Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 07/01/2007 - 08/01/2007

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Extraido de "Ken Wilber´s Spectrum Psychology - Stanislav Grof"

Neste trecho, Stanislav Grof rebate algumas críticas de Ken Wilber a respeito do conceito de perinatal. Ele explica que o perinatal não é uma mera revivência de um estado fetal em si mesmo, mas uma regressão de um adulto com todas as faculdades mentais, e personalidade, que passou por todos os estágios do desenvolvimento, e uma re-conexão com o cosmos. É um olhar adulto para as experiências fetais, que juntos formam um todo integrado.

Versão em português

(...) Ridicularizando a idéia de que a regressão ao útero promove insights místicos, Ken usa a imagem de um carvalho e de sua semente original. Ele argumenta que a regressão ao estado fetal não pode mediar um estado místico verdadeiro de união com o mundo, mais do que a união de um carvalho com suas folhas e raízes ou tornar-se um com a floresta, ao identificar-se com a semente original. De acordo com ele, a "união original", vista como o útero ou como a participação pré-histórica de culturas primitivas não é uma união, mas uma indiferenciação.(...)

(...) Expondo de uma maneira mais adequada a natureza das experiências perinatais e dos insights que eles mediam, o carvalho do exemplo de Ken teria de regredir até a sua semente original, e enquanto experienciar sua identidade carvalho/semente, tornar-se simultaneamente consciente de seu contexto inteiro que envolve o cosmos, natureza, o sol, o ar e a chuva. Também estaria associado com um senso de "imersão social" na floresta, descendo na linhagem de todos os carvalhos e sementes anteriores a ele, assim como seu desenvolvimento da semente até a forma do carvalho atual. Um importante aspecto de tal experiência seria a conexão com os arquétipos de Mãe Natureza ou Mãe Terra com a energia criativa e divina que permeia todas as formas.(...)

(...) De qualquer forma, Ken não compreende a natureza das experiências perinatais se ele as vê como nada além de uma repetição da experiência do feto. Sua principal crítica é que a regressão ao pre- e perinatal não podem trazer revelações sobre a existência, porque “o feto no útero não tem consciência do mundo total, da moral inter-subjetiva, artes, lógica, poesia, história e economia” (Wilber 1995, 775). Eu não vejo, porém, como isso pode fazer alguma diferença, uma vez que ao discutir as experiências perinatais, não estamos falando sobre o feto, mas de um adulto revivendo as experiências do feto. Tal regressão é vivida por uma pessoa com personalidade diferenciada e faculdades intelectuais que incluem e integram o desenvolvimento através dos fulcruns pós-natais. Essa quantidade enorme de informação não se perde durante a experiência regressiva, mas se torna parte integral dela. Certamente podemos conceber que os ENOC (estados não-ordinarios de consciência) facilitam uma nova integração criativa, de todas as estruturas com o domínio transpessoal, facilitando o desvelamento de novas estruturas. Mecanismos semelhantes exerceram um papel importante para revelações religiosas, assim como para descobertas científicas e inspirações artísticas.(Harman 1984)

English version

(...) To ridicule the idea that regression to the womb could convey genuine mystical insights, Ken uses the image of an oak and the acorn from which it came. He argues that the regression to the fetal state cannot any more mediate a true mystical union with the word than an oak can unify its leaves and branches or become one with the forest by identifying with the original acorn. According to him, the "original union," whether conceived as the actual womb or as the prehistorical participation mystique of primitive cultures is not a union, but an undifferentiation.(...)


(...) To more adequately portray the nature of perinatal experiences and the insights that they mediate, the oak of Ken's simile would have to regress to the original acorn and, while experiencing its oak/ acorn identity, become simultaneously aware of its entire (acorn and oak) environmental context involving the cosmos, nature, the sun, the air, the soil, and the rain. This would also be associated with a sense of its imbeddedhess in the forest and its descent from a line of preceding oak trees and acorns, as well as its entire development from the acorn to its present form. And an important aspect of such an experience would be its connection with the archetypes of Mother Nature or Mother Earth and with the creative divine energy that underlies all of the above forms.(...)

(...) In any case, Ken severely misunderstands the nature of perinatal experiences if he sees them as nothing but a replay of the actual experience of the fetus. His main objection is that regression to the pre- and perinatal state cannot convey any revelations about existence, because "the fetus in the womb is not aware of the whole world of inter-subjective morals, art, logic, poetry, history, and economics" (Wilber 1995, 755). I do not see, however, how this makes any difference, since in discussing perinatal experiences, we are not talking about the fetus, but about an adult who is reliving the experiences of the fetus. This regression is experienced by an individual with differentiated personality and intellectual faculties that include and integrate the development through all the postnatal fulcrums. This vast amount of information is not lost during the regressive experience and forms an integral part of it. It certainly is conceivable that the NOSC facilitates an entirely new creative integration of all structures with the transpersonal domain, thus facilitating the unfolding of still new structures. Similar mechanisms have played an important role not only in religious revelations, but also in many scientific discoveries and artistic inspirations (Harman 1984).