Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 03/01/2012 - 04/01/2012

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Qual Terapia Funciona Para Você?


O que você acha mais fácil? Relaxar o corpo, e descansar depois de um dia carregado com uma boa noite de sono, uma massagem... Ou relaxar a alma, descansar dos mesmos pensamentos de todos os dias, e ter alguma mudança perceptível sobre você mesmo e a sua própria vida? A alma, neste contexto, não tem nenhum significado metafísico. Trata-se de uma dimensão sensível, que compreende o mundo e dá sentido à sua existência. Quando fazemos alguma atividade física que nos permite relaxar durante uma hora, ou até mais, é possível alterar a nossa relação com os pensamentos e emoções, pois existe uma relação direta entre o corpo e a alma. Aquilo que sentimos e pensamos pode afetar nosso corpo e a saúde orgânica. Da mesma forma, atividades físicas como uma caminhada, yoga, ou uma relação sexual podem modificar os estados emocionais em que nos encontramos.


Mas, e quanto ao aspecto emocional e psicológico? Não sei se você já teve a oportunidade de fazer psicoterapia ou alguma outra terapia voltada para os aspectos da personalidade. Talvez você tenha conhecido um psicólogo (ou terapeuta) que pôde ajudar você a compreender os significados e as causas dos seus problemas, pelo menos dos principais que lhe afligiam. Não é preciso tanto: uma pessoa mais experiente dentro do seu círculo de relações (um tio, avó, alguém que você escolheu), que lhe explicavam coisas da vida, e permitiam que você visse tudo com novos olhos!


Tudo depende das experiências que você teve até agora: o autoconhecimento pode ter tido momentos agradáveis, outros razoavelmente difíceis. Se suas mudanças vieram junto com doses de sofrimento e conflitos, isso pode marcar em sua mente um caminho doloroso quando você pensa em transformação pessoal e autoconhecimento. Pare por um momento, e faça uma recapitulação da sua história. Quais acontecimentos lhe marcaram e transformaram a sua vida? Você se sente um protagonista ou um espectador? O que sente pelas pessoas à sua volta, e o que elas sentem por você? Essas perguntas lhe agradam ou incomodam?

Mudar o seu comportamento por conta própria é uma das tarefas mais desafiantes que uma pessoa se propõe a realizar. Quantas vezes já tentou mudar um pensamento ou sentimento incômodo em relação a situações conhecidas? Ou então, desejou se sentir diferente com relação a uma pessoa próxima?


A psicoterapia verbal é um tipo de terapia muito conhecida e valorizada pela ciência. É uma opção, entre muitas outras, mas não serve para todas as pessoas, em todos os momentos de vida. Uma terapia deve atender às necessidades dos pacientes, e não o contrário. É necessário respeitar o jeito que cada pessoa vive o mundo e a si mesma. Porque são as experiências que transformam as pessoas, não apenas uma palavra ou a interpretação de um terapeuta. Essa é uma dentre muitas das razões, pelas quais as pessoas buscam novidades. Elas querem ter experiências que lhes permitam transformar os sentimentos, as crenças e os conceitos a respeito do mundo e delas mesmas.


Partindo deste princípio, as psicoterapias vivenciais são uma modalidade de terapia que, através de recursos diferenciados, além da conversa ou análise, facilita o acesso à nós mesmos. Costumam ter resultados efetivos, que ocorrem em relativamente pouco tempo. Nessas terapias, a conversa se limita ao básico, sem análises ou explicações sobre a experiência. Porque a psicoterapia experiencial tem como foco as experiências, e não as explicações destas. No devido tempo, a compreensão da experiência e os seus efeitos aparecem para a pessoa, sem a necessidade de uma intervenção externa do terapeuta. Você passa por um entrevista inicial, onde são obtidas informações da sua história de vida e saúde física. Antes de iniciar as sessões, são explicados quais são os procedimentos, como por exemplo, deitar, fechar os olhos, respirar desse modo, etc. Se a pessoa quiser, a conversa ajudar a compreender o que foi vivido. Mas não é o único caminho.

