Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 2013

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Gestalt-Terapia como uma abordagem Transpessoal

(Texto original: GESTALT THERAPY AS A TRANSPERSONAL APPROACH)


Autor: Claudio Naranjo, M.D.

Tradução-livre: Antonio Vaszken Dichtchekenian


EMBORA A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL TENHA se diferenciado como uma abordagem especifica dentre a “3a Força” que veio a ser chamada Humanista, não restam dúvidas de que a Psicologia Humanista - que Maslow apontou como uma alternativa às psicologias mecanicistas de Freud e Pavlov e seus seguidores - se referem à aquilo que é propriedade humana nos seres humanos, junto com valores, significado, o desenvolvimento da consciência e, de modo geral, “os maiores potenciais da natureza humana”. Foi um termo ambíguo usado para uma psicologia implícita ou explicitamente conectada ao lugar que a espiritualidade ocupa na vida humana, pois o Humanismo no passado servira para descrever uma orientação filosófica secular, a palavra faz alusão neste contexto a uma oposição entre uma visão centrada no humano, e uma perspectiva teocêntrica. De fato, é possível distinguir dentre os humanistas, aqueles mais orientados para o Humanismo (no sentido tradicional da palavra) daqueles que têm uma orientação mais Transpessoal.

Ainda que nomes comuns possam ser confusos, e que não seja entendido que apesar de suas origens psicanalíticas e das influências de sistemas gerais de pensamento - as maiores diferenças características da Gestalt-terapia são, realmente, transpessoais.

Por transpessoal quero dizer aquilo que está além do “pessoal” no sentido de personalidade condicionada e individual. “Ao invés de impessoal”, escreve Rudhyar, que iniciou este termo em 1929 (com certeza antes de qualquer outra pessoa), “vamos usar outra palavra mais significativa - Transpessoal. O tipo pessoal de comportamento (ou sentimento, ou pensamento) é enraizado no significado e na forma condicionada de personalidade. Uma forma transpessoal de comportamento é aquela que parte do Self não-condicionado do Homem, utiliza a personalidade apenas como um instrumento” (1975).

Jung, dizem ter usado esta palavra algumas vezes, possivelmente com o significado dos conteúdos do inconsciente coletivo, em oposição aos conteúdos do inconsciente pessoal e da consciência. Na forma de arquétipos, Jung modificou o espiritual em uma psicologia mecanicista, do mesmo jeito que a Psicologia Transpessoal faz hoje. Ainda que a Gestalt-Terapia tenha sido reduzida a uma abordagem humanista ao invés de uma abordagem transpessoal - atualmente quando ambos os termos são dominantes no sistema de pacotes psicológicos - reflete uma tendência (pelo menos nos anos anteriores) de associar o transpessoal mais com o campo visionário, estados alterados de consciência e o paranormal, do que com a base de todos eles: a própria consciência.

Entretanto, o fato é que a consciência é transpessoal. Ou, usando um termo mais recente, espiritual. As tradições mais articuladas deixam isso muito claro. Budismo (da raiz bodh, “desperto”) não é um estado específico de consciência ou da mente, mas a própria mente, o recipiente. Talvez mais explícito seja o Sufismo, que deixa claro que o objetivo do despertar do estado restrito de consciência que é a consciência ordinária, está além dos estados espirituais.” São manifestações derivadas da própria consciência e o resultado da influência transpessoal sobre o pessoal (ou, nos termos tradicionais, do espiritual sobre o ego) que é a explicação comumente usada para o novato “se embebedando com um pouco de vinho” (ou seja, manifestando uma abundância de fenômenos extáticos e visionários no pequeno baraka, ou “força espiritual”).

A tendência natural do iniciante de ficar mais animado sobre o fenômeno produtivo da “embriaguez espiritual” do que a consciência que torna isso possível, é comentada numa estória espiritual coletada por Idries Shah em “Tales of the Dervishes” (Contos dos Dervishes). É um conto de um jovem que foi guiado por um dervishe a um local onde ele evocou a Terra para se abrir e instrui-lo a descer e encontrar um candelabro de ferro. Assim que o jovem desceu até o local específico, ele viu belíssimos tesouros que lotavam seus braços com jóias e ouro. Então, ele viu o candelabro e decidiu levá-lo junto também. Quando ele saiu, entretanto, o dervishe não estava mais lá e seu tesouro desaparecera. Apenas restava o candelabro. Isso é apenas o começo da estória, que conta como este candelabro era mágico e podia ser utilizado de um certo modo para conquistar tesouros, e como o jovem, em função de sua ganância e pouco conhecimento, perdeu-o. Este pequeno exemplo serve para ilustrar a relação entre consciência e os estados “espetaculares” de consciência. Consciência, como a conhecida galinha e os ovos de ouro, é o verdadeiro tesouro, mas a nossa tendência é a de não valorizá-la.

Considero que uma mudança dos conteúdos mentais para a própria consciência pode bem ser a característica mais marcante das terapias humanistas e transpessoais; ainda que esse vazio na prática psicoterapêutica, precedeu um vazio correspondente na teoria, e consequentemente (apesar do interesse crescente em meditação) a natureza transpessoal da consciência não foi definida corretamente.

