Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 2012

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Alcoolismo e Drogadicao

"O Pagamento Final" (Carlito´s Way), com Al  Pacino e Sean Penn. Al Pacino é um traficante recém-saído da prisão, em busca de redenção e de abandonar o mundo do crime. Porém, continua envolvido nas mesmas relações que o levaram para dentro da prisão. Será que ele consegue?
"Existem amplas evidências de que por trás do desejo por drogas ou álcool há um desejo, não reconhecido, de transcendência e totalidade. Muitas pessoas em recuperação falam de suas incansáveis buscas por algum elemento ou dimensão que está faltando em suas vidas e descrevem suas procuras frustradas por substâncias, alimentos, relacionamentos, posses ou poder, o que reflete um esforço incansável para saciar esse desejo (Grof, 1993).

A convivência humana não é fácil. As diferenças individuais nem sempre são bem compreendidas, o discurso verbal e a expressão pessoal são coisas altamente valorizadas, mas nem todos se expressam do mesmo modo, ou são recompensados igualmente. Além disso, os problemas cotidianos exercem tanta pressão sobre uma pessoa, que as drogas ou comportamentos repetitivos podem representar uma fuga, ou mais precisamente, um modo próprio de enfrentamento da realidade, tendo em vista os dilemas de difícil ou nenhuma solução, a que cada pessoa está sujeita. 

Se considerarmos que existe um único modo de ser e de se relacionar com o mundo, e que tal modo é o modo "correto" e os outros são apenas desvios em relação a este único modo "normal", somos constantemente apresentados a desafios praticamente intransponíveis .

A experiência de alguém que está sob efeito do álcool ou de uma droga pesada, pode ser muito parecida com aquilo ao que um místico tem acesso: sensação de dissolução das fronteiras individuais, o fim de emoções perturbadoras e a superação dos problemas cotidianos. As semelhanças param por aí, pois faltam outras características que apenas os estados místicos de consciência possuem, tais como serenidade, numinosidade e riqueza de insights filosóficos (Grof, 2000).


Talvez seja por isso que existe uma grande dificuldade em abandonar qualquer vício ou dependência, pois o que move todos esses comportamentos é uma verdadeira ânsia e desejo de transcendência e de união com a totalidade. Ainda que seja possível bloquear um comportamento ligado a um vício ilícito, a sua fonte sempre estará presente, de algum modo. 

O sentido e a direção dos comportamentos de dependência são os elementos ou dimensões que estão ausentes na existência daqueles indivíduos - que está na base da sensação de sentir-se conectado à vida e às pessoas. 


Não é difícil encontrar um ex-dependente que se converteu para alguma religião, ou filiou-se a algum grupo especial e deixou de ser um adicto, muito embora o novo comportamento tenha substituído a substância, pois a intensidade e o vínculo aos novos valores, ajudam a manter a pessoa afastada das drogas. Uma investigação mais cuidadosa pode mostrar que a entrada do indivíduo no referido grupo promove os tipos de experiências místicas e de totalidade tanto almejadas por ele. 

Uma alternativa pouco válida para interromper ou impedir o uso de drogas são as crenças e valores negativos ao redor dessas substâncias, como se tal atitude realmente afastasse os possíveis e atuais usuários das mesmas. Frases como "drogas matam" ou "álcool corrói vidas" podem inibir algumas pessoas, por pouco tempo. Mas existem fatores sociais muito mais poderosos e atraentes que facilitam a aproximação dos indivíduos em relação ao álcool, tais como os grupos sociais e familiares. 

Uma possível solução é a educação que tenha em vista os valores necessários a uma existência plena, e que propicie experiências de conexão e valorização da existência, e das relações dos indivíduos com o mundo. 

Também considero fundamental compreender que a consciência humana é capaz de acessar e de se conectar com vários níveis ou estados da realidade. É isso o que ocorre quando alguém ingere ou utiliza algum tipo de substância ou droga que altera o funcionamento da mente. 

Patologizar os outros estados de consciência, e considerar que existe apenas um único modo legítimo de percepção da realidade, o nível cotidiano de vigília, é extremamente limitado e agressivo. Existem outros modos de consciência, diferentes do estado de vigília, que são saudáveis, trazem qualidade de vida à existência, e permitem transformar estratégias de vida, para uma vida mais plena de significado.

Tendo em vista o avanço tecnológico atual, é possível comprovar a existência de diversos estados de consciência, a partir de exames em tempo real do cérebro, em pessoas meditando, lendo livros, imaginando uma situação concreta, ou outra coisa semelhante. 

