Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: 2010

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COEX - Aplicada à vida cotidiana

" Ao invés de dizer que temos 59 questões e dificuldades na vida, somos capazes de reconhecer que existem 5 ou 6 padrões de emoções"

É uma abreviação em inglês para “COndensed EXperiences”. Em português, Experiências Condensadas, refere-se ao conceito utilizado por Stanislav Grof, que define como as memórias são organizadas na consciência.


Todos os conteúdos existentes na consciência, sejam memórias, fantasias, sensações físicas, traumas psicológicos e físicos, auto-imagens, papéis, etc... estão organizados em COEX. Trata-se de um princípio básico que, ao mesmo tempo simplifica, e amplia o olhar para a consciência, e o modo humano de estar no mundo. Os domínios da consciência, o biográfico, matrizes perinatais e o transpessoal têm como base a COEX.



Quando entramos numa psicoterapia experiencial, seja por meio de terapia corporal reichiana ou bioenergética, Psicodrama, Gestalt, Respiração Holotrópica (TM), ou ainda, por meio de meditação profunda, yoga, hipnose, EMDR, sonhos noturnos ou sonhos lúcidos, e substâncias psicodélicas, o sistema COEX é ativado.

Esse sistema está diretamente ligado a um outro princípio intrínseco de cura da consciência, que Grof denomina "Radar Interno". O radar é responsável pela escolha daqueles elementos que serão trazidos à consciência para transformação e cura. 


O sistema COEX é não-linear e holográfico. Quando se entra em contato com o domínio biográfico, ou seja, a história pessoal, os conteúdos trazidos à consciência não aparecem de maneira linear e cronológica. O mesmo ocorre quando acessamos o domínio das matrizes perinatais (do nascimento biológico), e com as experiências transpessoais. A emergência dos conteúdos à consciência ocorrem de acordo com o sistema de radar interno e com as COEX.

O sistema COEX é extremamente pessoal e individual, cada pessoa é única, assim como suas maneiras de estar no mundo, de perceber a si mesma e a realidade.


Durante o dia-a-dia, não nos damos conta desse radar, mas ele também está funcionando, da mesma forma que as COEX. 


Usando um exemplo, uma COEX de culpabilidade contém todas as experiências de vida de uma pessoas nas quais ela se sentiu culpada, no sentido negativo. Assim como todas as fantasias,onde ela também se sente culpada. E as sensações físicas que a culpa desencadeia em seu corpo, como aperto no peito, dores de cabeça, etc. Inclui também experiências do nascimento biológic, e possíveis experiências transpessoais, relacionadas com a COEX.

Essa divisão entre memórias reais e fantasias podem estar misturadas, num grupo geral de situações ou memórias, e isso não tem importância para o reconhecimento da COEX. O fundamental é poder reconhecer os padrões de experiências, sejam elas reais ou imaginárias.

Dessa forma, os nossos problemas ou questões da vida se reduzem em número, e podem ser trabalhadas com mais facilidade. Ao invés de dizer que temos 59 questões e dificuldades na vida, somos capazes de reconhecer que existem 5 ou 6 padrões de emoções, ou seja, COEXes que regem a nossa vida, nossas escolhas e nosso modo de perceber o mundo, e a nós mesmos.

Vicios e Apegos - por Ram Dass (Richard Alpert)

Link para o vídeo no YouTube: Vícios e apegos - Ram Dass


video

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Stanislav Grof



Edmund Husserl



Gaston Bachelard



Maurice Merleau-Ponty



Rollo May




Ludwig Binswanger



Otto Rank

Matriz Perinatal Básica II - Antagonismo com a mãe

(Contrações em um sistema uterino fechado)

"Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação."
Quando a regressão experiencial alcança a memória do contexto do parto biológico, costumamos nos sentir sendo sugados por um redemoinho gigante, ou engolidos por uma besta mítológica. Também podemos experienciar que o mundo inteiro ou mesmo o cosmos está sendo engolido. Isto está associado com imagem de devoramento ou prisão de monstros arquetípicos, como os leviatãs, dragões, cobras gigantes, tarantulas e polvos. A sensação de ameaça vital iminente pode provocar grande ansiedade e sintomas paranóides. Também podemos sentir uma descida ao mundos subterrâneos, o reino da morte, ou inferno. Como o mitologista Joseph Campbell tão brilhantemente descreveu, isto é um aspecto universal da jornada do herói. (Campbell 1968).