Então, existem vários tipos de terapia voltadas para o autoconhecimento, que utilizam ferramentas variadas, além da conversa: respiração consciente, ressignificação de memórias, exercícios e movimentos corporais, terapia através da expressão artística, entre outras. Cabe a você descobrir qual delas funciona melhor para a sua pessoa. Afinal, terapia é sinônimo de sentir-se melhor com você mesmo.

RESSIGNIFICAÇÃO DE MEMÓRIAS

Alguns recursos se apresentam hoje em dia, como coadjuvantes para a psicoterapia tradicional. O EMDR é um bom exemplo desses recursos. 


EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) - Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares - apresenta grandes possibilidades para o tratamento de diversos traumas e condições emocionais, tais como a depressão, o estresse pós-traumático, ansiedade, e outros tipos de sofrimento psíquico e emocional.


Como funciona? Através de movimentos oculares, da visualização, e da revivência de memórias traumáticas (e simbólicas) de uma pessoa, permite a ressignificação do sentido dessas experiências. Dessa forma, as crenças limitantes (por exemplo: eu sou fracassado, mereço sofrer, ninguém me ama de verdade, etc) que são a base da compreensão de si mesmo e da realidade, podem ser modificadas, em poucas sessões. Os resultados são impressionantes e duradouros. 


Não se trata de hipnose ou de sugestão, mas sim da revivência das memórias e da sua ressignificação, que se dão em um estado ampliado de consciência, e em um contexto terapêutico. A transformação das crenças limitantes em crenças reais tem origem a partir das vivências, e não através de sugestão. 


A base do EMDR são os hemisférios cerebrais. Os movimentos oculares permitem que a pessoa integre os dois lados do cérebro, movimentando os olhos enquanto visualiza ou revive memórias traumáticas, para em seguida, ter acesso a novos significados vindos a partir do aprofundamento dos processos emocionais que levam à resolução natural dos traumas. 


Por exemplo, uma pessoa que está traumatizada em função de uma catástrofe ou trauma, seja um acidente, enchente ou estupro, pode reviver essa memória, e encontrar novos sentidos, que produzem novas crenças a respeito de quem a pessoa é, e como é o mundo. É possível passar de um papel de vitimização para um papel de responsabilidade pessoal, considerando as limitações e as possibilidades pessoais, deixando para trás idealizações que nunca se realizam, e que podem trazer decepções na vida, pois a pessoa fica sempre esperando que algo idelizado aconteça. 


Grande parte do sofrimento em função de catástrofes acontece em função da manutenção de crenças que nunca se realizam completamente, por exemplo: sou imortal, sou indestrutível, tenho que ser forte sempre, controlo tudo que vai acontecer, posso evitar qualquer mal, etc.


Vamos recordar um filme chamado "Sem Medo de Viver (Fearless)", com Jeff Bridges. Numa das cenas, ele ajuda uma mulher que sofreu o mesmo tipo de trauma que ele (um acidente aéreo). Ela se martiriza e se culpa por não ter conseguido salvar o seu filho, que estava em seu colo, e que morreu após ser arremessado para longe de seus braços, durante a queda do avião. Essa mulher estava presa numa crença limitante, de que ela podia proteger o seu bebê de todo e qualquer mal, e mais especificamente, que ela poderia ter segurado ele com mais força durante o acidente.


O personagem de Jeff Bridges, de maneira brilhante e prática, recria as condições do acidente, e a partir disso, a mulher revive a experiência de não ter conseguido segurar o seu bebê. Com isso, ela compreende que era realmente impossível ela ter conseguido segurá-lo em seus braços, tendo em vista a enorme desaceleração de velocidade que se passou no acidente. E portanto, não foi culpa dela, de não ter tido a força suficiente para mantê-lo em seus braços. 


Importante ressaltar que o EMDR não pode ser feito em condições desprotegidas ou por pessoas leigas. Exige treinamento e formação específicas, e de preferência, que seja realizado por um profissional de saúde mental com uma compreensão ampliada do ser humano, e que leve em conta os múltiplos níveis de consciência.