Pode ocorrer que uma experiência de embriaguez, ou de uso de drogas traga uma ameaça à vida tão grande, que a pessoa "desperte" para o fato de que ela ia morrer naquele momento, e suspenda o uso por um certo período de tempo. Mas se não acontecer um esforço pessoal e consciente de mudança de hábitos e de relacionamentos, afastando-se de vínculos que promovem o vício ou a dependência, e aproximando-se de situações que levam à totalidade e à plenitude - o comportamento da dependência tende a continuar. 

Segundo Carl G. Jung, o termo spiritus em latim cobre dois significados: álcool e espírito. Ele sintetizou seus conceitos sobre vícios na frase "spiritum contra spiritum", explicando que apenas uma experiência espiritual* pode salvar pessoas da devastação do álcool. 

*O termo "espiritual" refere-se à sensação e compreensão de estarmos conectados à existência e ao mundo, como um todo. Essa sensação e compreensão ocorre antes de qualquer pensamento ou racionalização. A espiritualidade não se baseia na participação em nenhum tipo de religião ou seita, muito menos na crença em mundos e seres superiores ou de outras dimensões. A espiritualidade é independente da formação familiar e acadêmica do indivíduo, ainda que tais fatores possam exercer influências sobre a sua visão de mundo. Ela depende das crenças, valores, das experiências vividas e do modo de relação que a pessoa estabelece a todo momento, com a existência, com si mesma e com o outro.

Quer saber mais? Veja também:

Desordens Emocionais e Psicossomáticas - item "Alcoolismo" neste blog


Referências:

Grof, Stanislav, 1931 - Psicologia do Futuro, lições das pesquisas modernas da consciência - Niterói, RJ:Heresis 2000

Grof Transpersonal Training (GTT)- Módulo "Vicios e Apegos", ministrado por Tav Sparks em 2009, em Cotia/SP - Brasil. 

STANISLAV GROF EM SÃO PAULO - 2000


Workshop de Respiração Holotrópica(TM) em 24/09/2000, com a presença especial de Stanislav Grof. 
Facilitadores: Vera Mayer (camisa florida, ao lado do Grof) e Charles Parker (camiseta vermelha, em pé)
Estou à direita na foto, atrás da cadeira da Vera.
(DÊ UM CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIÁ-LA - CLICK ONCE TO VIEW BIG PICTURE)


Olhar Transpessoal - Filmes

Número 9 (The Nines, 2007)

Diretor: John August
Roteiro: John August
Elenco: Ryan Reynolds, Melissa McCarthy, Hope Davis, Elle Fanning, Dahlia Salem, Ben Falcone, Octavia Spencer







Assisti a este longa metragem na TV aberta, de madrugada, totalmente sem compromisso e a menor idéia do que ia presenciar. Não se trata de um sucesso de bilheteria, talvez justamente por parecer confuso e sem sentido, se analisado sob uma pespectiva tradicional. 

No filme, somos apresentados a três histórias: Na primeira, Ryan Reinolds é um ator problemático, metido com drogas e álcool, que acaba penalizado com a prisão domiciliar. Nesse período, encontra pistas e suspeitas que sempre levam-no ao número nove, de um modo bastante intrigante. Há duas mulheres na trama, sendo uma assistente (Melissa MC Carthy) e uma vizinha (Hope Davis). Ambas tentam mostrar a ele quem ele realmente é, e o que é o mundo, na verdade. Tudo é meio confuso, e pouco esclarecedor. A vizinha (Melissa Mc Carthy) lhe diz: "Vou tirar-lhe daqui, vou dar um jeito", enquanto a assistente (Hope Davis) lhe diz que ele não é quem pensa ser, extrapolando a sua identidade de ator e homem comum, explicando um possível significado para o "número nove". Chega-se a um clímax, e a trama inicial termina bruscamente, quando ele rompe um limite inicialmente imposto sobre ele. 


Descrevi de maneira pouco detalhada, pois acho importante que você possa assistir ao filme, e se prenda a ele, mesmo após ler esse texto. Enquanto assistia ao filme, pude fazer uma leitura do ponto de vista da Psicologia Transpessoal, relacionada ao conceito de COEX da dependência, e do espectro da consciência. A meu ver, é justamente disso que se trata o filme: da ampliação da consciência a respeito da relação de dependência, em direção a uma independência. Esse processo inevitavelmente inclui a consciência de si mesmo e consciência da realidade. A cada história, vemos a personagem principal de Ryan Reinolds expandir a sua consciência, através do encontro com novas situações e condições, e principalmente, através da relação de inter-dependência com as duas mulheres que estão sempre presentes. 


