Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 22/03/2012

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RESSIGNIFICAÇÃO DE MEMÓRIAS

Alguns recursos se apresentam hoje em dia, como coadjuvantes para a psicoterapia tradicional. O EMDR é um bom exemplo desses recursos. 


EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) - Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares - apresenta grandes possibilidades para o tratamento de diversos traumas e condições emocionais, tais como a depressão, o estresse pós-traumático, ansiedade, e outros tipos de sofrimento psíquico e emocional.


Como funciona? Através de movimentos oculares, da visualização, e da revivência de memórias traumáticas (e simbólicas) de uma pessoa, permite a ressignificação do sentido dessas experiências. Dessa forma, as crenças limitantes (por exemplo: eu sou fracassado, mereço sofrer, ninguém me ama de verdade, etc) que são a base da compreensão de si mesmo e da realidade, podem ser modificadas, em poucas sessões. Os resultados são impressionantes e duradouros. 


Não se trata de hipnose ou de sugestão, mas sim da revivência das memórias e da sua ressignificação, que se dão em um estado ampliado de consciência, e em um contexto terapêutico. A transformação das crenças limitantes em crenças reais tem origem a partir das vivências, e não através de sugestão. 


A base do EMDR são os hemisférios cerebrais. Os movimentos oculares permitem que a pessoa integre os dois lados do cérebro, movimentando os olhos enquanto visualiza ou revive memórias traumáticas, para em seguida, ter acesso a novos significados vindos a partir do aprofundamento dos processos emocionais que levam à resolução natural dos traumas. 


Por exemplo, uma pessoa que está traumatizada em função de uma catástrofe ou trauma, seja um acidente, enchente ou estupro, pode reviver essa memória, e encontrar novos sentidos, que produzem novas crenças a respeito de quem a pessoa é, e como é o mundo. É possível passar de um papel de vitimização para um papel de responsabilidade pessoal, considerando as limitações e as possibilidades pessoais, deixando para trás idealizações que nunca se realizam, e que podem trazer decepções na vida, pois a pessoa fica sempre esperando que algo idelizado aconteça. 


Grande parte do sofrimento em função de catástrofes acontece em função da manutenção de crenças que nunca se realizam completamente, por exemplo: sou imortal, sou indestrutível, tenho que ser forte sempre, controlo tudo que vai acontecer, posso evitar qualquer mal, etc.


Vamos recordar um filme chamado "Sem Medo de Viver (Fearless)", com Jeff Bridges. Numa das cenas, ele ajuda uma mulher que sofreu o mesmo tipo de trauma que ele (um acidente aéreo). Ela se martiriza e se culpa por não ter conseguido salvar o seu filho, que estava em seu colo, e que morreu após ser arremessado para longe de seus braços, durante a queda do avião. Essa mulher estava presa numa crença limitante, de que ela podia proteger o seu bebê de todo e qualquer mal, e mais especificamente, que ela poderia ter segurado ele com mais força durante o acidente.


O personagem de Jeff Bridges, de maneira brilhante e prática, recria as condições do acidente, e a partir disso, a mulher revive a experiência de não ter conseguido segurar o seu bebê. Com isso, ela compreende que era realmente impossível ela ter conseguido segurá-lo em seus braços, tendo em vista a enorme desaceleração de velocidade que se passou no acidente. E portanto, não foi culpa dela, de não ter tido a força suficiente para mantê-lo em seus braços. 


Importante ressaltar que o EMDR não pode ser feito em condições desprotegidas ou por pessoas leigas. Exige treinamento e formação específicas, e de preferência, que seja realizado por um profissional de saúde mental com uma compreensão ampliada do ser humano, e que leve em conta os múltiplos níveis de consciência.