O fato de a Gestalt-Terapia ser normalmente reduzida a Humanista ao invés de Transpessoal reflete esta falta de precisão conceitual, embora a mais compreensível se considerarmos que a espiritualidade da Gestalt-Terapia é, de um certo modo, disfarçada. Com esse, “de um certo modo” me refiro a rejeição de Perls pela religiosidade ordinária. Sua prática comum de responder ao papo “espiritual” (e outros assuntos também) como um sintoma neurótico foi apropriado, entretanto, é mais espiritual ainda desafiar o paciente a se relacionar consigo mesmo além dos campos simbólico e ideal. Me recordo da perplexidade de um religioso, por exemplo, para quem Perls respondeu sobre um assunto espiritual “Me sinto separado de você pelo seu Deus.” Ele esclareceu: “Você coloca Deus entre você e eu.” Claro que estava se referindo à tendência semi-universal de complicar ações diretas e espontâneas no aqui-agora com modos ideológicos de relação. Houveram muitos, com certeza, que deixaram de acreditar nele como autoridade espiritual assim que ele magoou suas crenças sacrosantas, e isso colaborou para a visão de um homem e sua obra como anti-espiritual.

Espiritualidade não é matéria de ideologia, entretanto, a natureza transpessoal de uma teoria é um fato que ultrapassa afirmações a respeito dela. A experiência satori ou despertar pessoal de Perls, como descrita em sua autobiografia, e sua experiência com meditação (ele disse a mim, certa vez, que vivia em Esalen, que praticava pelo menos uma hora diária) sem dúvida serviram de fundo para a forma da Gestalt-terapia como um equivalente moderno da prática Budista. Isso aconteceu particularmente enquanto esteve na Califórnia e talvez sem seu conhecimento.

A prática budista é essencialmente treinamento da consciência com moralidade. Assim também é Gestalt-Terapia, ainda que a palavra moralidade pareça ser distante de espiritualidade. Inasmuch como o processo terapêutico da Gestalt busca debilitar aquilo que Karen Horney (analista de Perls) chamava de “tirania dos debeísmos” (1950) com o qual a moralidade ordinária anda de mãos dadas, a teoria a princípio pode ser vista tanto como antiespiritual quanto antimoral. Uma visão mais profunda, entretanto, mostra um contexto (especialmente em grupos) para uma prática de virtudes como a coragem e autenticidade, que são a essência central do desenvolvimento moral - além das regras específicas de comportamento. De fato, expressei em outro lugar, as ações do terapeuta devem ser compreendidas, de um ponto de vista, como reforçamentos negativos de comportamentos inautênticos e apoio da auto-expressão genuína.  

Moralidade deve ser entendida como o trabalho interpessoal da espiritualidade tradicional. Os primeiros mestres de várias culturas perceberam claramente o quão decepcionante o desenvolvimento mental é, se as práticas contemplativas são realizadas sem a fundação de uma prática orientada pela transcendência de comportamentos compulsivos e aversivos conhecidos como paixões. Sem mentir, sem roubar, sem matar ou machucar são os modos orientais de crescimento, não apenas moralidade, como vieram a ser em nossa tradição-mosaico, mas em Patanjali, preliminares do Samadhi e, em “O Caminho dos Oito Passos” de Buda, aspectos da vida correta e do esforço correto, que seguem a visão correta e preparam o chão da mente e da concentração corretas. É difícil imaginar tentativas bem-sucedidas que levem a uma vida pura neste senso tradicional, sem um processo de mudança da personalidade envolvendo a diminuição de necessidades débeis e uma diminuição do vínculo com a decepção. Na ausência de um contexto mental apropriado e num clima de autoritarismo (ambas, condições do nosso backgroud cultural), moralidade torna-se moralismo, entretanto, que leva não ao aumento da transcendência da deficiência (ou seja, desapego), mas à repressão.
O revigorar dos EUA puritano tem se caracterizado pela crise da repressão, e muitas terapias conduziram a isto - proclamada pela psicanálise - caracterizam-se não pelo controle do comportamento mas pela perda dos controles; não pela inibição mas pela expressão.

Igual a outras terapias contemporâneas, Gestalt-terapia é de considerada um modo de consciência através da expressão - não apenas verbal mas motora-gestual, imaginal, e comumente entendida como artística. O que é geralmente esquecido, entretanto, é que a teoria Gestalt envolve um não menos importante mas sutil e menos explicado elemento de inibição voluntária: inibição da conceitualização obssessiva, da manipulação, e do comportamento inautêntico (“jogos”). Sim, “vale tudo”, na abordagem Gestalt contanto que a experiência seja comprometida, assim como sua expressão, exagerada “acting out”, dramática como deve ser no contexto da experiência guiada, não é nada que possamos denominar de regra da Gestalt. Exatamente porque a característica do comportamento inautêntico dos modos neuróticos de ser-no-mundo envolvem uma tentativa de evitar certas experiências, a atitude do terapeuta é convidar ao desfazer dessas evitações, um “fique com isto”, ainda que dolorido e confuso. Na visão de Perls, nossa consciência é restringida porque não aceitamos o nosso sofrimento, e o processo terapêutico necessariamente implica (como nas tradições espirituais, devemos citar) um elemento de austeridade. A austeridade básica, podemos chamar assim, é a não-indulgência do que as tradições espirituais chamam de ego, e Perls chama de caráter e equalizar com um sistema de respostas fixas obsoletas que interferem com a função do organismo. Para ele (e isso foi uma visão impopular na época) o ser humano ideal seria além do caráter - uma frase que traduziríamos como: “funcionando no nível transpessoal”.

Como Perls era um não-dualista fervente - no sentido de negar  “a superstição de que haja separação, ainda uma inter-dependência entre duas substâncias, o mental e o físico”  (Perls, 1969, p.2) - ele preferira a palavra organismo à alma ou Self. Para ele, “mente-matéria como unidade é verdadeiramente um organismo.” Sua escolha da terminologia (emprestada do Smuts [1926] e Goldstein [1939] sem dúvida contribuiu para uma impressão generalizada que sua visão era materialista ao invés de espiritual (ou seja, transpessoal). Essa presunção é facilmente desfeita se considerarmos sua visão de consciência - junto com espaço e tempo - como um aspecto fundamental do universo dentre seus diferentes níveis de organização. Além do mais, a integração das visões materialista e espiritual em seu pensamento é conveniente com suas afirmações a seguir:

“Thus matter seen through eyes of mine
Gets god-like connotation”

Seja a matéria vista pelo olhos meus
Ganha conotação divina
(Perls, 1969)

e (referindo-se ao tempo, espaço e consciência)

“The triple God is ultimate
He is creative power
Of all the universal stuff.”