Na segunda história, Ryan continua no mesmo ambiente do "showbizz", lidando com atores, diretores e produtores, mas agora ele tem mais poder - conversa com a produtora que está interessada em seu roteiro, sugere atores e atrizes para viverem os personagens, classifica a audiência do seu programa em nove tipos (mais uma pista sobre a natureza do número nove na trama...), e percebemos que as pistas encontradas na história anterior são fragmentos de um todo mais complexo, relacionado com o universo de produção, direção e contatos profissionais, que servem para a realização de um projeto pessoal. Surge também uma nova personagem, uma menina que faz o papel de filha, dentro do roteiro escrito pela personagem de Ryan. 


Finalmente, a última trama concentra elementos comuns das duas anteriores. A situação apresentada, agora é distinta, mas, da mesma forma o número nove está presente. Dessa vez o nove tem um significado bem mais complexo do que antes, indicando a definição de um ser com características divinas, de uma força que move toda uma realidade, e continuamente cria um grande jogo envolvendo outros seres, que são as duas mulheres e a criança. O modo de dependência também se apresenta aqui, em um nível mais expandido.

O personagem principal encontra-se em dois lugares simultaneamente: dentro de um filme e no mundo real, uma característica da ampliação da consciência. Ryan Reinolds, dessa vez, é um pai de família que se perde dentro de um parque florestal com a sua esposa e filha (Melissa Mc Carthy e Elle Fanning), e no meio do caminho encontra a personagem de Hope Davis, que no começo do filme havia lhe dito que iria tirá-lo dessa situação, e tenta novamente fazê-lo num nível aparentemente transcendental. A personagem de Ryan fica frente a um dilema que o obriga a realizar escolhas, as quais sempre chegam a outros níveis e tramas, em função da relação de interdependência existente entre todos os personagens.

Do ponto de vista pessoal, o filme trata do tema da dependência. A personagem principal é um dependente afetivo, assim como o são as duas mulheres e a menina, em relação a este. O que varia é a intensidade e a abrangência, desse tipo de comportamento de dependência.

O final do filme revela uma última reviravolta na trama. O desfecho da história também serve aos propósitos "hollywoodianos" de tentar agradar ao público no final, e mostrar um final feliz. 

Por fim, é importante dizer que nem todas as experiências seguem o padrão ou a linha perinatal, o que também é o caso desse filme. A relação estabelecida foi com o sistema de experiências condensadas (COEX), que também é a base das Matrizes Perinatais, mas que no caso deste filme, não se aproxima do domínio perinatal. 

Tendencias

De acordo com a personalidade e o momento de vida pelos quais todas as pessoas passam, podemos dizer que há uma tendência a certos tipos de comportamentos e de visão do mundo. 

O nascimento biológico é um evento de grande magnitude e importância em nossas vidas, e está registrado em nosso DNA na forma de "matrizes" ou padrões experienciais. O nascimento significa todas as mudanças, transformações e passagens pelas quais nos deparamos em toda a existência. 

Quando nos vemos frente a uma oportunidade nova, do tipo, aprender um novo comportamento, conhecer uma nova pessoa, mudar de hábito, ou de opinião a respeito de algo, alguém ou de nós mesmos - reagimos e nos comportamos de maneiras totalmente distintas, quando comparamos duas pessoas. 

Se Freud dizia que as experiências do inicío da infância colaboram com a formação da personalidade, Stanislav Grof vai um pouco além disso, afirmando que o próprio nascimento biológico carrega um enorme significado para cada um de nós, tanto positiva quanto negativamente. 

O significado do nascimento é tão grande, a ponto de a ciência moderna ser capaz de ignorá-lo, como coadjuvante na formação de problemas psicológicos e psiquiátricos. 

Ao invés disso, atribui causas hereditárias, genéticas e da fisiologia cerebral para explicar distúrbios como a esquizofrenia, depressão, e a bipolaridade. Sem dúvida, existem causas orgânicas nessas condições psiquiátricas, mas elas não são a única maneira de compreendê-las. 

A "mudança de hábito" ou "situação nova" são belos exemplos, para servir como referência, no que diz respeito às tendências descritas abaixo. 

Quando você busca mudar um hábito muito arraigado, ou se depara com uma situação totalmente nova, em sua vida, como você reage ? 