Reviver totalmente o primeiro estágio do parto biológico quando o útero está contraído, mas a cérvice não está aberta (MPB II), é uma das piores experiências que o ser humano pode ter. Nos sentimos presos em um pesadelo claustrofóbico gigantesco, sofremos dores físicas e emocionais agonizantes, e temos a sensação de total desamparo e falta de esperança. Sentimentos de solidão, culpa, absurdo da vida, e desespero existencial podem alcançar níveis metafísicos. Perdemos a conexão com o tempo linear e nos convencemos que esta situação nunca terminará, e que realmente não existe nenhuma saída. Não duvidamos que o que está acontecendo é o que as religiões chamam de Inferno - tormentos emocionais e físicos insuportáveis sem qualquer esperança de salvação. Pode ser acompanhado de imagens arquetípicas de demônios e paisagens infernais de diferentes culturas.


Quando encaramos a desastrosa situação de não-saída no aperto das contrações uterinas, nos conectamos com sequências do inconsciente coletivo que envolvem pessoas, animais e mesmo seres mitológicos em semelhante situação sem saída. Nos identificamos com prisioneiros em celas, em campos de concentração ou internos em asilos de loucos, e com animais presos em armadilhas. Experienciamos as intoleráveis torturas dos mentirosos no inferno ou de Sísifo rolando sua pedra abaixo da montanha de Hades.

"De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual."
A nossa dor pode tornar-se a agonia de Cristo perguntando a Deus porquê Ele o abandonou. Sentimos estar frente à danação eterna. Tal estado de escuridão e desespero abismal é conhecido da literatura espiritual como a "Noite Negra da Alma". De uma perspectiva mais ampliada, apesar dos sentimentos de total falta de esperança que isso apresenta, isso é um importante estágio de abertura espiritual. Se for experienciado em toda a sua profundidade, pode ter um efeito liberador e transformador naquele que o experiencia.




... de "Trauma do Nascimento e Suas Relações com Doenças Mentais, Suicídio e Êxtase ("Birth Trauma and Its Relation to Mental Illsness, Suicide and Ecstasy")

A Fenomenologia da MPB II em sessões de LSD, assim como a sintomatologia clinica em períodos após as sessões dominadas por esta matriz, mostram as características fundamentais da depressão: inibição motora geral, dor mental agonizante e sofrimento, ansiedade, sentimentos arrebatadores de culpa e inadequação, total falta de interesse, percepção seletivvamente negativa do mundo e da vida do sujeito, percepção em preto-e-branco do mundo, sem cores, e sentimentos de situação de vida inescapável e insuportável, com nenhuma esperança de solução.



As manifestações físicas da depressão também estão de acordo com este conceito: sentimentos de opressão e constrição, perda do apetite e rejeição à comida, retenção da urina e fezes, inibição da libido, dores de cabeça, desconforto cardíaco, dificuldade de respirar a várias reclamações interpretadas ocasionalmente como hipocondria. A ideação suicida de tal condição é uma forma de um desejo de não existir, de cair num sono profundo, esquecer-se de tudo, e não acordar no dia seguinte.


Os sistemas COEX relacionados com a MPB II, fazendo sua conexão com o ego, estão de acordo com o modelo freudiano de situações de frustração oral na infância, privação emocional na infância e adolescência, a vários eventos traumáticos onde o sujeito esteve no papel de vítima passiva.


Situações familiares opressivas para o indivíduo, onde não permitem nenhuma rebelião também fazem parte desta categoria. Uma parte bem comum dessas COEX são experiências envolvendo ameaças à sobrevivência e à integridade física. Parece que os aspectos psicotraumaticos de doenças graves, machucados, operações e episódios de quase afogamento foram grosseiramente subestimados na dinâmica psiquiátrica de possíveis fatores patogênicos da depressão.

Qual Tempo Você Segue?

Parece ser tão fácil e tão óbvio perder-se na correria do dia-a-dia, que só quando nos sentimos cansados ou ficamos doentes, esse ritmo acelerado se mostra pouco favorável para a nossa integridade física e emocional.

As férias estão aí, e o seu ritmo continua o mesmo: "Para onde vamos agora? O que temos que fazer hoje?"

Muitas vezes podemos sentir que ainda não chegamos onde deveríamos estar, que o tempo está passando e não conseguimos acompanha-lo bem. Cumprimos uma lista de atividades pendentes, e logo aparecem outras, em pouco tempo. Certas coisas se repetem todos os dias, todo mês, a cada semestre.