O Deus triplo é definitivo
Ele é poder criativo
De todas as coisas universais.
(Perls, 1969)

se a moralidade da Gestalt-Terapia é aquela da autenticidade e não-manipulação (do self ou outro), seu treinamento da percepção (awareness) pode ser resumido na afirmação que J. S. Slmkin propôs como uma síntese da abordagem: “Eu e tu, aqui e agora.” Em outras palavras, é uma prática de consciência no relacionamento (ainda que às vezes seja uma relação internalizada). Nisto se diferencia da prática do Budismo da consciência em isolamento. Assim como um treinamento em percepção, o sétimo item de “Caminho dos Oito Passos” é um processo transpessoal, a prática da consciência (awareness) em relacionamentos pode ser descrita, da mesma forma que a Gestalt-terapia em geral, como trazer o transpessoal para o interpessoal.

O cultivo da consciência do aqui-agora em Gestalt-Terapia anda de mãos dadas com outro tema compartilhado pelas psicologias tradicionais, Budismo em particular. Chamaremos isso de “abertura”: estar consciente do que ocorre aqui e agora em nosso campo de experiência. Envolve uma atitude básica de permissão - uma aceitação indiscriminada da experiência, que é um “abandonar” ou deixar de lado os padrões ou expectativas. Expressa-se na Gestalt-Terapia de inúmeras formas, diferente do ato de ser consciente sem manipulação pessoal.

Uma dessas formas é o que Fritz Perls chamou, depois de S. Friedlander, “indiferença criativa” (1966). Com isso, ele quis dizer a habilidade de permanecer num ponto neutro, desconectado das polaridades conceituais e emocionais opostas em jogo em cada momento da consciência. Perls demonstrou uma medida de indiferença criativa sendo um psicoterapeuta, ao ser capaz de ficar no ponto zero sem ser pego pelos jogos de seus pacientes. Acho que o ponto zero é um refúgio do terapeuta Gestalt no meio da intensa participação - não apenas uma fonte de força mas um suporte pessoal definitivo.

Um outro aspecto da abertura em Gestalt-Terapia é a aceitação da não-experiência; a aceitação do nada (nothingness). Perls deu bastante importância a isto, a ponto de descrever o processo terapêutico como um caminho “do vazio estéril ao vazio fértil” (Perls, 1969). Por “nada” (nothingness) ele quis dizer não-coisa (no-thingness) - ou seja, awareness não-articulada indiferenciada - e falando em vazio fértil ele quis dizer que estar na casa da consciência indiferenciada é a fundação ou chão para uma figura saudável da awareness articulada no aqui-e-agora. Em várias ocasiões os Gestalt terapeutas observam a sequência de “nadas” (nothingness) - explosões psicológicas, muitas como uma parcial morte-renascimento, e mesmo Perls sabia bem que “morrer e renascer não é fácil” (Perls, 1969), ele viu esse processo eminentemente transpessoal como a essência da terapia, e também da vida. Seu envolvimento completo nisso se reflete em uma de suas pinturas a óleo que deixou: um auto-retrato onde ele se vê abraçando seu próprio esqueleto.

Não apenas a Gestalt-Terapia encontra o Budismo (e outros caminhos espirituais), sua prescrição de relações virtuosas e cultivo da consciência (awareness), a awareness da dor e da morte em particular, também compartilha com antigos protótipos uma encarnação de feroz guru, que espeta e pisoteia o ego humano. Hesse ressaltou que existem professores apaixonadamente orientados para o exterior, e professores cuja compaixão fala através do giz. Perls, como um Mestre-zen arquetípico, foi um professor habilidoso, foi um mestre da redução do ego antes que Oscar Icharo utilizasse o termo “Arica Training”. Sua tribo cultivou essa habilidade, levando tão a sério a ponto de não pensarmos que é uma técnica. Mais do que um Mestre-zen, entretanto, Perls lembra o primeiro individuo transpessoal e terapeuta, o xamã; e xamanista, também, é o exemplo do papel do terapeuta gestalt como um guia-experiente, um condutor consciente. Este também é o papel daqueles que trabalham com a consciência corporal, com fantasia, ou quem oferece a experiência de meditação guiada; e podemos dizer que a terapia contemporânea está se tornando extremamente xamanista em estilo, e em outras referências. O que faz o papel do terapeuta gestalt particularmente xamãnico, entretanto, é a versatilidade de mover-se organicamente entre os domínios sensorial, afetivo, cognitivo, interativo e imaginativo, potencialmente, o domínio da consciência em si mesma.

Além do papel de guia-experiente, entretanto, o terapeuta gestalt tende a carregar, em um grande ou menor quantidade, o imprint de Fritz Perls em seu ser; e Perls era um xamã em mais de um papel: em sua confiança na intuição, sua orientação cientifica-artística, sua combinação de poder e simplicidade, seus modos incomuns e desafios da tradição, sua familaridade com paraísos e infernos, e talvez o mais importante, sua capacidade dionísica de apreciação da entrega. Acho, também, que ele não era diferente de um verdadeiro xamã quando se descreveu como “50 por cento filho de Deus e 50 por cento filho da puta.” O transpessoal dentro do interpessoal.