Ênfase na MATRIZ I


 - Busca de contato com a água (natação, mar, mergulho, formas de vida aquática)
 - Visão otimista e positiva da existência e da natureza
 - Relação positiva com a "Mãe Natureza", ou com a mãe pessoal
 - Dificuldade de estabelecer limites e impor regras
 - Preguiça ou isolamento, sem necessidade de manter contatos com outros ou com o mundo externo
 - Quando existe ameaça, ela é indefinida e vem de todos os lados
 - Ingenuidade e inocência marcantes, relativos a alguns assuntos
 - Fascinação por barrigas de grávidas





Ênfase na MATRIZ II


 - Relação de vitimização e impotência, tristeza profunda ou estados depressivos
 - Perspectiva fatalista e de aprisionamento na existência (por ex: "A vida é assim mesmo, não tem jeito...")
 - Falta de "tesão" pela vida / baixa libido, ausência de libido, ou culpa em relação à sexualidade
 - Sentimentos negativos a respeito de si e dos outros
 - Percepção de que o tempo não passa, ou que ele passa muito devagar
 - Visão trágica ou melodramática da vida (por exemplo: "Só acontece comigo...")





Ênfase na MATRIZ III


 - Sente que precisa lutar ou estar ativo o tempo todo, pois o "Sistema", os outros ou o mundo, estão contra você. Caso contrário, nada se realizará a seu favor;
- Tendências a intrigas, chantagens e manipulação de situações e pessoas / ou sentir que é vítima das mesmas
- Atração por adrenalina, esportes radicais, direção agressiva e perigosa, viver aventuras, extremamente competitivo(a), tédio se ficar parado por 5 minutos;
- Gosta de, ou tem interesse por filmes de sexo, guerra, terror, vampiros, zumbis, filmes de suspense ou de conspirações maquiavélicas;
- Muitas vezes o seu comportamento chega próximo da auto-destruição ou da falta de controle;
- Hábito por piadas escatológicas, gosto por assuntos relativos a escrementos e fluídos corporais, ou percebe que a vida é uma "merda", cujas adversidades se voltam para você.
- Fascinação por fogo, eletricidade, raios, trovões, tufões, explosões, máquinas e mecanismos gigantes, destruições da natureza, catástrofes e especulações a respeito do fim do mundo.




Ênfase na MATRIZ IV


 - Sentimentos de paz interior, depois de situações resolvidas e escolhas feitas;
 - Compaixão por outras pessoas e outros seres vivos, sem prejuízo próprio ou do outro;
 - Sensação de aceitação de si e dos outros, como são;
 - Capacidade de aproveitar o momento presente, por mais simples que seja;
 - Satisfação com relações pessoais e contato com a natureza;
 - Confiança em si e nos outros, se não existirem motivos contrários a isso;
 - Incapacidade de se preocupar.

Palestra Gratuita Renascimento


O nome Renascimento está ligado ao sentimento de tranquilidade, relaxamento e renovação, que costuma vir depois de muitas vivências com respiração. Porém, os efeitos dessa técnica vão bem além de apenas reviver o nascimento.
Entre outros efeitos, são observados curas de problemas respiratórios, ansiedade, fobias, estresse, pânico e depressão.
As experiências podem ser expansivas, integrativas, de aceitação, de contato prazeroso com o próprio corpo, e estados meditativos profundos.
As pessoas podem ter experiências que as ligam à sua existência como um todo ou a situações específicas, sempre indo na direção de uma integração das experiências de vida. Também podem reformular aqueles valores que não são favoráveis, em valores orientados a uma vida mais saudável.
Durante uma sessão de renascimento, o processo da respiração é circular. A inspiração é conectada à expiração, e feita sempre pela mesma via: a boca ou o nariz. O mais importante é que a inspiração seja profunda, e a expiração seja relaxada e sem forçar.
A relação renascedor - cliente permite o apoio e acolhimento por parte de uma pessoa experiente em respiração. Além disso, faz com que o terapeuta possa saber com o olhar externo o que está se passando internamente com o cliente, e assim, orientá-lo e intervir durante a sessão, se isso for necessário.
A respiração mostra-se uma ferramenta útil e poderosa para a saúde, o bem-estar, tratamento de distúrbios psicossomáticos.
No Domingo haverá um workshop de Renascimento, é a oportunidade de conhecer e vivenciar todo o entusiasmo da respiração e do Renascimento.