É importante nos perguntarmos sobre o motivo (por quê) e o sentido (para quê) de nosso ritmo acelerado, de nossa correria. Será realmente necessário correr o tempo todo? Quem sabe ao correr não estamos fugindo de algo ou alguém? Podemos estar fugindo de nós mesmos, de alguma verdade a nosso respeito, de responsabilidades conosco? Ou estamos correndo atrás de alguma coisa ?

Se estamos correndo por causa do mundo que nos exige isso, estamos condicionados pela pressa e pela falta de tempo. Correr não é um problema. Quando só fazemos isso, e tudo é realizado correndo, mesmo quando não existe uma demanda real, então é só uma questão de tempo, vamos ser obrigados a parar. E depois, recomeçar com um novo ritmo, talvez, mais adequado.

Como é o seu ritmo? É rápido, calmo, na maioria das vezes tem pressa, ou é devagar? Você costuma planejar todos os passos do que vai fazer, ou deixa as coisas seguirem o seu curso? Precisa controlar muitas coisas? São perguntas que ajudam a saber um pouco sobre o seu ritmo de lidar com as coisas.

Conseguimos fazer tudo que precisava naquele dia, ou só uma parte ? Será que não estamos nos iludindo, achando que temos tanta organização assim?

Podemos ter uma exigência grande demais, mais do que podemos. Queremos mostrar aos outros (ou a nós mesmos) que somos capazes de fazer milhares de coisas num mesmo dia, mesmo que isso sacrifique a nossa saúde.

Outra coisa que ajuda, é dar-se conta da velocidade e da quantidade de pensamentos durante o dia. Nossa mente é muito rápida, tem a velocidade da luz, nossa imaginação ultrapassa barreiras. Ficar ligado só na nossa cabeça, nos pensamentos, imaginação, só é bom até certo ponto. Deixando o corpo parado ou mal treinado é um risco, e não reconhecendo os limites físicos, não sabemos quando é hora de parar ou desacelerar.

Muita gente vive numa dualidade, onde ora a mente predomina, ora o corpo predomina. Fica complicado, o corpo faz parte de nós, tem uma sabedoria, não está errado ou atrasado. Ele exige atenção e cuidados, respeito e carinho do proprietário. Ele não é igual à mente, que já está a mil quilômetros de distância dele, ou no momento seguinte dali.

A questão principal é focar a atenção, a consciência, no momento presente, pois é aqui que nos encontramos. No presente temos a pressa, a antecipação do futuro, o coração acelerado, a respiração tensa e curta, as unhas roídas, a preocupação e exigência de nós mesmos.

Consciência do próprio corpo, e não apenas trabalhar o corpo, é o que conta. Não é simplesmente fazer ginástica, trabalhar os músculos, pedalar na ergométrica enquanto lemos o jornal. É preciso usar a percepção que temos de nós mesmos para incluir o corpo, conhecer o seu ritmo, as suas capacidades, os seus limites, o que ele quer nos mostrar. A psicoterapia pode ajudar a fazer essa integração dos sentimentos e sensações físicas à consciência, ela é um caminho. A meditação, buscar relações e interesses novos, ir contra os condicionamentos, evitando seguir sempre o mesmo “caminho” conhecido, entre outras práticas, podem ser bem úteis para que estejamos mais presentes no aqui-agora.

Podemos reconhecer que as situações onde estamos são abertas às nossas escolhas, em todos os momentos, e não somos meros espectadores da vida, nem escravos de uma vida homogênea e estática.

Genocidio Armênio - História

Texto escrito por:
Patrícia R. S. Dichtchekenian,
Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

Segundo a tradição, o território armênio estaria localizado no Jardim de Éden, considerado o berço da civilização, e no lugar onde a Arca de Noé teria encalhado após o Dilúvio. Ao longo de mais de três milênios, o povo armênio padeceu de diversas invasões, de infinitas batalhas e, finalmente, de um grande genocídio no início do século XX, praticado pelos turcos, que desmoronaram suas estruturas e deixaram marcas eternas em sua história. A finalidade do trabalho é mostrar o contexto que originou esse massacre, a sua importância para a História Contemporânea e as suas implicações na atualidade.