Curador Interno - Inner Healer




A teoria de Stan Grof é baseada totalmente nas suas pesquisas clínicas de laboratório. 

Estas, realizadas desde os anos 1960, inicialmente com a substãncia recém-sintetizada em laboratório LSD, pela Sandoz na Suíça, e posteriormente, com técnicas de alteração da consciência sem drogas, como a Respiração Holotrópica (tm) e o Renascimento.





Inicialmente nomeada de "Integração Holonômica" e por fim "Respiração Holotrópica", essa técnica utiliza o conceito de "curador interno" (inner healer, em inglês).

Trata-se da capacidade intrínseca de cura da consciência, presente tanto nos estados ampliados, quanto nos estados comuns do dia-a-dia.

Tem a função de trazer à consciência os conteúdos (sensações,imagens, situações, emoções, memórias, insights) para serem reconectados à totalidade da mesma. 


O "Curador Interno" funciona como um "radar", que seleciona conteúdos
de maior relevância para ficarem totalmente conscientes



O "curador interno" está acessível a todas as pessoas, em graus diferentes de manifestação. Recomenda-se atenção e percepção das informações que esse aspecto está sempre disposto a nos mostrar.

Essencialmente, significa que todas as situações da nossa vida são oportunidades de cura de nossos sofrimentos, desde que elas sejam compreendidas como tal, ao invés de castigos ou coincidências que cruzam a nossa existência.

No dia-a-dia, situações que nos provocam reações conhecidas, na verdade, podem nos revelar muito a respeito de nós mesmos, se observarmos nossas reações de um modo "objetivo", sem julgamentos pré-definidos de valor. 

Nossa educação tradicional nos direciona a olhar para os objetos e o mundo externo, e encarar nossas reações como consequências diretas do mundo externo. Além disso, não somos ensinados a observar a nós mesmos de modo semelhante ao que fazemos com os objetos externos, mas isso também é possivel com práticas de meditação, contemplação, relaxamento e hipnose, para citar algumas. 

A meditação permite aprimorar o olhar para dentro de nós mesmos,
e trazer a consciência para o momento presente.


Nas sessões de Respiração Holotrópica (tm) e Renascimento, a percepção do fluxo de consciência fica mais fácil de ser observada, em função da sua ampliação, e da consequente ação de mecanismos de cura, como o "curador interno", que torna-se o centro das atenções, pois o foco da mente está voltado para o mundo interior.

O conceito de "curador interno / inner healer" devolve às pessoas seu poder de auto-realização e autoconhecimento, se promovido num ambiente de respeito e apoio incondicionais ao que cada pessoa revela de si mesma no mundo.

A função do terapeuta é a de facilitador do movimento de cura que já está ocorrendo, até que este processo se complete, e a pessoa seja capaz de existir no mundo sem o acompanhamento do terapeuta.

Allan Watts - E se dinheiro não fosse um problema?

Allan Watts - "E se o dinheiro não fosse um problema?"

Estrategia De Vida - O Caminho Do Curso D`agua

Trechos do livro "Quando o Impossível Acontece", de Stanislav Grof, pela Editora Heresis, 2007
"O Caminho do Curso D`água" - Pagina 79

 
(...) Uma das características mais impressionantes do trabalho experimental profundo com estados ampliados de consciência é o efeito que tem sobre o nosso modo de vida e sobre a estratégia que usamos para lidar com desafios e projetos. O modelo oferecido em sociedades tecnológicas, no que se refere a isso, é definir o objetivo que desejamos conquistar e buscá-lo com energia concentrada e determinação inabalável. Isto inclui a identificação e remoção de obstáculos que impedem nosso avanço e o combate com potenciais inimigos. A vida de um indivíduo que siga essa receita assemelha-se a uma luta de vale-tudo ou uma competiçao de boxe (...)" . 

(...) Trabalhei com muitas pessoas que conseguiram entender as forças psicológicas subjacentes a esta estratégia e transcendê-la. Essas pessoas descobriram que este enfoque à existência reflete o fato de que não superamos a marca deixada pelo trauma do nosso nascimento em nossa psique e estamos separados e alienados do domínio espiritual. Nossos esforços para conquistas externas são projeções de um esforço mais profundo e muito mais fundamental para completarmos psicologicamente o processo do nascimento e para fazermos uma conexão espiritual. Não há fim para a nossa fome por conquistas externas, porque nunca temos o bastante do que, na verdade, não precisamos ou desejamos (...). 



(...) A auto-exploração responsável e sistemática pode ajudar-nos a superar o trauma do parto e a fazer uma conexão espiritual profunda. Isto nos leva na direção do que os mestres espirituais do tao chamam de wu wei, ou "quietude criativa", que não é ação envolvendo o esforço ambicioso determinado, mas fazer por ser. Isto é chamado, às vezes, de "caminho do curso d`água", porque imita o modo como a água opera na natureza (...).

(...) Em vez de nos concentrarmos em determinado objetivo pré-fixado, tentamos sentir a direção em que as coisas se movem e como podemos nos ajustar a esse movimento. Esta é a estratégia usada nas artes marciais e no surfe, que envolve o foco sobre o processo, em vez de no objetivo e no resultado. Quando conseguimos enfocar a vida dessa forma, acabamos por conquistar mais e com menos esforço. Além disso, nossas atividades não são egocêntricas, exclusivas e competitivas, como ocorre durante a busca de metas pessoais, mas inclusivas e sinérgicas. O resultado não nos traz apenas satisfação, mas serve também a um fim maior da comunidade (...).