DATA: 

Sábados - Dia 16 e 23 de Fevereiro - 16 horas


Local: 

São Paulo

Evento gratuito

Inscrições e informações:
Telefone (11) 3865-7557

antonio.vaszken@gmail.com

Senhor dos Anéis - Herói

A Trilogia "O Senhor dos Aneis" apresenta as 4 matrizes da teoria de Stanislav Grof, de uma maneira bela. Elas apresentam semelhanças com a "Jornada do Herói", descrita por Joseph Campbell.

A Primeira Matriz (MPB I), no filme, refere-se aos momentos em que Frodo está em casa e na sua vila, antes da aventura começar. Tudo é belo, harmonioso e seguro. É o estado inicial e promordial, onde praticamente todas as necessidades são preenchidas.

Refere-se ao estado inicial, onde o herói está em casa, descansando. De um modo experiencial, relaciona-se ao período inicial onde o bebê está dentro do útero, em tranquilidade.


Na nossa vida cotidiana, tem ligações com momentos em que tudo está bem, sem motivos aparentes, e não precisa ser diferente. Essa matriz existe não apenas como memória de um tempo que foi vivido, mas também é um modo de sentir e perceber a existência em vários momentos da vida humana.

Fonte:
http://www.art-wallpaper.net/movie/The-Lord-of-the-Rings
A transição da Primeira para a Segunda Matriz é o momento do "chamado para a aventura". O Herói recebe um chamado para iniciar sua jornada, que tem um prêmio ou dom, a ser encontrado no final da jornada. No filme "Senhor..." trata-se do momento em que Frodo decide ir buscar o anel. 

Experiencialmente, é um momento em que os sinais químicos do útero indicam que o trabalho de parto está começando. A tranquilidade inicial dá lugar a um sentimento de novidade e estranhamento, um tipo de "Ops!"




Video Cassetadas e Comportamentos Repetitivos




Você já parou para ver as "video-cassetadas"? Todo mundo conhece, são vídeos feitos em casa, que incluem momentos constrangedores, na maioria das vezes quedas, escorregões, tombos, entre outras coisas. Hoje em dia, isso passa em vários lugares, não só na televisão aberta, mas nos canais por assinatura e também na internet.

É curioso perceber nossas reações, são as mais variadas possíveis, quando as vemos: Algumas pessoas se deliciam, e riem muito; outras vêem como humilhação; uns aguardam pela próxima cena ansiosos, enfim, cada pessoa reage de maneiras específicas e particulares a esses programas.

No caso das cenas que privilegiem a humilhação, quedas, machucados, e até mesmo violência, e sexualidade, é possível estabelecer uma relação entre o interesse e o prazer de assistir a tais cenas, com o dominio perinatal da teoria Transpessoal.

Antes de entrar nesse assunto, gostaria de mencionar outro elemento importante, que nem sempre é considerado: o fato de saber que se está sendo filmado é capaz de alterar o comportamento dos protagonistas da cena? E também; por quê alguém escolhe não apenas filmar, mas também divulgar, enviar para a televisão ou para a internet as cenas de "video-cassetadas"? O que esses dois comportamentos têm em comum - a exibição de um ato para uma platéia, a dinâmica inseparável do "observado-observador", que também faz parte do domínio perinatal do inconsciente.

O que quero dizer é que assistir, produzir e divulgar essa categoria de videos não se origina apenas das motivações sociais e egocêntricas do campo contingencial, e do ambiente imediatamente observável. Nós não somos uma "tabula rasa" que é totalmente preenchida com os valores parentais e ambientais. Ao nascermos, já temos registros próprios da espécie, da cultura humana e da familia, que exercem influência sobre nosso comportamento e o modo como enxergamos e sentimos o mundo.

Existem aspectos mais fortes e presentes, que são de certa forma, alimentados por conteúdos inconscientes (de natureza perinatal, relativas aos aspectos biológicos e simbólicos do nascimento humano).

Justamente porque esses aspectos nunca encontram uma via autêntica de liberação e vasão, apenas situações incompletas na aparência e nos objetivos, esse tipo de comportamento necessita ser repetido exaustivamente,  pois de alguma forma, a concretização desse sentido não pode ser realizada no cotidiano.


Ainda que alguns desses objetivos sejam benéficos, caso sejam a diversão, expressão pessoal, sentir-se observado e admirado, identificação com outros semelhante, entre outros, eles dificilmente chegam perto da intensidade e da realização plena dos aspectos que os motivam, ou seja, a morte e o renascimento psicoespiritual.