Como a sua localização geográfica – o Cáucaso – é uma área de passagem entre o mundo ocidental e oriental e, portanto, muito disputada entre os conquistadores, desde o início o país sofreu para manter sua integridade territorial: Quando a Armênia se estabeleceu firmemente como Estado no poderoso Reino de Urartu, em 860 a.C, logo enfraqueceu. Houve tentativas de restabelecimento, mas no século IV a.C, as tropas de Alexandre, O grande penetraram e tomaram toda região. Após o colapso do Império de Alexandre, houve novas invasões que duraram até o início do século II a.C., quando surgiu um reino armênio unificado, com o rei Artachés. Entretanto, em virtude de um conflito entre os persas e os romanos em 387, a Armênia foi dividida em duas partes, a Ocidental e a Oriental. Após essa repartição, em 451, ocorreu a famigerada Batalha de Avarair, uma resposta armênia à intolerância e a brutalidade persa. Contudo, a área ainda era suscetível a novos ataques e, em 610, foi o momento em que os Árabes entraram na Armênia Oriental, onde impuseram leis que resultaram no êxodo do povo. O enfraquecimento do Califado Árabe, no entanto, colaborou para a ascensão da família Bagrádita, que proclamou a independência da Grande Armênia, em 886.

As invasões tornavam-se cada vez mais freqüentes. Desestabilizada, a Armênia foi novamente vítima da divisão de dois países em disputa: entre os Turcos Otomanos (que, em 1453, conquistaram Constantinopla e se infiltraram na região, anexando o setor Ocidental) e a Pérsia, que agregou a parte Oriental. Essa divisão permaneceu até o início do século XIX, quando a Rússia se interessou pela área transcaucasiana e os persas foram obrigados a entregar sua porção ao domínio russo por meio de um tratado. A reação armênia foi positiva, afinal, esse controle assegurava sua existência territorial e permitia que o povo mergulhasse em um novo período de desenvolvimento cultural e progresso econômico. Todavia, a condição dos armênios que habitavam a parcela Ocidental piorava com o inflexível autoritarismo turco, gerando um movimento de libertação apoiado pelos russos e pelas nações europeias. Nessa circunstância, no final desse mesmo século, surgiram os primeiros partidos armênios, como o Armenakan e a Federação Revolucionária Armênia, que lutavam para proteger o seu patrimônio e defender a miserável vida da população. Com o intuito de silenciar qualquer protesto, o sultão Abdul Hamid II, iniciou o extermínio de 300 mil armênios ocidentais, entre os anos de 1894 e 1896.

Em 1908, o cenário político turco sofreu profundas transformações: O Comitê da União e Progresso, liderado pelos Jovens Turcos, destronou o sultão, proclamando governo constitucional e igualdade dos direitos civis para todos os cidadãos otomanos. Essa mudança radical deu ao povo armênio uma mísera esperança. Porém, em menos de um ano, os morticínios voltaram a ocorrer e observou-se com tristeza que os novos chefes da administração ainda seguiam a política Hamidiana. Em seguida, o mundo entrou em colapso com o advento da I Guerra Mundial e a Turquia uniu-se aos alemães na Tríplice Aliança. Havia o serviço militar extensivo para todos, mas muitos armênios pagaram sua isenção, pela falta de razões patrióticas para participarem da guerra. Em um determinado dia, contudo, as cidades foram ocupadas por soldados e o governo intimou todos os homens isentos do serviço militar a se identificarem, sob pena de morte. Dessa maneira, o Comitê da União e Progresso finalmente colocou em prática seu projeto de extermínio de toda raça armênia, com o intuito de atingir a total “otomanização” do território.

Tudo começou em 24 de abril de 1915, quando mais de 800 intelectuais armênios foram presos, deportados e assassinados. A partir de então, o massacre consolidou-se e perdurou até os anos seguintes. Foi um procedimento sistemático: ao passo que os homens foram conduzidos para fora das cidades e, em seguida, torturados e assassinados (inclusive os soldados, que primeiramente eram desarmados e depois, mortos), as mulheres, crianças e os mais velhos receberam a ordem imediata de deportação em um prazo de até uma semana. Não obstante serem expulsos de seus lares e entregues a um destino desconhecido, todos os seus bens foram confiscados e transferidos aos turcos. O governo obrigava os grupos, que variavam entre 2 e 5 mil pessoas, a se encaminharem para três principais lugares: Sultanieh, uma aldeia no centro da Anatólia, onde havia um cruel deserto em seu interior; Allepo, na capital do norte da Síria, onde havia pântanos que causavam um verdadeiro choque climático e biológico, afinal, os armênios eram povos montanheses, inadaptados ao clima tropical abafado e à malária; e Der-el-Zor, uma grande cidade no deserto. Após se estabelecerem em terríveis condições, o governo deu-se por satisfeito e sequer se incomodou em fornecer alimentos.