(...) Também observei repetidamente e já senti pessoalmente que, quando operamos nessa moldura taoísta, coincidências benéficas e sincronicidades extraordinárias tendem a ocorrer em apoio ao nosso projeto e nos ajudam em nosso trabalho. Descobrimos "acidentalmente" as informações que precisávamos, as pessoas certas aparecem no momento certo e os fundos necessários nos vêm inesperadamente (...).

O Mistério da Sincronicidade

Atendendo a pedidos, seguem abaixo trechos exttraídos o livro de Stanislav Grof - "Quando o Impossível Acontece" - Editora Heresis, 2007. Primeira parte - O Mistério da Sincronicidade - páginas 31 a 34
"(...) O cientista responsável por dirigir a atenção dos círculos acadêmicos para o problema de coincidências significativas que desafiam uma explicação racional foi o psiquiatra suíço C.G. Jung. Consciente do fato de que a crença inabalável no determinismo rígido representava o marco da visão científica ocidental, ele hesitou por mais de vinte anos, antes de tornar pública a sua descoberta. Esperando forte descrença e duras críticas de seus colegas, ele quis garantir que poderia apoiar suas asserções hereges com centenas de exemplos. Então, ele finalmente descreveu suas observações revolucionárias em seu famoso ensaio com o título de: "Sincronicidade: um princípio de conexão acausal"(...).



(...) Jung também relatou uma história divertida contada pelo famoso astrônomo francês Flammarion, sobre um certo monsieur Deschamps e um tipo especial de ameixa. Quando menino, Deschamps recebeu uma porção desse pudim raro de um monsieur de Fontgibu. Durante os dez anos seguintes, ele não teve oportunidade de provar aquela delícia, até ver o mesmo pudim no cardápio de um restaurante de Paris. Ao pedir uma porção do pudim ao garçom, teve o desprazer de descobrir que o último pedaço já fora pedido e consumido por monsieur de Fontgibu, que estava no mesmo restaurante naquele momento.Muitos anos depois, monsieur Deschamps foi convidado para uma festa onde este pudim era servido como sobremesa. Enquanto o comia, ele comentou que a única coisa que faltava era monsieur de Fontgibu, que lhe revelara esta delícia e também estivera presente durante seu segundo encontro com o pudim, no restaurante em Paris. Naquele momento, a campainha tocou e um senhor idoso entrou, parecendo muito confuso. Era monsieur de Fongibu, que entrara ali, por engano, porque recebera o endereó errado para o lugar aonde deveria ir.(...)"

"(...) As observações de Jung acrescentaram outra dimensão incrível a este fenômeno já espantoso. Ele descreveu numerosos exemplos do que chamou de `sincronicidade` - coincidências impressionantes, nas quais diversos eventos da realidade consensual estavam ligados de modo significativo com experiências internas, como sonhos ou visões. Ele definiu sincronicidade como "uma ocorrência simultânea de um estado psicológico com um ou mais eventos externos que parecem ser paralelos significativos do estado subjetivo momentâneo". Situações desta espécie mostram que nossa psique pode entrar em uma interação dinâmica com o que parece ser o mundo da matéria. O fato de que algo assim é possível realmente turva os limites entre a realidade subjetiva e objetiva(...)".

"(...) As observações de sincronicidade tiveram um impacto profundo sobre o pensamento e o trabalho de Jung, partticularmente sobre suas idéias envolvendo os arquétipos, imagens primordiais e princípios organizadores do inconsciente coletivo. A descoberta dos arquétipos e de seu papel na psique humana representou a contribuição mais importante de Jung para a psicologia (...)."

"(...) A existência de eventos sincrônicos fez com que Jung percebesse que os arquétipos transcendiam tanto a psique quanto o mundo material, e que eram padrões autônomos de significado, que informavam tanto a psique quanto a matéria. Ele viu que os arquétipos ofereciam uma ponte entre o interno e o externo e sugeriu a existência de uma zona limítrofe entre a matéria e a consciência. Por esta razão, Jung começou a referir-se à qualidade `psicóide` (tipo-psique) dos arquétipos (...)".


Desordens Psicossomaticas - Fobias, Depressão - segundo Stanislav Grof

ARQUITETURA DAS DESORDENS PSICOSSOMÁTICAS,
   DE ACORDO COM STANISLAV GROF

(última atualização em 8/2/2013)

A partir das inúmeras pesquisas de estados holotrópicos de consciência (resultantes de: meditação profunda, hipnose, terapia experiencial, substâncias psicodélicas, acidentes, perdas de entes queridos, crises existenciais, e altos níveis de estresse,) percebeu-se uma influência de arquétipos e memórias condensadas (COEX) dos tipos biográfico, perinatal e transpessoal na formação e manutenção das referidas desordens.

Veja explicação dos termos acima em: Glossário de Transpessoal Grofiana

*** Em ordem alfabética ***

Agorafobia medo de lugares abertos, ou da mudança de um lugar aberto para outro totalmente aberto – Raízes perinatais (ligadas ao reviver do nascimento biológico): associado ao estágio final da MPB III (estágio de aprisionamento no canal de parto), onde ocorre uma liberação repentina, que se alterna com grande uma tensão. Essa liberação pode trazer a sensação de perda de controle da situação e de si mesmo.