Por isso que muitas pessoas sentem um imenso vazio em suas vidas, muito embora elas possuam tudo que lhes traga felicidade - elas estão realizando apenas uma parte das suas motivações: são reconhecidas socialmente, trabalham honestamente, ganham o quanto podem sem passar necessidade, são ótimos amantes, excelentes profissionais e filhos exemplares.

Quem sabe, elas nunca viveram realmente uma morte psicoespiritual, que é morrer sem a morte física, mas o vazio que elas sentem traz justamente essa sensação de morte, que lhes é necessário para dar u sentido que falta à sua existência. Quando sentem esse vazio, seguem o "script" aprendido de preenchê-lo com o mundo externo: compras, adrenalina, vícios, tudo que lhes distraia e alivie a sensação de vazio. Paradoxalmente, tudo isso acaba trazendo a sensação de morte e vazio, pois no final o saldo continua negativo...

Isso vale para as video-cassetadas, e também para vários comportamentos repetitivos e aparentemente sem sentido, mas que nos dão muito prazer e felicidade na hora, mas no final parecem que não valeram e precisamos repetir.

O domínio perinatal do inconsciente consiste de padrões experienciais, ou matrizes. São assim chamadas "matrizes" com toda a razão, pois são as "fôrmas primordiais" de muitos comportamentos, valores, sentimentos e sensações físicas que vivemos no cotidiano. Foram descobertos a partir de pesquisas controladas de experiências de estados ampliados de consciência.

Tais estados costumam ser alcançados através de meditação, relaxamento profundo, uso de substâncias alucinógenas, rituais indígenas e xamânicos, jejuns prolongados, privação de sono, e até em crises espontâneas. Praticamente todas as filosofias orientais e milenares descrevem algum ou muitos desses padrões experienciais, que fazem parte do registro amplo da humanidade, e portanto, são acessíveis a todas as pessoas de todas as épocas e culturas.

Esse registro amplo foi chamado de "Inconsciente" por Sigmund Freud, e posteriormente, outro psiquiatra chamado Carl Jung chamou-o de "Inconsciente coletivo", por perceber que ele contém todos os padrões experienciais de toda a humanidade, não apenas o registro da vida biográfica individual, como Freud descobrira.

Recentemente, ou seja, em meados dos anos 1960, Stanislav Grof ,outro genial psiquiatra, descobriu que todas as pessoas sujeitas de laboratório para pesquisas psicodélicas, tiveram experiências de regressão ao útero materno e de renascimento psicoespiritual. Após centenas de relatos de casos, constatou que, além de sua compreensão psicanalítica freudiana ser limitada para explicar todas essas experiências embrionárias e relativas ao renascimento psicoespiritual, essas experiências provocavam profundas mudanças na visão de mundo daqueles sujeitos.

Tais mudanças incluiam: resignificação de traumas de tenra infância, de abusos sexuais, de comportamentos suicidas e auto-destrutivos, mudanças de estratégias de vida para uma vida mais simples e menos baseada em medos irracionais, entre outras. Em resumo, muitos casos clínicos considerados com poucas chances de melhora, pois já haviam sido atendido durante longos anos apenas com psicoterapia verbal ou psicanalítica, abordagem muito válida até hoje.

Depois dessa breve história realmente invejável para qualquer interessado no comportamento humano, Stanislav Grof deu continuidade às pesquisas e acabou estabelecendo pontes com outras abordagens que também compartilham de uma visão tanto humanista (que colocam o ser humano no centro do interesse da sobrevivência planetária) quanto multi-dimensional e consciencial (filosofias orientais e conhecimentos da chamada Filosofia Perene). O resultado é constatado e válido até hoje, em sessões de respiração e renascimento, e de terapia vivencial que utilizam abordagem corporal, psicodrama e psicossintese.

A Matriz Perinatal 3, como padrão, relativa a esse tópico de repetição, vazio existencial e video-cassetadas possui os seguintes parâmetros: 


- Identificação com três personagens ao mesmo tempo: agressor, vítima e um terceiro observador


- Sensação de estar numa situação de luta, com a possibilidade de término e vitória


- Aspecto titânico: imensa carga de energia física, voltada para a sobrevivência do feto dentro do canal de parto - resulta em agitação, ansiedade e incapacidade de estar no presente, no mundo cotidiano.


- Dinâmica de antagonismo com a mãe / mundo / outros - sensação de uma "incurável" separação com relação ao mundo, necessidade de estar sempre lutando com adversários na cotidiano


- Elementos sexuais distorcidos, sadomasoquismo, submissão, estupro, contato com elementos biológicos, tais como sangue, urina, fezes, placenta - resulta em dificuldade de estabelecer vínculos amorosos, apenas relações baseadas no prazer imediato e sexual.