Nesse êxodo, muitos morriam em virtude da fome, de doenças, do abandono e de seu estado deplorável, afinal, caminhavam sem mudas de roupa, sem poder se lavar, sem abrigo e ainda eram roubados. Além disso, sofriam uma série de abusos, eram constantemente espancados e simplesmente eram assassinados por tropas turcas e por mercenários curdos. Durante o trajeto, muitas mulheres foram submetidas a degradações desde o chicoteamento (que nao perdoava, tanto as grávidas, quanto as mulheres com criança de colo) até o estupro, de modo que muitas enlouqueciam e vendiam seus bebês para que eles não padecessem de fome. Deve-se ressaltar que mesmo as pessoas que pertenciam à camada abastada e fina, estavam acostumadas com luxos e comodidades e eram tão civilizadas quanto qualquer outro cidadão europeu ocidental, foram sujeitas a essa agressão moral e física.

Havia três alternativas para driblar as privações do exílio: as crianças com menos de 12 anos poderiam ser entregues a conventos de dervixes, comunidades de fanáticos religiosos, onde recebiam os ensinamentos da fé muçulmana; as mais belas jovens poderiam ser vendidas em praça pública para viverem sob regime de escravidão sexual em casas de prazer; e, em alguns casos, as famílias poderiam sobreviver se aceitassem a conversão total de seus membros ao islamismo. No entanto, a maioria dos armênios estava fadada à deportação. No final das contas, não havia destino algum, senão a longa caminhada até a morte, de modo que muitos começaram a indagar a existência de Deus. Visto que a Armênia foi o primeiro país a oficializar o cristianismo no mundo, em 303, e a sua Igreja teve um papel essencial na manutenção do Estado e na preservação da identidade do povo, questionar a divindade suprema revela que o próprio povo já havia perdido todas as esperanças.

Todavia, a partir de 1918, muitas transformações ocorreram, alterando totalmente o panorama internacional: a Turquia havia perdido a I Guerra Mundial; a Armênia proclamou, em 28 de maio desse mesmo ano, a sua independência e, em julho, foi assinado um Tratado de Paz entre esses dois países, em que os turcos reconheciam a soberania armênia. Mesmo após seis séculos de dominação estrangeira, a I República pouco durou, pois, em setembro de 1920, os turcos invadiram a Armênia que, sem condições de defesa, aliou-se aos comunistas, proclamando-se uma República Soviética, em 29 de dezembro daquele ano. Após todos esses episódios, as autoridades turcas foram acusadas de vitimar 1.500.000 armênios, responsáveis, assim, pelo primeiro genocídio do século XX. Não devemos nos esquecer também de que nao foi apenas um massacre físico:os danos e as perdas que a sua cultura milenar padeceu são incalculáveis, visto que ela não somente se estagnou em 1915, mas também se dispersou junto com os 800 mil armênios que fugiram para sobreviver e ainda sofreu influências da ideologia comunista.

Apesar de ter ocorrido há 95 anos atrás, o genocídio armênio permanece latente mesmo nos dias de hoje. A principal questão refere-se ao fato dos sucessivos governos turcos recusarem o reconhecimento dos crimes cometidos até hoje e eis o maior motivo pelo qual a União Europeia não os aceita como integrante. Não havia uma exaltação muçulmana ou qualquer espécie de fanatismo religioso para justificar o extermínio: era simplesmente a vontade do governo, que afirmava que os armênios eram traidores e que conspiravam para a vitória do inimigo na I Guerra Mundial. Contudo, não havia a menor possibilidade de cooperarem com o exército da Entente, pois os poderes militares estavam inteiramente em mãos turcas. Não há também explicações para o morticínio nas prósperas e independentes cidades Zeitun e Sassoun, além da inveja do governo otomano e dos vizinhos curdos, o que não fundamenta a sua destruição integral. Além de negar, os líderes turcos ainda afirmam que as mortes foram causadas em virtude de uma guerra civil que trouxe doenças e fome, tanto para os armênios, quanto para os turcos. Entretanto, temos a diáspora como a maior prova que evidencia as deportações e a mortandade, afinal, existem comunidades armênias de sobreviventes da tragédia no mundo inteiro.