Alcoolismo (e vícios em drogas) - Esses comportamentos parecem intimamente ligados a depressões e suicídios. No que diz respeito ao uso de drogas intoxicantes, caracteriza-se por um desejo imenso por experiências de bem-aventurada unidade indiferenciada. Períodos imperturbados da vida intra-uterina, antes do processo de nascimento representam essa tão desejada indiferenciação. O suicídio não violento, juntamente com o uso de drogas intoxicantes, reflete uma necessidade inconsciente de desfazer o processo de nascimento e voltar ao ventre materno. A busca por tais estados consiste num grande engano por parte daquele que está nesta busca. Pacientes viciados que puderam vivenciar estados "puros" de unidade cósmica em sessões psicodélicas supervisionadas por Stanislav Grof, constataram uma semelhança superficial, porém com diferenças fundamentais entre estados transcendentais e intoxicação por drogas. O álcool e os narcóticos entorpecem e obscurecem os sentidos, interferem com funções intelectuais e produzem anestesia emocional. Ao passo que os estados transcedentais são reconhecidos por grande intensificação de percepção sensória, serenidade, clareza de pensamento, abundância de insights filosóficos e espirituais, e incomum riqueza de emoções. Para um indivíduo sofredor que procura auxílio desesperadamente, e é incapaz de uma discriminação correta, parece haver semelhança suficiente para que ele incorra em sistemático abuso. (Grof, Stanislav in Além do Cérebro - p.193-194 - Ed McGraw-Hill). 

Existe um outro tipo de correlação entre o uso de drogas e o parto, quando este se encontra nos estágios finais, de luta, dentro do canal, também conhecida como Matriz 3 (MPB III). Nesses casos, as mães dos pacientes receberam uma grande quantidade de anestesia geral. Desse modo, a memória que os pacientes têm do nascimento não é a de uma libertação explosiva, mas de um lento despertar de intoxicação por drogas. Eles tendem, então, a escapar do controle doloroso da Matriz 3 (na vida adulta, pode se apresentar por situações de enfrentamento, oposição, desafio pessoal, perda de controle, confiança no outro) e da grande tensão geral, em direção à anestesia induzida quimicamente, seguindo o caminho que lhes foi mostrado pelo obstetra que atendeu seu nascimento. (Grof, Stanislav in Além do Cérebro - p.194 - Ed.McGraw-Hill)



Ansiedade generalizada - Entre os sintomas de transtorno de ansiedade generalizada estão: preocupação exagerada crônica, tensão, e irritabilidade, que parecem não ter causa, e que são mais intensos do que a situação justificaria. Sinais físicos: dificuldade para dormir, agitação, dor de cabeça, tremores, espasmos, tensão muscular e sudorese. Se alguém passa pelo menos seis meses preocupado excessivamente por problemas cotidianos, isso pode indicar transtorno de ansiedade generalizada e a pessoa deveria consultar um médico para diagnóstico. Fonte: http://www.copacabanarunners.net/ansiedade-tipos.html

Raizes perinatais: Relaciona-se com sistemas COEX (sistema de memórias condensadas) da Matriz I (estágio inicial, antes do inicio do trabalho de parto), em situações onde o útero está de alguma forma perturbado, por drogas, ou onde a mãe está sob grande tensão emocional. Raízes biográficas: Situações pós-natais de omissão, falta de contato físico nutridor em ocasiões de tensão.




Asma psicogênica - Relacionada às sensações de agonia e sufocação vividas durante o nascimento biológico, e relacionada ao processo de morte-renascimento. Junto com a gagueira e outros cacoetes, a asma psicogênica é uma "conversão pré-genital" (de acordo com a psicanálise freudiana), e tem aspectos obsessivo-compulsivos (necessidade de controle). A terapia experiencial mostra que as conversões pré-genitais são derivadas da Matriz Perinatal 3 (MPB III). Retenção anal relacionada à necessidade de controle, outro aspecto da MPB III, junto com o aspecto obsessivo-compulsivo. Os processos fisiológicos da asma relacionam-se com a dinâmica biológica do nascimento. Experiências biográficas como doenças, acidentes e incidentes que envolvem a respiração e o bloqueio geral da energia, colaboram para o aumento dos sintomas da asma durante a vida.
Fonte da imagem: www.sanitaincifre.it

Auto-estima de "merda” e Compulsão de lavar as mãos e outras partes do corpo  Ambas associadas às neuroses obsessivo-compulsivas. No caso da auto-estima de merda, existe nojo de si mesmo, auto-degradação, e tentativas de melhoria da aparência externa, além de comportamentos obsessivos-compulsivos, também conhecidos por TOC. Sistemas COEX (memórias e fantasias condensadas) associadas com a MPB III (estágio do nascimento onde o feto está preso no canal de parto), onde pode existir contato ou ingestão de material biológico, como as fezes e urina.
Seriado "Monk", retrata um detetive obsessivo-compulsivo,
obcecado por organização e limpeza.

Bacilofobia ou misofobia = medo patológico em materiais biológicos, odores corporais e sujeira. Medo que se contaminem, e de contaminar os outros. Associados a memórias biográficas da época do treinamento de controle dos esfíncteres. Mais profundamente, associação com os aspectos escatológicos (fezes, urina e sangue) do processo perinatal (nascimento biológico). Conexão entre MPB III, morte, agressividade, excitação sexual e material biológico. Medo associado com a agressividade que se expressa tanto para dentro quanto para fora, relacionados aos estágios finais do nascimento.

Johnny Knoxville - criador e astro da série "Jackass",
em uma de suas proezas escatológicas.
Bipolaridade - ver "Episódios maníacos (euforia)" abaixo.

Cancerofobia = semelhança entre o câncer e gravidez. Em muitos aspectos, as células cancerígenas se assemelham às células embrionárias, nos primeiros estágios da gravidez.

Claustrofobia – medos de lugares fechados ou apertados – Raízes perinatais: Influência de um sistema COEX ligado ao início da MPB II, (primeiro estágio do nascimento biológico, após rompimento da bolsa, mas sem possibilidade imediata de saída) , situação sem-saída e de morte iminente.