- Sensação de que "aqui" não está bom, mas com sacrifício se chegará ao paraíso,que está lá na frente, ou no futuro. Próximo do final, transição para a próxima matriz. - resulta em estratégias perdedoras, baseadas em evitar constantemente a morte do ego, em se estar sempre no controle e em sacrificar o presente para alcançar um objetivo que nunca realmente se concretizará.


Obviamente, nem todos os vídeos tratam de humilhação, agressão ou satirização. São acontecimentos trágicos e inusitados que se manifestam, e ficam em evidência. A questão não é meramente o conteúdo dos vídeos, mas sim o que se faz com eles. Como são exibidos, como aparecem de maneira muitas vezes repetitiva, sem a menor utilidade além de manter espectadores ligados no mundo externo. Qual a atitude de quem exibe e de quem assiste? Qual a filosofia de vida revelada na exposição e na espiação coletiva?

Qual Terapia Funciona Para Você?


O que você acha mais fácil? Relaxar o corpo, e descansar depois de um dia carregado com uma boa noite de sono, uma massagem... Ou relaxar a alma, descansar dos mesmos pensamentos de todos os dias, e ter alguma mudança perceptível sobre você mesmo e a sua própria vida? A alma, neste contexto, não tem nenhum significado metafísico. Trata-se de uma dimensão sensível, que compreende o mundo e dá sentido à sua existência. Quando fazemos alguma atividade física que nos permite relaxar durante uma hora, ou até mais, é possível alterar a nossa relação com os pensamentos e emoções, pois existe uma relação direta entre o corpo e a alma. Aquilo que sentimos e pensamos pode afetar nosso corpo e a saúde orgânica. Da mesma forma, atividades físicas como uma caminhada, yoga, ou uma relação sexual podem modificar os estados emocionais em que nos encontramos.


Mas, e quanto ao aspecto emocional e psicológico? Não sei se você já teve a oportunidade de fazer psicoterapia ou alguma outra terapia voltada para os aspectos da personalidade. Talvez você tenha conhecido um psicólogo (ou terapeuta) que pôde ajudar você a compreender os significados e as causas dos seus problemas, pelo menos dos principais que lhe afligiam. Não é preciso tanto: uma pessoa mais experiente dentro do seu círculo de relações (um tio, avó, alguém que você escolheu), que lhe explicavam coisas da vida, e permitiam que você visse tudo com novos olhos!


Tudo depende das experiências que você teve até agora: o autoconhecimento pode ter tido momentos agradáveis, outros razoavelmente difíceis. Se suas mudanças vieram junto com doses de sofrimento e conflitos, isso pode marcar em sua mente um caminho doloroso quando você pensa em transformação pessoal e autoconhecimento. Pare por um momento, e faça uma recapitulação da sua história. Quais acontecimentos lhe marcaram e transformaram a sua vida? Você se sente um protagonista ou um espectador? O que sente pelas pessoas à sua volta, e o que elas sentem por você? Essas perguntas lhe agradam ou incomodam?

Mudar o seu comportamento por conta própria é uma das tarefas mais desafiantes que uma pessoa se propõe a realizar. Quantas vezes já tentou mudar um pensamento ou sentimento incômodo em relação a situações conhecidas? Ou então, desejou se sentir diferente com relação a uma pessoa próxima?


A psicoterapia verbal é um tipo de terapia muito conhecida e valorizada pela ciência. É uma opção, entre muitas outras, mas não serve para todas as pessoas, em todos os momentos de vida. Uma terapia deve atender às necessidades dos pacientes, e não o contrário. É necessário respeitar o jeito que cada pessoa vive o mundo e a si mesma. Porque são as experiências que transformam as pessoas, não apenas uma palavra ou a interpretação de um terapeuta. Essa é uma dentre muitas das razões, pelas quais as pessoas buscam novidades. Elas querem ter experiências que lhes permitam transformar os sentimentos, as crenças e os conceitos a respeito do mundo e delas mesmas.


Partindo deste princípio, as psicoterapias vivenciais são uma modalidade de terapia que, através de recursos diferenciados, além da conversa ou análise, facilita o acesso à nós mesmos. Costumam ter resultados efetivos, que ocorrem em relativamente pouco tempo. Nessas terapias, a conversa se limita ao básico, sem análises ou explicações sobre a experiência. Porque a psicoterapia experiencial tem como foco as experiências, e não as explicações destas. No devido tempo, a compreensão da experiência e os seus efeitos aparecem para a pessoa, sem a necessidade de uma intervenção externa do terapeuta. Você passa por um entrevista inicial, onde são obtidas informações da sua história de vida e saúde física. Antes de iniciar as sessões, são explicados quais são os procedimentos, como por exemplo, deitar, fechar os olhos, respirar desse modo, etc. Se a pessoa quiser, a conversa ajudar a compreender o que foi vivido. Mas não é o único caminho.