Atualmente, a Armênia é um país soberano e independente, desde o desmantelamento da URSS, em 1991. Nessa circunstância, o povo armênio se reúne anualmente no dia 24 de abril para relembrar os seus mortos e exigir dos turcos o reconhecimento do massacre. Se a raça armênia não pode ser ressarcida de suas perdas materiais, pelo menos assim recupere a sua dignidade moral e mantenha viva sua herança cultural.

Bibliografia:

- Site da comunidade armênia do Brasil: www.armenia.com.br
- Toynbee, Arnold. Atrocidades turcas na Armênia. Paz e Terra, 2003- São Paulo

Trabalho Corporal em Psicoterapia


" A postura do terapeuta durante toda a sessão é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa...."

Este texto tem como objetivo descrever a modalidade de terapia corporal, para as pessoas que não a conhecem e tenham interesse em  saber algumas informações básicas.

A psicoterapia corporal é um tipo de terapia onde ocorre não apenas interação verbal entre o paciente e o terapeuta. Mas onde, também, existe o contato do paciente com seu próprio corpo, através de introspecção, do toque, de relaxamento, meditação, de posturas e técnicas corporais específicas.


"Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo."

Uma maneira possível de contato com o próprio corpo é através de um relaxamento inicial, e onde ocorre contato verbal com o terapeuta, em intervalos de tempo, entre os momentos de introspecção. Esse contato verbal é feito na medida suficiente para estabelecer e manter uma conexão, apoio com o paciente, ao mesmo tempo que o deixa livre para poder mergulhar dentro de si mesmo. A postura do terapeuta, durante toda a sessão, é de apoio e encorajamento, o que facilita a entrega do paciente em níveis mais profundos, por criar um contexto seguro e protegido, onde toda vivência possa ser terapêutica e curativa.

Um dos princípios que dão base a esse tipo de trabalho é o contato com experiências profundas com potencial de cura e liberação de tensões e emoções bloqueadas.

Esse modo de trabalho promove um aprofundamento das emoções e das sensações, gerando alívio e descarga das tensões, num nível diferente de uma terapia verbal. A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. Como existe um olhar voltado para si mesmo, a consciência consegue trabalhar com capacidade ampliada, e com potencial de cura expandido. Utiliza-se o método fenomenológico, que é o da intensificação da experiência, de um modo não-diretivo.

" A consciência do próprio corpo traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. "

Durante as sessões, as pessoas ficam conscientes, mais ligadas no que acontece com elas mesmas, tendo oportunidade de compreender de maneira intuitiva e dinâmica como podem ajudar a melhorar suas vidas, e resolver seu sofrimento. Quando ocorre esse tipo de descoberta a respeito da sua própria vida, e de como cada um pode melhorar, existe um contato com uma sabedoria interior presente em cada um de nós, mas muitas vezes esquecida, por estarmos olhando para fora de nós. Esse encontro com a sabedoria interior é livre e independente de crenças religiosas,ou dogmas.

 


As sessões podem durar desde 50 minutos até 2 ou 3 horas. O ideal é que haja todo o tempo disponível, e um local que permita expressão corporal com total liberdade.

Feliz Páscoa

Nesse feriado de Páscoa, durante uma viagem, tive a sorte de encontrar uma senhora, que me disse algumas coisas bem importantes sobre relacionamentos, das quais não me esqueço, e que considero valiosas para compatilhar. Ei-las:
  • Disfrute da sua individualidade, tenha momentos só para você mesmo(a), de solidão. Respeite a necessidade do outro de também ficar sozinho, ou com os(as) amigos(as). 
  • Não deixe que sua felicidade dependa apenas da companhia da pessoa amada, ou da atenção do outro para você.
  • Seja parceiro(a), esteja junto, fique próximo, seja uma boa companhia. A chave para bons relacionamentos é a parceria.
  • Tenham planos para o futuro juntos, façam projetos juntos.
  • Sinta-se responsável pelo que você faz, com você e com o outro. 
  • Não faça promessas, simplesmente realize coisas.
  • Agradeça sempre, por tudo. 
  • Não seja preguiçoso.
  • Não critique o outro. 
  • Observe os seus pensamentos e sentimentos.