humilhação; uns aguardam pela próxima cena ansiosos, enfim, cada pessoa reage de maneiras específicas e particulares a esses programas.

No caso das cenas que privilegiem a humilhação, quedas, machucados, e até mesmo violência, e sexualidade, é possível estabelecer uma relação entre o interesse e o prazer de assistir a tais cenas, com o dominio perinatal da teoria Transpessoal.

Antes de entrar nesse assunto, gostaria de mencionar outro elemento importante, que nem sempre é considerado: o fato de saber que se está sendo filmado é capaz de alterar o comportamento dos protagonistas da cena? E também; por quê alguém escolhe não apenas filmar, mas também divulgar, enviar para a televisão ou para a internet as cenas de "video-cassetadas"? O que esses dois comportamentos têm em comum - a exibição de um ato para uma platéia, a dinâmica inseparável do "observado-observador", que também faz parte do domínio perinatal do inconsciente.

O que quero dizer é que assistir, produzir e divulgar essa categoria de videos não se origina apenas das motivações sociais e egocêntricas do campo contingencial, e do ambiente imediatamente observável. Nós não somos uma "tabula rasa" que é totalmente preenchida com os valores parentais e ambientais. Ao nascermos, já temos registros próprios da espécie, da cultura humana e da familia, que exercem influência sobre nosso comportamento e o modo como enxergamos e sentimos o mundo.

Existem aspectos mais fortes e presentes, que são de certa forma, alimentados por conteúdos inconscientes (de natureza perinatal, relativas aos aspectos biológicos e simbólicos do nascimento humano).

Justamente porque esses aspectos nunca encontram uma via autêntica de liberação e vasão, apenas situações incompletas na aparência e nos objetivos, esse tipo de comportamento necessita ser repetido exaustivamente,  pois de alguma forma, a concretização desse sentido não pode ser realizada no cotidiano.


Ainda que alguns desses objetivos sejam benéficos, caso sejam a diversão, expressão pessoal, sentir-se observado e admirado, identificação com outros semelhante, entre outros, eles dificilmente chegam perto da intensidade e da realização plena dos aspectos que os motivam, ou seja, a morte e o renascimento psicoespiritual.

Por isso que muitas pessoas sentem um imenso vazio em suas vidas, muito embora elas possuam tudo que lhes traga felicidade - elas estão realizando apenas uma parte das suas motivações: são reconhecidas socialmente, trabalham honestamente, ganham o quanto podem sem passar necessidade, são ótimos amantes, excelentes profissionais e filhos exemplares.

Quem sabe, elas nunca viveram realmente uma morte psicoespiritual, que é morrer sem a morte física, mas o vazio que elas sentem traz justamente essa sensação de morte, que lhes é necessário para dar u sentido que falta à sua existência. Quando sentem esse vazio, seguem o "script" aprendido de preenchê-lo com o mundo externo: compras, adrenalina, vícios, tudo que lhes distraia e alivie a sensação de vazio. Paradoxalmente, tudo isso acaba trazendo a sensação de morte e vazio, pois no final o saldo continua negativo...

Isso vale para as video-cassetadas, e também para vários comportamentos repetitivos e aparentemente sem sentido, mas que nos dão muito prazer e felicidade na hora, mas no final parecem que não valeram e precisamos repetir.

O domínio perinatal do inconsciente consiste de padrões experienciais, ou matrizes. São assim chamadas "matrizes" com toda a razão, pois são as "fôrmas primordiais" de muitos comportamentos, valores, sentimentos e sensações físicas que vivemos no cotidiano. Foram descobertos a partir de pesquisas controladas de experiências de estados ampliados de consciência.

Tais estados costumam ser alcançados através de meditação, relaxamento profundo, uso de substâncias alucinógenas, rituais indígenas e xamânicos, jejuns prolongados, privação de sono, e até em crises espontâneas. Praticamente todas as filosofias orientais e milenares descrevem algum ou muitos desses padrões experienciais, que fazem parte do registro amplo da humanidade, e portanto, são acessíveis a todas as pessoas de todas as épocas e culturas.