Então, existem vários tipos de terapia voltadas para o autoconhecimento, que utilizam ferramentas variadas, além da conversa: respiração consciente, ressignificação de memórias, exercícios e movimentos corporais, terapia através da expressão artística, entre outras. Cabe a você descobrir qual delas funciona melhor para a sua pessoa. Afinal, terapia é sinônimo de sentir-se melhor com você mesmo.

RESSIGNIFICAÇÃO DE MEMÓRIAS

Alguns recursos se apresentam hoje em dia, como coadjuvantes para a psicoterapia tradicional. O EMDR é um bom exemplo desses recursos. 


EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) - Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares - apresenta grandes possibilidades para o tratamento de diversos traumas e condições emocionais, tais como a depressão, o estresse pós-traumático, ansiedade, e outros tipos de sofrimento psíquico e emocional.


Como funciona? Através de movimentos oculares, da visualização, e da revivência de memórias traumáticas (e simbólicas) de uma pessoa, permite a ressignificação do sentido dessas experiências. Dessa forma, as crenças limitantes (por exemplo: eu sou fracassado, mereço sofrer, ninguém me ama de verdade, etc) que são a base da compreensão de si mesmo e da realidade, podem ser modificadas, em poucas sessões. Os resultados são impressionantes e duradouros. 


Não se trata de hipnose ou de sugestão, mas sim da revivência das memórias e da sua ressignificação, que se dão em um estado ampliado de consciência, e em um contexto terapêutico. A transformação das crenças limitantes em crenças reais tem origem a partir das vivências, e não através de sugestão. 


A base do EMDR são os hemisférios cerebrais. Os movimentos oculares permitem que a pessoa integre os dois lados do cérebro, movimentando os olhos enquanto visualiza ou revive memórias traumáticas, para em seguida, ter acesso a novos significados vindos a partir do aprofundamento dos processos emocionais que levam à resolução natural dos traumas. 


Por exemplo, uma pessoa que está traumatizada em função de uma catástrofe ou trauma, seja um acidente, enchente ou estupro, pode reviver essa memória, e encontrar novos sentidos, que produzem novas crenças a respeito de quem a pessoa é, e como é o mundo. É possível passar de um papel de vitimização para um papel de responsabilidade pessoal, considerando as limitações e as possibilidades pessoais, deixando para trás idealizações que nunca se realizam, e que podem trazer decepções na vida, pois a pessoa fica sempre esperando que algo idelizado aconteça. 


Grande parte do sofrimento em função de catástrofes acontece em função da manutenção de crenças que nunca se realizam completamente, por exemplo: sou imortal, sou indestrutível, tenho que ser forte sempre, controlo tudo que vai acontecer, posso evitar qualquer mal, etc.


Vamos recordar um filme chamado "Sem Medo de Viver (Fearless)", com Jeff Bridges. Numa das cenas, ele ajuda uma mulher que sofreu o mesmo tipo de trauma que ele (um acidente aéreo). Ela se martiriza e se culpa por não ter conseguido salvar o seu filho, que estava em seu colo, e que morreu após ser arremessado para longe de seus braços, durante a queda do avião. Essa mulher estava presa numa crença limitante, de que ela podia proteger o seu bebê de todo e qualquer mal, e mais especificamente, que ela poderia ter segurado ele com mais força durante o acidente.


O personagem de Jeff Bridges, de maneira brilhante e prática, recria as condições do acidente, e a partir disso, a mulher revive a experiência de não ter conseguido segurar o seu bebê. Com isso, ela compreende que era realmente impossível ela ter conseguido segurá-lo em seus braços, tendo em vista a enorme desaceleração de velocidade que se passou no acidente. E portanto, não foi culpa dela, de não ter tido a força suficiente para mantê-lo em seus braços. 


Importante ressaltar que o EMDR não pode ser feito em condições desprotegidas ou por pessoas leigas. Exige treinamento e formação específicas, e de preferência, que seja realizado por um profissional de saúde mental com uma compreensão ampliada do ser humano, e que leve em conta os múltiplos níveis de consciência.