Cena do filme "Enterrado Vivo", com Ryan Reynolds

Explorador de cavernas no sul da Califórnia (EUA), em esporte nos quais se passa por espaços
bastante apertados, onde só se avança rastejando, muitas vezes no escuro total, e sem saber onde vai dar.
Fonte: http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=112209
Depressão - Os sintomas depressivos de sentir-se restringido, sem saída, enxergar somente os aspectos negativos da existência, bloqueios corporais na região do peito, dificuldade de respirar, angústia, etc. Têm relação com as experiências condensadas (sistemas COEX) associadas com a MPB II (primeiro estágio do parto biológico - a bolsa rompeu mas o feto ainda não consegue sair, encontra-se entalado).



Dermatite alérgica (alergias de pele) - A pele é a barreira que delimita o ser do ambiente. Alergias podem indicar hipersensibilidade ao contato, tentando evitar o contato com o mundo externo. Falta de experiências de contato físico nutridor com a mãe, abandono. No outro extremo, também a hiper-proteção materna pode provocar alergias, pela falta de experiências de confronto do organismo com elementos do ambiente. Situações de insegurança, perdas, onde o limite individual ainda não é bem definido.



Dores de cabeça de enxaqueca - Aspecto do nascimento que envolve agoniante dor e pressão na cabeça, náusea e desconforto gastrointestinal. Quem sofre de enxaqueca tende a procurar lugares que lembrem o ventre materno (lugares escuros, silenciosos, com cobertores e travesseiros macios), com a intenção de desfazer o processo de nascimento e retornar à condição pré-natal. Porém, o que soluciona a dor de cabeça é a estratégia oposta, haja visto em muitos resultados bem-sucedidos de terapia experiencial: a dor deve ser intensificada ao extremo, à dimensões insuportáveis que se assemelhem à dor real sentida no nascimento. Isso trará libertação da enxaqueca, seguida por um estado extático de natureza transcendental.


Episódios Maníacos (Euforia) - A euforia costuma alternar-se com a depressão nos distúrbios bipolares. Relacionados com a transição incompleta da MPB III para a MPB IV.

Reviver a transição da MPB III para a MPB IV é voltar ao momento final do nascimento e da chegada ao mundo, como uma entidade separada da mãe. Podem aparecer diversas sensações e sentimentos: medo e sensação de perda de controle, sensação de uma catástrofe iminente, sensação de mudança brusca de ambiente, expansão do espaço e perda das referências pessoais antigas. 

A vivência da Matriz IV incompleta é exatamente a mesma vivenciada por alguém em episódio maníaco: há uma sensação de poder e de euforia, que não estão de acordo com uma liberação completa de elementos aprisionadores da psique. Stanislav Grof descreve esse estado como "assobiar no escuro", numa clara alusão ao disfarce dos reais sentimentos que estão ocorrendo. Esses sentimentos têm a ver com a morte psicoespiritual do falso ego (necessidade de controle, auto-afirmação, senso de incompatibilidade com o mundo e com os outros).

A Matriz IV completa caracteriza-se por tranquilidade, sensação de equanimidade com o mundo, respeito por si e pelos outros, reconexão com o mundo como sua própria "Casa", etc. 
O filme "Sem Medo de Viver"(Fearless) conta a história de um homem que sobrevive a um acidente de avião, sente-se "imortal", e começa a por a prova sua vida, pois deixa de temer a morte. A transição completa da Matriz 3 para a Matriz 4 envolve trazer à consciência e integrar, os conteúdos do processo de morte-renascimento que ocorrem nos estágios finais do parto, e que ao mesmo tempo, desvelam as condições existenciais de "encarar" a própria morte.
(O título em português poderia ser um pouco melhor...)

Estresse pós-traumático (síndrome do EPT) - Ocorre em indivíduos que se envolveram em catástrofes de grandes proporções, acidentes com muitas pessoas, situações de guerra, ou situações que representam ameaça à sobrevivência ou integridade corporal, como assaltos, sequestros, violência em geral. Essa condição não implica qualquer dano físico ao organismo, mas somente o trauma psicológico associado com a possibilidade do dano. Mesmo assim, a síndrome do EPT envolve tipicamente, manifestações físicas: dores, cãimbras, violentos tremores e paralisias. A emergência aguda que precipita EPT aproxima-se tanto da situação do nascimento que anula o sistema de defesa e liga-se experiencialmente ao próprio âmago da MPB III. Mesmo depois de passado o perigo imediato, a pessoa continua imersa em energias perinatais, contra as quais ele perdeu toda a proteção psicológica.


Fobia de alturas (Acrofobia) – Típica dos estágios finais do nascimento, onde existe a sensação de cair e o medo da destruição. Memórias de nascimento onde o bebê foi largado, sofreu uma queda, indicando o primeiro contato com a gravidade. Não é uma fobia pura, é associada a uma compulsão de se atirar ou pular de um lugar alto – torre, janela, penhasco ou ponte. 

Fonte: http://www.hseconsultores.com/home/images/stories/alturas9.jpg

Fobia de animais grandes, como lobo ou vaca: medo de ser engolido ou incorporado, relacionado com o início da MPB II. Também pode apresentar relação com Aracnofobia (medo de aranhas), pelo motivo de aranhas representar o feminino que aprisiona e devora.

Cena do filme: "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei", onde Frodo encontra
uma aranha monstruosa que o envenena, captura com a teia e o prende num casulo.

Fobia de cobras (ofidiofobia) – Relação com o aspecto perinatal, animais que representam ameaça de morte iminente, esmagamento e estrangulamento, que fazem parte do nascimento. Jibóias que engolem suas presas aumentam esse medo, por serem mais parecidas com o processo da gravidez. 