Esse registro amplo foi chamado de "Inconsciente" por Sigmund Freud, e posteriormente, outro psiquiatra chamado Carl Jung chamou-o de "Inconsciente coletivo", por perceber que ele contém todos os padrões experienciais de toda a humanidade, não apenas o registro da vida biográfica individual, como Freud descobrira.

Recentemente, ou seja, em meados dos anos 1960, Stanislav Grof ,outro genial psiquiatra, descobriu que todas as pessoas sujeitas de laboratório para pesquisas psicodélicas, tiveram experiências de regressão ao útero materno e de renascimento psicoespiritual. Após centenas de relatos de casos, constatou que, além de sua compreensão psicanalítica freudiana ser limitada para explicar todas essas experiências embrionárias e relativas ao renascimento psicoespiritual, essas experiências provocavam profundas mudanças na visão de mundo daqueles sujeitos.

Tais mudanças incluiam: resignificação de traumas de tenra infância, de abusos sexuais, de comportamentos suicidas e auto-destrutivos, mudanças de estratégias de vida para uma vida mais simples e menos baseada em medos irracionais, entre outras. Em resumo, muitos casos clínicos considerados com poucas chances de melhora, pois já haviam sido atendido durante longos anos apenas com psicoterapia verbal ou psicanalítica, abordagem muito válida até hoje.

Depois dessa breve história realmente invejável para qualquer interessado no comportamento humano, Stanislav Grof deu continuidade às pesquisas e acabou estabelecendo pontes com outras abordagens que também compartilham de uma visão tanto humanista (que colocam o ser humano no centro do interesse da sobrevivência planetária) quanto multi-dimensional e consciencial (filosofias orientais e conhecimentos da chamada Filosofia Perene). O resultado é constatado e válido até hoje, em sessões de respiração e renascimento, e de terapia vivencial que utilizam abordagem corporal, psicodrama e psicossintese.

A Matriz Perinatal 3, como padrão, relativa a esse tópico de repetição, vazio existencial e video-cassetadas possui os seguintes parâmetros: 


- Identificação com três personagens ao mesmo tempo: agressor, vítima e um terceiro observador


- Sensação de estar numa situação de luta, com a possibilidade de término e vitória


- Aspecto titânico: imensa carga de energia física, voltada para a sobrevivência do feto dentro do canal de parto - resulta em agitação, ansiedade e incapacidade de estar no presente, no mundo cotidiano.


- Dinâmica de antagonismo com a mãe / mundo / outros - sensação de uma "incurável" separação com relação ao mundo, necessidade de estar sempre lutando com adversários na cotidiano


- Elementos sexuais distorcidos, sadomasoquismo, submissão, estupro, contato com elementos biológicos, tais como sangue, urina, fezes, placenta - resulta em dificuldade de estabelecer vínculos amorosos, apenas relações baseadas no prazer imediato e sexual.


- Sensação de que "aqui" não está bom, mas com sacrifício se chegará ao paraíso,que está lá na frente, ou no futuro. Próximo do final, transição para a próxima matriz. - resulta em estratégias perdedoras, baseadas em evitar constantemente a morte do ego, em se estar sempre no controle e em sacrificar o presente para alcançar um objetivo que nunca realmente se concretizará.


Obviamente, nem todos os vídeos tratam de humilhação, agressão ou satirização. São acontecimentos trágicos e inusitados que se manifestam, e ficam em evidência. A questão não é meramente o conteúdo dos vídeos, mas sim o que se faz com eles. Como são exibidos, como aparecem de maneira muitas vezes repetitiva, sem a menor utilidade além de manter espectadores ligados no mundo externo. Qual a atitude de quem exibe e de quem assiste? Qual a filosofia de vida revelada na exposição e na espiação coletiva?