Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 27/04/2011

Translate

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seja a chuva que for

" A experiência de ser a chuva pode ser exatamente a mesma para todas as pessoas, independente das suas origens e valores.(...)"

As experiências nos estados ampliados de consciência podem alcançar níveis que vão bem além do domínio da consciência pessoal. É possível sentir que somos uma outra pessoa ou um grupo de pessoas, um animal, uma planta ou até mesmo um processo da natureza. As possibilidade são infinitas, e a finalidade de tais experiências não podem ser totalmente explicadas antes delas acontecerem.

Segundo a Fenomenologia, a experiência pessoal é única e intransferível. Ou seja, o modo de alguém sentir e viver a realidade é particular, e não pode ser generalizado. O modo como cada Homem, cada ser-no-mundo habita o mundo é próprio.

Quando a consciência se expande além dos limites individuais, e acessamos uma experiência de ser-a-chuva, por exemplo, esse modo único de sentir e de ser não pode ser aplicado. Não podemos dizer que aquela pessoa teve uma experiência única de ser a chuva. Pois a chuva não é um ser-no-mundo, não é um Homem. É um ente, um objeto do mundo. Apenas o significado ou o sentido que a pessoa tem pode ser único e próprio, relativo ao seu modo de ser.

Uma vez que ocorre a expansão da consciência, algumas referências pessoais podem se alterar definitivamente. Crenças a respeito da realidade e a respeito de si mesmo sofrem mudanças, pois houve uma expansão total das referências. Você não vê uma cidade do mesmo jeito depois que a vê de cima de um arranha-céus...


Chuva em São Paulo vista da região da Avenida Paulista (Foto: Glauco Araújo/G1)



A experiência de ser a chuva pode ser exatamente a mesma para todas as pessoas, independente de quem ela seja, das suas origens e valores. Saber como é ser chuva, os pingos e a água toda caindo do céu, de uma maneira extremamente precisa e objetiva. Sendo cada gota e ao mesmo tempo a chuva toda. São informações verdadeiras, que podem servir de base para ampliar conhecimentos técnicos a respeito do fenômeno meteroelógico da chuva, e principalmente, mudar a hierarquia de valores que regem a visão de mundo de uma pessoa.

Tive uma experiência bem próxima desta: De repente, pude saber como é ser a enorme nuvem de chuva que realmente pairava acima do local onde eu me encontrava. Consegui sentir e saber intuitivamente que, do ponto de vista da chuva, ninguém que estava lá embaixo era importante, ou alvo de punição ou recompensa. Se alguém estava atrasado para se locomover até o outro extremo da cidade, isso era totalmente irrelevante frente à imensidão da nuvem de chuva que pairava acima daquelas pessoas.

Pois a chuva não era uma consequência das minhas boas ou más atitudes. Ela simplesmente acontece porque tem que acontecer.

Meu ego ficou diminuído, minhas preocupações individualistas tornaram-se pequenas frente à gigantesca nuvem de chuva que estava sobre São Paulo, às 17 horas daquele dia.

Por isso é que os estados ampliados de consciência são tão poderosos e transformadores: eles permitem que a pessoa se conecte com dados da realidade que não dependem das características individuais daquele que os observa. Isso permite uma mudança na filosofia de vida e nos paradigmas que definem o que é a realidade, o mundo, os outros e a nós mesmos.