Anaconda de 5 metros (18 pés de comprimento), em Los Llanos, Venezuela
Fobia de gravidez e de parto / Fobia da maternidade – No primeiro caso, dificuldade de aceitar a própria feminilidade e o seu papel de reprodução, em função de estar em contato com as memórias de agonia do seu nascimento, porque ser mãe significa provocar dor e sofrimento, e pode provocar um terror paralisante. No segundo caso, uma situação que costuma aparecer pouco depois do nascimento da criança, envolve não apenas uma fobia, mas elementos obsessivos compulsivos. Impulsos violentos contra a criança, medo e pânico de machucá-la. Fobia de ser mãe está associada a MPB II, quando a mãe e a criança estão em antagonismo biológico, inflingindo dor um ao outro, e trocando enormes quantidades de energia destrutiva, na forma de movimentos da musculatura do útero e da tentativa instintiva da criança de se libertar dessas pressões.


Fobia de viajar de avião/enjôo marítimo – Ambas situações também relacionadas com memórias relativas ao nascimento não-integradas, e tendo em comum a necessidade de se manter no controle da situação, mudar a direção ou parar o movimento - Matriz Perinatal III.



Fobia de viajar de trem ou metrô – Sensações comuns de estar preso, sujeito a enormes quantidades de energia, sem possibilidade de controle do processo (MPB III). Também se incluem, experiências de passar em túneis, passagens subterrâneas e encontro com escuridão (MPB II). Implica que as memórias do processo do nascimento estejam facilmente acessíveis, por serem muito intensas.



Impotência sexual e frigidez, de origem psicossomática - Relacionados com enorme quantidade de energia sexual que não se exprime em estado puro, mas sim energia perinatal colorida sexualmente. Ligados à Terceira Matriz Perinatal (MPB III), pois associam-se a impulsos sadomasoquistas, ansiedade vital, profunda culpa, medo de perder o controle, medo de sufocação, distúrbios cardiovasculares, espasmos dolorosos musculares e intestinais, todos esses sintomas psicossomáticos típicos da MPB III. Todos esses sintomas são, na verdade, uma compreensão incompleta da experiência do nascimento, e estado de ameaça vital em nível orgânico. 



Medo patológico da água – Pode ter relação com memórias do nascimento, pré-natais, da gestação, memórias pós-natais. A água representa a segurança do líquido amniótico,do útero, caso a experiência seja positiva. Inalação de líquido amniótico durante o nascimento, ou acidentes de engolir água do banho podem trazer uma carga extremamente negativa para a imagem da água. Elementos transpessoais também podem estar presentes, como identificação com pessoas ou animais se afogando ou asfixiando, e memórias de vidas passadas.



Medo patológico do fogo – Relacionado com transição entre MPB III e MPB IV. Aproximação da morte do ego provoca visões de fogo; a mãe parturiente tem a sensação de que está queimando quando a cabeça da criança passa pela abertura vaginal. Fogo representa elemento purificador do processo psicoespiritual, que destrói aquilo que precisa ser limpo e renovado. 



Medo patológico de tempestades – Transição da MPB III para MPB IV, morte do ego. O raio representa ligação do céu com a terra, a eletricidade é manifestação física da energia divina. O contato com a luz divina que ocorre no momento do processo da morte-renascimento é simbolizada pela tempestade elétrica. 



Neurastenia - Desenvolve-se em indivíduos expostos a condições exigentes e estressantes, durante um longo tempo, como falta de descanso, de sono e recreação; excesso de trabalho sob grande pressão, ritmo de vida agitado. Características: tensão muscular, tremores, sudorese excessiva, palpitações, distúrbios cardíacos, ansiedade difusa, senso de opressão; fortes dores de cabeça, fraqueza geral, e falta de energia combinadas com fácil irritabilidade. Costuma haver, também impotência, frigidez, mudança do ciclo menstrual e ejaculação precoce. Relação com MPB III, em forma bastante pura, com poucas variações por eventos biográficos. Ou seja, os eventos traumáticos pós-natais exercem pouca influência sobre essa condição. A situação vivida concretamente é absolutamente idêntica àquela vivida ao feto no canal de parto, a ponto de mobilizar toda a energia perinatal à consciência, aguardando uma situação apropriada para ser integrada e resolvida.



Nosofobia – medo patológico de ter ou contrair doença. (Não é o mesmo que hipocondria: Convicção ilusória, não-substanciada de estar sofrendo doença grave). Nosofobia está associada com memórias emergentes de sérias dificuldades fisiológicas do passado. Doenças, operações, lesões e trauma do nascimento.




Obesidade - A gordura corporal serve, em muitos casos, de barreira entre o indivíduo e o mundo, quando este último se torna bastante desagradável e inóspito.
Raízes biográficas e pós-natais: experiências do mundo como desagradável, busca de satisfação oral imediata. Raízes perinatais: MPB II, impotência e sensações de sem-saída, ausência de experiências gratificantes, falta de calor e afeto, perda do paraíso, desejo de desaparecer do mundo.



Tanatofobia – medo patológico da morte, com episódios de ansiedade vital, do tipo ataque cardíaco, um derrame ou asfixia que ameaça a vida – Sistemas COEX relacionados a situações de ameaça à vida, principalmente aquelas que interferem a respiração. Operações, doenças e lesões, e extremos desconforto físico e sensação de catástrofe iminente associados ao trauma do nascimento.




Hipertensão arterial - Relacionada com estresse emocional e físico, em função da necessidade de manter e guardar para si emoções e pensamentos. A imagem mais precisa é a de uma "panela de pressão prestes a explodir". Origens biográficas: experiências de infância punitivas ou repressivas das manifestações físicas e afetivas.



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Cartografia ampliada da psique humana.